Billions – 1×04 – Short Squeeze

Billions - 1x04 - Short Squeeze
Imagem: Inverse

 

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“De braços dados com todos os sociopatas inofensivos” É com essa frase da música “Oh No” (de Andrew Bird) que Billions abre e fecha seu episódio e rotula todos os seus personagens.

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“Short Squeeze” nos entrega um roteiro ao mesmo tempo sério e descontraído, com um bom balanço entre os dois. O episódio tinha tudo para ser confuso, complicado e maçante, mas conseguiu desviar desse caminho misturando todas as informações e acontecimentos que queria com um roteiro que conseguiu levá-lo com uma leveza antes não vista no seriado. O roteiro simplesmente fluiu, assim como as cenas, graças a excelente direção e aos excelentes diálogos. Entretanto, mesmo esta combinação sendo uma coisa excelente, o uso excessivo deste combo mostra que essa fórmula de Billions pode não funcionar por muito mais tempo se a série continuar a usar unicamente estes recursos.

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Enquanto Chuck passa o dia investigando Axe – e sua maneira de coordenar a sua companhia e seus funcionários – numa profunda e cansativa interrogação à Pete Decker, Axe passa o seu dia fazendo uma viagem com seus amigos de infância até o Quebec, Canadá para assistir a sua banda favorita: Metallica. É aí que percebemos o quão maçante será Billions e se realmente merece darmos continuidade. A parte de investigação de Chuck é longa e cansativa para o espectador. A investigação não sofre nenhuma mudança que cause um impacto, enquanto as cenas de Axe são as melhores do episódio inteiro. Se a série não tiver a capacidade de inovar seu roteiro, ela pode se perder em sua própria repetição monótona.

Desde o episódio passado Billions vem trazendo uma trilha sonora adequada ao seu roteiro e ao seu universo, o que faz com que nós tenhamos uma ideia centrada do que o seriado quer nos passar. Porém, a participação especial do Metallica durante o episódio mostra não apenas uma quebra nesse paradigma, criando uma analogia com as músicas “Harvester of Sorrow” e “Master Of Puppets“, mas também nos traz um lado (até o momento) inexplorado de Axelrod, e que infelizmente continuou inexplorado – com a exceção de apenas uma cena que demonstrou a relação de Axe com sua mulher.

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Axe e seus amigos são convidados pelo Metallica para visitarem o palco antes do show começar. Enquanto seus amigos vão em direção as bebidas (e em seguida, as mulheres), Axe apenas vai até as bebidas, desviando das mulheres. Porém, uma mulher se aproxima e ela demonstra atração e empatia por Axé, além de ter uma ligação tão forte quanto ele tem com o Metallica. Nas cenas em que essa mulher está presente, percebemos no olhar e na fala de Axe o quanto ele é leal à sua esposa. Em determinado momento, nós temos certeza de que ele abrirá um novo relacionamento com essa garota que nem sequer conhece, mas quando o clímax chega, ele fala que é comprometido e que é leal à sua esposa. Isso mostra um lado humano de Axe que não está ligado apenas à finanças e a bolsa, algo que eu sinceramente espero que seja mais explorado nos próximos episódios ou que tenha apenas um episódio especial para isso, pois até agora Chuck e Axe vem dividindo a tela e as suas personalidades estagnadas não possuem uma mudança e não nos entregam nada em definitivo que nos agrade.

Durante a investigação de Chuck com Pete Decker, o mesmo ficou entregando relatos a Chuck de como é ser Bobby Axelrod. Foi um grande resumo de como Axe realmente é, mas foi a cena mais desnecessária do seriado até agora. Para os espectadores, essa cena não agregou em nada o backstory de Axe, pois o que sabemos sobre ele vem sendo construída desde o episódio piloto, e as informações sobre quem era e quem é Bobby Axelrod estão praticamente completas. Essa cena não foi o resumo de alguém que conhecia Axe pessoalmente e que sabe quem ele é e do que ele é e não é capaz, muito pelo contrário, foi um resumo do que nos foi entregue até aqui.

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Pela primeira vez o seriado nos entrega o que vai acontecer através de jogadas de câmeras clichês e desnecessárias que trouxeram ao episódio uma divergência de sua inteligência e de direção: Um dos amigos de Axe começa a receber closes em momentos chaves envolvendo diálogos e cenas importantes sobre negociações de extrema importância que envolvem Axe e suas próprias ações, closes que mostram o interesse em algo, o que, obviamente, levanta suspeitas sobre o seu comprometimento com Axe e sobre os seus planos. Esses closes poderiam ser apagados do episódios e serem substituídos por apenas uma cena presente nesse episódio, que é a cena na qual eles estão no avião indo para o Quebec e Axe recebe uma ligação. Os diálogos demonstram tudo e ao fundo nós vemos os três amigos. Dois deles estão muito alheios, menos um, que está prestando atenção em tudo e olhando diretamente para Axe. Se essa fosse a única cena que sugerisse o plot para que depois tivéssemos a reação no final, aí sim teria sido genial por parte da direção.

Eu esperava que “Short Squeeze” trouxesse mais do mesmo, e ele trouxe. É claro, o episódio também desconstruiu tudo o que vinha sendo estabilizado nos episódios passados, abrindo caminho para uma história que pode variar entre ser intensa e ser chata. Apenas a decisão de como utilizar os personagens não é suficiente para mudar esse fator, mas sim querer mudar a forma do roteiro que vem se transformando em algo maçante de se assistir. Embora haja uma evolução à cada episódio, a fórmula dá série está se desgastando rapidamente devido ao seu tempo de duração e a pouca exploração dos personagens. Se Billions nos entregar mais episódios como Short Squeeze”, tenho certeza que sua qualidade só sofrera elevações em todos os seus aspectos, pois possuir apenas um roteiro centrado no caso que Chuck quer montar contra Axe e nada mais. Está na hora de mudar isso.