Black Mirror – 3×03 – Shut Up and Dance

Imagem: Apaixonados por séries

Imagem: Apaixonados por séries

 

Se faltou crítica social em “Playtest” sobrou em “Shut Up and Dance”. O terceiro episódio, diferente de outros em Black Mirror, não possui um cenário futurista e nos atinge fortemente porque parece ainda mais real e atual.

Acompanhamos Kenny (Alex Lawther), um garoto aparentemente comum, levando uma vida comum. Vai para seu emprego, é gentil, em casa tem uma irmã que o enche a paciência, mas com quem tem um bom relacionamento, uma mãe presente, e aí aquele sentimento de terror Black Mirror começa a brotar em você. O que será que vai acontecer?!

Continua após a publicidade

A irmã de Kenny, que em nossas vidas pode representar nossos pais, ou aquele tio que não tem familiaridade com a tecnologia, acaba infectando com um vírus o computador de Kenny. Este, em numa tentativa frustrada, tenta resolver a situação com um antivírus. Aqui já sabemos que alguém o hackeou. Ele agora está sendo vigiado através da webcam, e Kenny, meu caro, deu ruim! Ele leva a sua vida normalmente e acaba sendo gravado em um momento infeliz, se masturbando.

As ameaças começam logo, algo parecido com o que vimos também em Mr. Robot, quando Angela é filmada. Alex Lawther faz um ótimo trabalho. Kenny se vê numa situação muito complicada totalmente desesperado, onde não pode contar nada a ninguém. Uma série de “missões” são dadas a ele, sendo sempre monitorado através de seu celular, e caso não cumpra alguma delas, será exposto na sociedade. Nesse ponto, eu fico muito sensibilizada com o garoto, o desespero é aparente e também se torna o meu, querendo que aquilo acabe bem, afinal, é apenas um garoto que se masturbou, meu Deus! Algo começa a me alertar que tem muita similaridade com o 2×02, “White Bear”. O tempo inteiro sob uma tensão brilhantemente colocada, você tenta decifrar o enredo.

No desenrolar da trama, vemos que Kenny não está sozinho nessa e outras pessoas também foram pegas em alguma situação embaraçosa, todas agindo feito marionetes. Quando Kenny recebe a missão de levar um bolo até um quarto de hotel, conhece Hector (o Bronn de Game of Thrones, e , sempre amando uma prostituta), com quem precisa trabalhar para que a vida de ambos não desmorone perante a sociedade.

E aí, eu penso “É uma cilada Kenny, Hector está te manipulando, ele é quem está por trás de tudo”. Errei! Os dois são instruídos a dirigirem até um banco e assaltá-lo. Com uma decisão a tomar, um será o motorista de fuga e o outro o ladrão.

Uma cena que me chamou muita atenção foi quando Kenny e Hector estão no carro falando a respeito das situações embaraçosas em que foram pegos e discutindo como isso abalaria suas vidas. Hector diz à Kenny: “Eu me enforcaria se fosse você, garoto”. Isso me tocou muito, talvez pelo acontecimento recente do garoto se enforcando, após uma partida de jogo virtual, mas também porque é isso mesmo que vemos, informações, momentos íntimos, vidas sendo expostas ao ridículo e “julgadas” por uma sociedade hipócrita, que se sente ofendida com uma possível vigilância do governo, mas não exita em compartilhar o vídeo da Fabíola no motel. Triste!

Naturalmente, nosso “querido” Kenny é quem se torna o ladrão, como se já não bastasse todo o desespero até então. Acontece a cena do assalto ao banco, friso de novo a bela atuação de Alex. Kenny faz xixi nas calças de tanto medo e terror da situação, segurando e apontando uma arma para a caixa. Belíssima cena, para os que roem as unhas, protejam-nas!

Eles conseguem fugir, mas Kenny, sob instrução e ameaças, terá que levar o dinheiro do assalto sozinho em outro ponto. E aí eu já começo a me despedir do garoto, porque, para os enredos clichês que estamos acostumados, ele seria usado, descartado e morto. Pobre garoto. Chegando no ponto de entrega, Kenny se depara com outra “vítima” do hacker e precisam lutar até a morte. Isso mesmo, só vai sobrar um, após a luta bárbara. E doentemente, a luta está sendo assistida pela pessoa que está mandando as mensagens e coordenando as tarefas.

Kenny vence a luta, mas estamos falando de Black Mirror, não acabou bem para ninguém, todas as “vítimas” sem exceção mostradas no episódio tiveram as situações expostas e suas vidas destruídas. Traição, racismo, pedofilia, talvez uma zoofilia, não consegui entender muito bem o cara da moto. Todas as situações vindo a tona e você com o queixo caindo. E a semelhança com “White Bear” se prova ainda mais palpável. O garoto Kenny por quem sentimos pena todo o tempo, não estava se masturbando apenas, estava se masturbando com pornografia infantil. , Kenny, assim não tem como te defender?! A cena do começo do episódio, Kenny sendo gentil e entregando o brinquedo para a criança, fez todo o sentido!

Não teve pedaço de carne em taco de beisebol, mas revirou mais o meu estômago. Somos a sociedade que apoia a justiça com as próprias mãos?! Que condena com seus próprios meios?! Tudo isso que te acomete após cada episódio é que é tão valioso. Black Mirror sendo Black Mirror.

Elliot (Mr. Robot), era você mandando as mensagens?!

Efeitos colaterais “Shut Up and Dance”: Você pode ficar atônito uns 10 minutos em frente à TV após o fim do episódio.

Lição e alerta: Sempre bom colocar uma fita crepe na webcam.

Avatar

2 comments

Add yours
  1. Avatar
    Wellington Torres 15 janeiro, 2017 at 18:27 Responder

    Michelle, acredite, eu coloquei uma fita na minha webcam… kkk… Nem só por Black Mirror, mas por Shooter também usar essa estratégia. Esse episódio me deixou em choque monstro…

Post a new comment