Black Mirror – 3×05 – Men Against Fire

Imagem: Mother Board

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Um excelente estudo social feito por Charlie Brooker. O quinto episódio desta terceira temporada, “Men Against Fire”, traz a temática da guerra, com um grupo de soldados lutando contra uma praga tratada desde o começo da série como “baratas”; um grupo de pessoas de aparência monstruosa com problemas genéticos que devem ser exterminadas para evitar que a doença se espalhe.
Os soldados dispõem de alta tecnologia implantada em seus corpos, que facilita a comunicação e as estratégias de ataque. Koinange, apelidado de Stripe por seus colegas (Malachi Kirby), é um desses soldados e sai em sua primeira caçada com sua equipe. Ele consegue matar duas “baratas” mas é afetado por um dispositivo que emite luz verde e uma frequência sonora. Algo muito parecido com o que o povo de Mount Weather usa para controlar os ceifadores em The 100. Ouso dizer que ouvi o mesmo som.
Após voltar de sua caçada e não se sentir bem, Stripe é examinado por um médico que não identifica nenhum problema. Como era de se esperar, o dispositivo danificou sim o implante de Stripe e ele sofre um efeito colateral onde passa a enxergar as “baratas” como elas realmente são, humanos. Humanos que não aparentam nenhuma ameaça, onde a única coisa que os torna “baratas” prontas para serem exterminadas são problemas genéticos que carregam.
Destaque para Arquette (Michael Kelly), um psiquiatra do exército que serve como mestre revelador da narrativa. O implante nos soldados é a doutrinação exercida sobre eles a fim de criar motivação para a guerra, lavagem cerebral, matarem “baratas” como bicho papão sem exitar. Podemos enxergar algo parecido nos dias de hoje. No dia a dia, nos vendem a ideia de nações inimigas, fazem nossa cabeça de quem é o mal e como devemos odiá-los, mas não temos uma ideia realmente clara do que se trata, de quem é o inimigo de quem e se é meu inimigo. Somos civis, mas sofremos isso, afinal, quem pratica xenofobia, homofobia, racismo, machismo é a sociedade. No fim, o que nos falta é uma arma.
A maneira como a ideia se desenrola não é exatamente marcante e bastante previsível. Sem muitos esforços consegui identificar logo que havia algo de errado com a maneira que estavam exterminando as “baratas”. Mas o que é extremamente valioso nessa serie, e que já falei em várias outras oportunidades, é como ela te faz pensar a cada episódio. “Men Against Fire” traz a guerra como temática e eu perco as contas de fatos que vieram a tona para mim assistindo ele. Não tem como não enxergar as referências ao holocausto, judeus sendo exterminados como “baratas” pelo nazismo, com a ideia de limpar o mundo de impuros; A Guerra Fria; E por que não mencionar a Guerra na Síria?! Resultando na imigração para outros países. Mostra a ideia de como as Forças Armadas enxergam os imigrantes como uma ameaça ao país. E as pessoas acabaram se acostumando a odiá-los por acharem que tomaram o  seu “espaço”. Como o pessoal da vila que odeiam as “baratas” e os acusam de roubarem a comida deles.
“Men Agains Fire” é uma excelente crítica à opressão, ao ódio, à manipulação da sociedade, às questões políticas, à lavagem cerebral e aos humanos com a ajuda da tecnologia sendo desumanos. Black Mirror realmente não é pra qualquer um. Esse é o penúltimo episódio da temporada e já estou triste com isso.
Obs.: Tivemos o prazer de ouvir mais uma vez a canção “Anyone who knows What love is”, que já esteve presente em outros episódios. E fiquei ainda mais curiosa com ela.
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