Better Call Saul – 1×06 – Five-O

Better Call Saul 1x06
Imagem: Banco do Séries

Inegavelmente um ótimo episódio, para a maioria o melhor até agora, mas isso nem sempre é o bastante para entreter à todos. Para mim foi o oposto de alguns que, mesmo não apresentando nada tão interessante, pareceram durar apenas vinte minutos, enquanto esse que é provavelmente o mais construtivo para a história, na minha concepção pareceu um tanto cansativo, perdoem-me o mau gosto. Eu gostei muito do episódio, mas não pude evitar por vezes me sentir um tanto distraída, digamos, por mais estranho que possa parecer, levando em conta que foi o mais movimentado.

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Até descobri um apego à Jimmy que eu nem sabia existir, considerando que a parte do interrogatório foi a que mais me prendeu. Sim, já passava da hora de intensificarem a participação de Mike e sim, eu tinha e ainda tenho interesse em sua história particular, mas gosto é irracional e por mais que eu gostaria de fazer parte do grupo que preza mais por um bom desenvolvimento narrativo do que por mero entretenimento, como realmente costuma ser o meu caso, meu aproveitamento desse episódio não chegou ao nível da maioria. O episódio em si foi exatamente o que eu deveria gostar, mas a sensação foi de estar assistindo a um dos episódios que me pareceu menos atrativo entre os exibidos até o momento.

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E toda essa explicação foi só para deixar claro que o problema sou eu, porque o episódio foi melhor do que se esperava dentro da já latente necessidade de explorar melhor o outro personagem provindo de Breaking Bad. Mike foi quem trouxe Saul à outra trama e parte essencial da concepção desse spin-off e, portanto, merecidamente teve um episódio focado nele, em seu passado, no mesmo estilo com o qual vinham apresentando Jimmy/Saul. Gostaria de me lembrar melhor de Breaking Bad para saber o quê aqui se relaciona com o que vimos do personagem nela, mas não reconheci muita coisa além do fato dele ter sido policial e sua conturbada relação com a família. Vimos também o que foi o início de uma relação mais próxima entre ele e Jimmy, deixando de ser apenas uma questão de adesivos de estacionamento e chegando ao ponto em que Mike começa a usar os serviços de Jimmy como advogado, ainda que não necessariamente suas habilidades como profissional da área.

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So, what happened? The mayor didn’t give you enough stickers?

Descobrimos o essencial do passado de Mike, o que o tornou tão fechado e praticamente incapaz de esboçar um sorriso. No caso, o fato de ter sido um policial corrupto, o que indiretamente colaborou para o assassinato de seu filho e, posteriormente, o assassinato dos responsáveis, por parte do próprio Mike, o levando aos atuais questionamentos da polícia. Não sei que ele vai querer contar com a ineficiência de Jimmy em um caso tão sério, mas pode ser aí que realmente a ligação dos dois se estreita e nos aproxima mais do nível Breaking Bad da coisa.

Um episódio mais profundo, mais esclarecedor, regido praticamente apenas por Mike, com uma ponta do protagonista, que serviu para dar a tão esperada maior “ação” à série, dando um primeiro passo, talvez, para torná-la um drama mais expressivo e menos essa espécie de dramédia que vinha sendo. Achei o episódio excelente, é claro, talvez concorde que seja o melhor até aqui, mas certamente não foi o que mais gostei, título que ainda pertence e talvez pertencerá por um bom tempo ao segundo. Preferência não cabe à nossa razão, infelizmente, mas Better Call Saul está de parabéns e eu não poderia estar mais contente que ela, finalmente, esteja definindo uma direção, ampliando suas possibilidades e sabendo dosar humor, drama e profundidade com perfeito sucesso ao chegar agora (acredito) à metade de sua primeira temporada. Mike é um personagem sensacional, Jonathan Banks o representa perfeitamente bem e todo o episódio fez justiça à sua importância, portanto, merece as cinco estrelinhas, por menos que o meu reconhecido mau gosto tenha conseguido aproveitar tudo isso.

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I broke my boy.