Black Mirror – 3×01 – Nosedive

Imagem: The Independent

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Black Mirror voltou com a sua terceira temporada e não diferente das temporadas anteriores, chegou lacrando! Criticando nossos valores sociais e comportamentais, ela continua primorosa e é imperdoável não dedicá-la a devida atenção.

“Nosedive”, o primeiro episódio, apesar do grande impacto que causa é de uma graciosidade impressionante. Ele nos apresenta Lacie, interpretada por Bryce Dallas Howard (ela não perdeu o salto alto e quase não sujou a roupa branca em Jurassic World), que vive em um pseudomundo, onde os valores pessoais são medidos por notas em avaliações. Uma sátira sobre identidade social no mundo atual onde as redes sociais ganham cada vez mais espaço.

Como sempre, Black Mirror dá um verdadeiro soco no estômago em cada episódio, e ali nas imagens prospectando você muitas vezes se reconhece, cada vez mais vivendo em um mundo onde estar num momento especial é sinônimo de compartilhamentos, curtidas, comentários e seguidores nas redes sociais.

E muito pior do que compartilhar algo especial com alguém do outro lado do espelho negro, é você fazer isso para alimentar seu ego, massageá-lo quando compartilha seu gato fofo fazendo graça, para que todos comentem o quanto ele realmente é fofo. É esperar que seu status esteja em alta ao fazer check-in em rede social num hotel de luxo, numa praia badalada, para que todos façam o que?! Lhe invejem, vejam o quanto você é bem sucedido e feliz, mesmo que ao desligar o smartphone se sinta um lixo, sozinho e com contas para pagar, mas ali sozinho ninguém te vê, não é mesmo?

Felicidade no mundo atual ou num futuro distópico de Black Mirror é expor cada vez mais momentos só para que se criem expectativas irreais. Viver é mais que isso, é tirar a máscara, a venda por um instante e falar o que realmente pensamos, conversarmos quem gostamos e dizermos verdades necessárias, porque necessitamos ser mais vivos.

Como em How I met Your Mother (7×06 – “Mistery vs. History”), em que Teddy veta seus amigos, Robin e Barney de stalkearem a garota com quem iria sair, para que ele simplesmente fosse espontâneo e não direcionasse o encontro para o que analisou em uma rede social, precisamos dar um tempo, um tempo para sermos nós mesmos, não digo que abandonem a tecnologia, porque ela é maravilhosa e nos ajuda muito, mas não deixe que Black Mirror preveja o futuro, e nos transformemos em mesquinhos bitolados. Que tenhamos prazer em sentir por um instante, sentir… mesmo que seja raiva!

Foi incrível poder refletir sobre tudo novamente, após levar o “soquinho Black Mirror“. Seamus Mcgarvey fez um trabalho lindo com a fotografia, aquele visual candy color encanta, sutilmente faz lembrar de Her, onde o visual não te diz realmente em que momento estamos, passado, presente ou futuro. E que talvez tudo o que foi abordado já tenha acontecido, de uma outra forma, mas acontecido.

E continuamos aí, cada vez mais apaixonados por essa série maravilhosa!

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