Billions – 1×02 – Naming Rights

Imagem: Banco de Séries

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Billions não é um procedural, mas é feito da maneira correta, respeitosa, instigante e tensa como um verdadeiro procedural deveria ser feito atualmente. Naming Rights” traz tudo de bom que o piloto apresentou e multiplica isso para melhor, seja no quesito direção, atuação ou roteiro. Quando eu falo que Billions é um “procedural feito da maneira correta” é por que ele consegue desenvolver várias sub-tramas e desenvolvê-las para a história principal sem que ela seja algo descartável ou sequer desnecessária – embora elas sejam tantas que acabam se tornando maçantes.

A primeira coisa que nos fascina em Billions sem sombra de dúvida alguma são os seus personagens muito bem diversificados e construídos. Axelrod tem sua primeira aparição sendo vestido por seus companheiros de empresa e falando: “Who is more low-key than me?” enquanto caminha em direção a um helicóptero que o levará direto para uma arrecadação de fundos lotada de homens ricos e poderosos, enquanto a cena seguinte é Chuck Rhoades e seu braço direito, Bryan Connerty (Toby Leonard Moore), comendo noodles no escritório e discutindo sobre culinária asiática.

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Essa brincadeira que Billions faz, durante todo o episódio, com troca de cenas envolvendo momentos destoantes entre os personagens é um dos pontos que mais me chamou a atenção durante esses 54 minutos de episódio. É impressionante que, apenas nesses minutos, o seriado conseguiu estabilizar perfeitamente como os personagens são, e o mais importante: o que eles são. Outro belo exemplo é a importância dada não só as mulheres de ambos, mas como em todas as personagens femininas que também são fortes, poderosas e possuem grande destaque e importância em seus devidos núcleos.

O episódio todo me lembrou uma mistura muito bem equilibrada entre o filme O Lobo de Wall Street e o seriado House Of Cards. Em alguns momentos a semelhança com HoC é um tanto quanto duvidosa para a qualidade do seriado. O episódio foca em Chuck e Axe lidando com Steve Birch (que me lembra Bob Birch de HoC) que teve todos os seus esquemas revelados ao jornalista Michael “Mike” Dimonda (Sam Gilroy) por Axe (algo que me remete instantaneamente a Underwood/Zoe) no piloto, com a intenção de desviar o foco que estava sobre si. E de fato ele conseguiu, agora o foco todo foi para Birch e cabe á Chuck capturar, interrogar e prender Birch.

Chuck pode se comparar à Rust Cohle – Matthew McConaughey em True Detective – no quesito expressividade. É nítido no olhar do personagem a situação na qual ele se encontra, o que ele está sentindo e quais são os pensamentos que passam por sua cabeça; seja quando a raiva possui seus olhos durante a conversa com o jornalista Mike, a frustração em conversar com um “antigo cliente” ou a dúvida que paira em sua cabeça se ele deve ou não prender Steve Birch no meio de uma comemoração de sua equipe que está feliz por ter a chance de prender Birch e garantir a sua 82° vitória contra nenhuma derrota. Para mim, o melhor momento de Chuck se deve a cena na qual ele e Wendy estão caminhando na direção de casa à noite e Chuck desabafa, falando que gostaria de ser mais humano, mas que não sabe e não consegue se tornar tal e mesclar isso com o seu trabalho, que de fato é algo estressante.

Tirando o foco desses personagens, eu gostaria de por todo o foco para o braço direto de Axe: Mike “Wags” Wagner (David Costabile), o homem com as melhores analogias e falas do seriado. Tudo no escritório de Axe é branco, limpo e brilhante, menos a boca de Wags que consegue transferir para a equipe toda uma mistura de tensão, humor negro, apoio e crítica. É durante a sequência da reunião que o seriado mostra mais uma vez a que veio. Axe consegue delegar muito bem o que está acontecendo, ele sabe como as coisas funcionam e critica quem merece ser criticado e apoia quem merece apoio. E se o piloto teve a já célebre frase do “fuck your money”, Naming Rights tem Wags dando o melhor conselho para a equipe: “We have to be more pure than the Virgin Mary before her first period” logo depois deles terem passado por uma situação teste de confidencialidade. Essa cena mostra o quão disposto Axelrod está para conseguir o que quer e também para ver o quão dispostos estão os seus funcionários. Axelrod é direto e não exita em nenhum momento em testar a confiança e o comportamento de todos os seus empregados durante uma espécie de treinamento caso aconteça uma invasão feita pelo FBI ou S&E em busca de informações sigilosas. Essa sequência é uma das minhas favoritas por que podemos ver pelas expressões, manias e olhares dos funcionários de Axelrod que, embora eles estejam dispostos a proteger a si mesmos (e a seus superiores) e estejam calmos, ainda existe um certo nervosismo escondido em suas piadinhas. Axe quer um negócio limpo, e é a ilegalidade que o faz demitir um longínquo funcionário na frente de toda a equipe.

Mostrando uma bela matemática de Axe envolvendo número e letras: 25 – Vingança = 9, enquanto usa uma bela camisa do Metallica em uma sala de reuniões e dando o seu nome para um prédio há muito almejado, Naming Rights é um episódio extremamente superior ao seu antecessor e que define Billions como a melhor, ou senão uma das melhores estreias da Mid Season 2016 até o momento. Suas qualidade são altas, e realmente acho que esses 12 episódios que Billions nos trará serão entregues de maneiras sábias e nada cansativas já que o seriado consegue nos trazer personagens e histórias variadas que possuem mais foco, mas que conseguem se mesclar de uma maneira muito boa com a história principal.

O que me deixou um tanto frustrado era que eu estava com um certo hype para ver como seria o mundo de Wall Street levado ao extremo com direito a conversas rápidas e gritarias em meio a números sendo jogados na tela e com o desespero e nervosismo que esse mundo trás. Mas Billions apresenta uma proposta diferente devido ao próprio Axelrod, que agora não precisa trabalhar mais com isso por ser realmente um Bilionário. Porém, os momentos em que ele fala para determinados personagens o que eles devem fazer são realmente algo que me agradam e que são muito bem orquestrados. São neles que vemos a capacidade de Axe trabalhar

Uma das coisas que mais me indago sobre o seriado é: Como que será o embate em Chuck e Axe? Isso eu ainda não sei, mas eu tenho a sensação de que serão poucos e que em cada encontro que eles tiverem serão extremamente voláteis, expressivos e ameaçadores. Outra pergunta é: Como que será a relação desses personagens?Será que eles vão ser corrosivos um com o outro? Será que um será capaz de matar o outro? Bom, o meu palpite é que sim. Talvez talvez seja como o próprio Axelrod fala: “It’s like Highlander: There can be only one”.

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Equipe Mix

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