Better Call Saul – 1×05 – Alpine Shepherd Boy

Imagem: Banco de Séries

Talvez o mais fraco do cinco, embora provavelmente o mais cômico. Better Call Saul oscila muito entre drama e comédia, às vezes parecendo pender mais para o segundo. Mas isso é uma coisa boa, prova de sua versatilidade, principalmente considerando que ela consegue ser bem sucedida nas duas áreas. Mas sinto que tem algo faltando na série, algo que nos prenda à história ou ao menos que nos situe no enredo, que ainda está um tanto embaralhado. Às vezes fica a sensação de que Breaking Bad foi um grande spoiler e que nada que aconteça aqui pode nos surpreender muito, já que sabemos onde vai chegar, mesmo que não exatamente como. Estou gostando muito de acompanhar a série, é claro, só que ainda de forma meio despretensiosa. Talvez o erro é esperar que a jornada de Jimmy McGill até se tornar Saul Goodman seja tão eletrizante quanto a de Walter White até se tornar Heisenberg. São personagens completamente distintos em séries com propósitos distintos, então talvez se enxergarmos a essência de Better Call Saul, possamos preencher as lacunas que pensamos existir.

Eu sei que devo parar de comparar o spin-off à série que o originou, mas vou mencionar Breaking Bad agora como poderia fazer com qualquer outra série com qualidade semelhante no âmbito que vou abordar. E esse são os personagens secundários. Por exemplo, a Marie sozinha já supera todos os coadjuvantes de Better Call Saul juntos, que até agora são Chuck, um Mike que mal aparece, Kim e o tal do Howard. Só a breve aparição de Tuco já foi melhor que a desses todos. Não consigo simpatizar com Chuck ou me interessar por sua história e provavelmente o maior foco nele foi o que fez desse o episódio mais fraco da temporada até aqui. Kim parece promissora, porque toda série que se preze tem que ter certo romance e acho que é para isso que ela está ali. E com ela eu consegui simpatizar, então por enquanto pode ser considerada um inserção positiva. Howard é… necessário. Se vão desenvolver o plot de Chuck e sua antiga firma, ele precisa aparecer. Mas isso não significa que precisamos gostar. E Mike parece que finalmente vai sair da cabine do estacionamento e conquistar seu merecido lugar ao sol na série, afinal, ele é o elo de ligação entre essa e sua antecessora.

Deixemos à parte essas críticas que foram mais amplas do que o episódio específico e frisemos o quão breves pareceram esses 45 minutos. Característica típica de séries mais leves, cujo maior propósito é entreter. E, novamente, isso não é uma crítica. É o ponto em que fazemos a diferenciação necessária entre essa e Aquela-Que-Não-Deve-Mais-Ser-Mencionada. Mas isso não significa que ela não possa ficar mais profunda daqui para frente. Não que exista essa obrigação, mas parece algo que o público está esperando, mais ação. O que está faltando é também a série afirmar sua própria essência, para que assim possamos ajustar nossas expectativas.

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Enfim, acho que podemos definir esse episódio como divertido, em sua maior parte. É interessante como quando Jimmy finalmente parece ter dado sorte, o fracasso volta a seu encalço. E isso ficou evidente com a visita aos potenciais clientes das ligações do episódio anterior, que foi justamente o que pareceu marcar o início do seu sucesso. Mas acabou sendo mais uma sequência de fracassos, para nós tão cômica quanto trágica para Jimmy. Ri mais com a cena da privada sexual do que com boa parte dos episódios das comédias dessa semana.

Mas aí veio a parte, digamos, não tão agradável do episódio. Eu sei que a história de Chuck é para trazer uma parte mais pessoal e anterior da história de Jimmy, paralelamente à sua “ascensão” como advogado, mas o fato de ser pertinente, não necessariamente a torna interessante. Ao menos não para mim. Perdi muito da curiosidade pelo que aconteceu a ele, não simpatizo com o personagem e não sei até aonde isso pode realmente fazer diferença no desenvolvimento de Jimmy, tanto até chegar à sua situação atual, quanto de agora até se tornar Saul. Mas vamos esperar pra ver.

A parte em que ele decide se tornar advogado dos idosos também pode render bons momentos, se é que pretendem permanecer com isso por mais alguns episódios. “Need a Will? Call McGill!” é como se marcasse o início do futuro profissional de Jimmy, de sua peculiaridade como profissional, que será refletida no ápice de sua carreira. É interessante que ele já faz agora, no improviso, tudo que fará futuramente. Ou seja, ele vai progredir sem mudar um pingo de sua essência. E acho que podemos chamar isso de admirável. Por mais que esse episódio tenha ficado entre o cômico e o desinteressante, tudo que a série já é e as amplas possibilidades de aperfeiçoamento, mantém Better Call Saul no posto de provável melhor estreia que podemos estar acompanhando agora.

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2 comments

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    Paula Reis 9 março, 2015 at 10:38 Responder

    Eu achei muito engraçado este episódio, mas é o q vc falou…. ainda falta alguma coisa. Ao menos eu fico esperando por algo…. Gostei qdo vc disse q BrBa é um grande spoiler da série… mas ow não pode ser… BrBa não pode ficar dependendo dela e nós não podemos ficar comparando toda hora…. ela tem q desvincular e ter vida própria, se não a série não vai vingar! Tomara q consigam fazer isso, pq eu to gostando de acompanhar Better Call Saul.

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      Tainara Hijaz 9 março, 2015 at 11:16 Responder

      Pois é, fica difícil para nós desvincular uma série da outra quando a própria Better Call Saul faz isso ou não nos apresenta nenhum grande atrativo para que finalmente a enxerguemos como uma boa série independente da outra. Mas estou gostando muito e tenho confiança de que logo vão consertar essas falhas. 😉

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