Beyond é a prova de que a Freeform tem potencial para ser melhor que a CW

Imagem: Freeform

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Esses dias me peguei avaliando o que as emissoras estavam preparando para suas grades de programação neste começo de 2017. Ao assistir o trailer de Beyond, logo pense, “OK, mais uma série da CW!“, e não é que me espanto ao descobrir que, na verdade, ela é da Freeform – antiga ABC Family?

Ao assistir ao piloto, definitivamente, é este o sentimento que você tira da produção. Uma tentativa do canal de se tornar a nova CW. Um sopro de concorrência para este público, e uma tentativa de voltar com a rixa entre as emissoras – e seus respectivos fandoms, no maior estilo que a WB e a UPN faziam na década de 1990. O final dessa história, a gente já sabe – os canais acabaram se fundindo.

Beyond é aquela típica série de adolescente, que usa o apelo de atores com boas aparências para chamar atenção do público – uma vez que sua história parece um tanto batida: rapaz, que mora numa pacata cidade e está indo para o Ensino Médio, se envolve em uma briga de rua, até que encontra uma luz misteriosa e, então, passa 12 anos em coma – até acordar e descobrir que o mundo que ele deixou já não é mais o mesmo. Além disso, ele se depara com poderes, além de toda uma trama conspiratória por de trás desse seu “blackout”. Clichê não é? Pois bem, eu vim preparado para massacrar a série, aquele show que peguei para assistir já pronto para destrinchar todos os defeitinhos. Mas, após assistir, não é que você fica com uma sensação de “É, acho que verei o segundo!“?. De alguma forma, ela te fisga.

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Não que o roteiro seja o dos melhores – longe disso -, mas talvez por utilizar elementos que deram certo em diversos outros shows, Beyond acaba ganhando pontos, mesmo que não inovando. A atmosfera Stranger Things no começo do episódio é um grande acerto, e a condução da narrativa no maior estilo Roswell serve para cativar um público mais velho. Para os mais jovens, além da beleza do elenco, encabeçado por Callan McAuliffe, temos casais para shippar e uma ótima trilha sonora, que casa bem com a fotografia que a série utiliza (muito boa, por sinal!).

Beyond não irá agradar a todos, principalmente por conta dos resquícios e vícios das produções anteriores de seus responsáveis, o criador Adam Nussdorf (Once Upon a Time in Wonderland) e o produtor Tim Kring (Heroes), mas apresenta qualidade e cuidado na produção, coisa que muitas vezes a sua principal rival CW deixa passar. Além disso, é um vislumbre da linha que a Freeform pretende seguir – com a estreia de Riverdale cada vez mais próxima e, talvez, uma possibilidade de mostrar que as séries adolescentes de hoje em dia podem ser boas. Basta ter o empenho de realizar uma boa produção.

Com a segunda temporada já garantida, Beyond é um bom passatempo para a mid-season. Os 10 episódios do ano 01 já foram disponibilizados pela emissora, que também inovou ao apostar na plataforma digital como forma de divulgar seu trabalho. Nada mal para quem já tinha como certa uma crítica negativa, não é mesmo? Dona CW, vamos acordar que a concorrência está aí, e ela está vindo com tudo!

Anderson Narciso

Anderson Narciso

Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.

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