Better Call Saul – 1×09 – Pimento

Better Call Saul 1x09

Imagem: Across The Margin

 

No penúltimo episódio da temporada, já é hora de alguns personagens mostrarem realmente quem são e, com isso, alguns pontos se esclarecerem. Nesse caso, quem revelou seu verdadeiro caráter foi Chuck, explicando sua ausência na vida de Jimmy quando este passar a se chamar Saul. E o que mais me surpreendeu aqui foi a surpresa das pessoas com a conclusão do episódio.

Apesar da minha reconhecida incapacidade de interpretação, sempre tive um pé atrás com tudo que dizia respeito a Chuck. Sempre algo em seu comportamento e nas coisas que ele dizia parecia esconder segundas intenções, nada nele me parecia completamente honesto. A começar pela sua “condição”. Pode ser que ele realmente acreditasse que a possuía, mas as circunstâncias que o colocaram nessa situação e os motivos dele persistir nela, ou mesmo o que ele fazia e pensava enquanto trancafiado naquela casa escura e a consideração que ele não aparentava ter pelos cuidados de Jimmy com ele, me pareciam suspeitos. Inclusive no flashback em que ele, ainda um bem-sucedido advogado, vai tirar o problemático irmão mais novo da cadeia, me pareceu ter má vontade em seu comportamento em relação a Jimmy, um sentimento de superioridade que foi evidenciado no flashback em que Jimmy anuncia que passou na versão americana da OAB e comprovado em toda a sequência de acontecimentos desse episódio. Desde que Chuck primeiramente se inseriu no caso de Jimmy com os idosos, sua necessidade de ajudar o irmão ou apenas o desejo de voltar a praticar advocacia, não me pareceram razões genuínas.

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Com isso, já tendo acumuladas todas essa desconfianças em relação a Chuck, no momento em que ele aconselha Jimmy a passar o caso para a Hamlin Hamlin & McGill, com os argumentos que ele utilizou e um certo desespero contido para que o irmão se convencesse, já pareceu claro para mim que ele tinha nada além de segundas intenções por trás desse conselho. E sua expressão de indignação mais falsa do que nota de três reais ao ouvir que Jimmy não poderia mais participar do caso, tratou de fortalecer minhas conclusões a respeito disso tudo. Até a cretinice de Howard, que tem a personalidade perfeita para convencer qualquer um nesse sentido, me soou falsa. Tanto que eu já sabia o que viria quando Kim foi tirar satisfações com ele e, principalmente, quando ele a chamou de volta para revelar algo meio que relutantemente, ficou claro o que era.

Não quero dizer com isso que a principal revelação do episódio e o que o tornou tão interessante foi mal construído e previsível, muito pelo contrário. Foi tudo tão bem planejado para resultar nisso, que aposto que até os mais surpresos dos espectadores, ao saber a verdade sobre o caráter de Chuck, revisitaram mentalmente todos os eventos que envolveram o personagem até agora e chegaram à mesma conclusão que eu antecipei nos parágrafos acima. Tudo faz sentido agora e bem que já desconfiávamos que tinha algo errado com ele. E, como sempre, criadores e roteiristas da série estão de parabéns pela brilhante construção e desenvolvimento dos personagens e do enredo. O modo como Jimmy descobriu tudo e confrontou o irmão é prova que a efetividade de Breaking Bad em todos esses aspectos está bastante refletida aqui, tornando a produção que já está ótima, ainda mais promissora para sua próxima temporada. E que venha a season finale.

PS: Mike sendo Mike.

Equipe Mix

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