Better Call Saul – 1×10 – Marco (Season Finale)

Better Call Saul 1x10

Imagem: Banco de Séries

De James McGill a Saul Goodman em dez episódios. Provavelmente, vai entrar na listinha de subtítulos da Record, caso a emissora decida transmitir a série derivada do seu recente sucesso Breaking Bad: A Química do Mal. Convenhamos que é bem mais apropriado, afinal, foi disso que a temporada se tratou:  mostrar o progresso e a série de acontecimentos que levaram um golpista sem rumo a se tornar um advogado fracassado e este a se tornar o advogado famoso e canastrão que nos foi previamente apresentado. E intercalando flashbacks com o foco na vida de Jimmy, e a vida Jimmy com as nossas lembranças de Saul Goodman, Better Call Saul nos apresentou um interessante paralelo entre sucesso e fracasso, talento e oportunismo, através dos conflitos e dilemas do personagem central.

Nesse episódio final, presenciamos o encontro das três facetas do nosso protagonista. O Jimmy advogado de idosos visita sua antiga vida, a qual ganhava aplicando golpes em pessoas não tão espertas quanto ele, o que podemos definir como uma experiência de vida que ele conseguiu inserir em seu trabalho com o Direito. Ele pode ter abandonado a vida de golpista, mas a vida de golpista nunca o abandonou. É o que ele sabe fazer de melhor, e podemos concluir que o que impediu que ele ascendesse mais e mais cedo dentro da profissão escolhida, foi sua consciência e uma espécie de bondade e ilusão quase infantis, tanto por acreditar que ele poderia vencer na vida por méritos próprios, quanto por acreditar que é possível conquistar o sucesso que ele almejava sem sucumbir um pouco à sua inerente esperteza, a qual ele evitava, talvez, por querer livrar-se completamente do seu passado desonesto. Tudo isso o levou àquelas decisões com um misto de oportunismo e vislumbre de sucesso, barradas por um ímpeto de honestidade, que por tantas vezes observamos no decorrer dessa primeira temporada. Se a série fosse um desenho animado, Jimmy andaria o tempo inteiro com um anjinho e um diabinho nos ombros.

Analisadas as facetas Jimmy golpista e Jimmy advogado e somando-as à série de decepções, arrependimentos, fracassos e derrotas que o personagem vivenciou ao longos desses dez episódios, fica fácil entender como e por quê ele se livrou dos princípios que impediam que sua esperteza o encaminhasse para o sucesso e se tornou Saul Goodman. A vida de Jimmy, nesse primeira temporada, foi uma devastadora sequência de altos e baixos, sendo cada breve subida uma queda ainda mais funda. Quando a gente se acomoda e aceita uma vida mediana, ela se torna até suportável, mas exista um limite de vezes em que podemos alimentar nossas esperanças para que ela seja tão abruptamente arrancada de nós. Foi isso que aconteceu com Jimmy, a cada vez que ele se rendeu aos impulsos e saboreou uma pequena vitória, que tão imediatamente se configurou em uma derrota mais expressiva. O dinheiro de Betsy e Craig que sua consideração por Kim o impediu de usar para começar a firma, sua breve e inútil fama de herói, seu decepcionante trabalho com os idosos…

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Jimmy já estava no limite quando descobriu a traição de Chuck, cujo efeito sobre ele ficou evidente na cena do bingo, e presenciou o falecimento de seu amigo Marco. Talvez rever o amigo e lembrar-se da antiga parceria dos dois e da “camaradagem” que nunca deixou de existir entre eles, contrastando com as recentes desilusões de Jimmy com o irmão e a advocacia, além da decepção de Marco com a vida que Jimmy estava levando (“It’s like watching Miles Davis give up the trumpet!”) e, finalmente, a súbita morte desse amigo, foi o empurrão que faltava para ele decidir que iria usar todos os seus recursos e passar por cima de qualquer senso de certo ou errado para conquistar o sucesso que tanto estava lhe custando alcançar. Nesse ponto saiu James McGill e entrou Saul Goodman. E é com essa terceira faceta que iniciaremos a tão promissora segunda temporada que tende a seguir os passos da série que originou essa e se sobressair à primeira que, podemos afirmar, foi excelente.

I know what stopped me. And you know what? It’s never stopping me again.

Equipe Mix

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    Teresinha Guerreiro 3 junho, 2015 at 14:52 Responder

    Boa tarde . Vc sabe qual é a musica que o personagem Marco cantarola enquanto espera o Saul no beco para aplicarem o golpe antes de morrer ?

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