Billions – 1×05 – The Good Life

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Imagem: EW

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Trazendo um episódio que mescla a agilidade e a voracidade de um roteiro e direção que trabalham em conjunto para trazer-nos cenas rápidas e informativas, Billions ao mesmo tempo apresenta em The Good Life um episódio relativamente calmo e reflexivo para ambos personagens e espectadores.

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Novamente a série traz um episódio que junta em uma boa dosagem a personalidade de seus personagens com uma história em desenvolvimento – arrastado, mas ainda assim em desenvolvimento. A crise de meia idade não precisa apenas acontecer aos 50 anos, afinal não sabemos quando iremos morrer, e a meia idade pode estar sendo marcada nesse exato segundo. Bob Axelrod tem 45 anos, é um dos bilionários mais cativantes de Nova Iorque, nunca deixou os exageros dessa vida transgredirem sobre a sua humildade e o seu raciocínio eloquente e ágil, porém passar um tempo ao lado de sua família vem se tornando cada vez mais minúsculo, devido ao seu tortuoso trabalho. O episódio foca em Axe tirando um dia de folga e em Chuck agindo da forma mais rápida possível para por a Axe Capital em seu bolso, porém, sempre há algo a mais que balança a divisão entre ambas as partes.

Durante o show do Metallica no episódio passado, Axe decidiu dedicar-se mais a si mesmo e a sua família, criando a partir de si mesmo um tempo livre, uma folga de sua própria empresa, mandando seus empregados pararem de comprar e vender qualquer tipo de ação. Essas ações inesperadas, porém, muito bem idealizadas e executadas, são o grande charme do personagem. Sua tranquilidade e relaxamento perante momentos de tensão e apreensão levam a ele momentos de euforia cerebral devido a sua inteligência absurda em gerir seu próprios negócios. Tantos anos envolto nesse trabalho garantiram a agilidade de pensar todas as estratégias, ouvir todos os sons e ver todos os lados, sua capacidade de conseguir transmitir aos seus funcionários e a nós, espectadores, as suas ideias são um de seus pontos mais fortes, por que ou elas parecem fracas e tornam-se sensatas e influentes, ou por que elas conseguem, direta ou indiretamente, tocar em planos de outras pessoas e causar uma verdadeira quebra de paradigmas.

Ir ao show do Metallica, comprar um barco, planejar uma viagem em família, assistir Cidadão Kane em seu cinema particular e transar dentro da piscina e em seu próprio jardim são acontecimentos transmitidos de maneiras ágeis que não desapontam nem a nós e nem ao personagem. Embora Axe saiba que está a mercê de Chuck, ele se vê muito longe de uma prisão, ou de algo parecido. Sua segurança é um prato cheio para os seu métodos assim como os seus métodos são um prato cheio para Chuck, que definitivamente, está se aproximando.

Atirando para todos os lados, conseguindo mais informantes, informações e apoio a todo tempo que passa, Chuck considera-se em uma posição agradável, mas ainda enfrenta aborrecimentos pessoais e profissionais que podem acabar trazendo problemas maiores e mais desagradáveis. Embora o sentimento crescente de uma vitória que ele mesmo considera eminente e de sua capacidade de causar um espanto em todos os seus adversários, Chuck é um personagem que consegue nos cativar por conta de sua personalidade explosiva e nenhum pouco esperada de um homem em tal posição.

Billions já caracterizou-se logo em seu segundo episódio, não houve nenhuma mudança que não fosse um pouco da velocidade com que a trama se desenvolve, e isso não é ruim, é bom, porém, a série precisa agilizar-se em seu andamento e mudar alguns argumentos a tempo de sua season finale. Com uma segunda temporada já garantida, Billions necessita de uma mudança em sua trama que não envolva o que está nos propondo até o momento. The Good Life é o quinto episódio, cinco desses cinco episódios focaram-se em Chuck e Axe, e isso é decepcionante. Literalmente, todos os personagens são cativantes e interessantes, explorá-los seria um grande adendo a série. Parece que haverá uma profundidade maior em Wendy e em sua história passada que não será focada em como ela tornou-se uma psiquiatra, mas sim uma “dominatrix”, assim como teremos um possível romance entre Bryan e Kate (Condola Rashad), mas ainda assim são posicionamentos escassos e nenhum pouco evidentes. Seu ritmo depois desses episódios torna-se maçante e não impacta como impactou os três primeiros, e ela deve se atentar a isso.

Apesar dos pesares, Billions não consegue tornar-se menos do que impressionante. A série realmente decidiu traçar um caminho difícil a partir do momento em que quis extrapolar as outras séries e trazendo não um igualamento, mas sim uma semelhança imensa com House Of Cards, e isso funcionou e ainda funciona, e provavelmente sempre funcionará.

The Good Life pode ser até o momento o episódio mais fraco que foi, salvo por alguns poucos diálogos e um cliffhanger instigante, mais ainda assim conseguiu estabelecer-se e traçar um possível – e almejado – embate entre Axe e Chuck que só tem a elevar a qualidade da série.

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