Black Mirror – 3×06 – Hated In the Nation [SEASON FINALE]

Imagem: Vox

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“Graças à revolução tecnológica temos o poder de nos revoltarmos e de acusarmos, disseminando ódio sem consequências.”

 

E chegamos a mais uma season finale de Black Mirror. E o que é assistir a essa série monumental e não ficar em limbo a cada narrativa? O último episódio da temporada, com uma hora e meia, acompanha a Detetive Karin Parker (Kelly McDonald) e sua sombra, a detetive estagiária Blue Colson (Faye Marsay), que atuou na Análise Forense Digital, mas, após sentir-se impotente, decidiu entrar em “campo” com a esperança de fazer parte de algo maior. Logo no inicio do episódio, em uma bela cena, conhecemos as lindas abelhinhas, IDA – Inseto Drone Autônomo, criadas após a extinção das abelhas. Um projeto de iniciativa privada apoiado pelo governo. A equipe da detetive Parker investiga homicídios de pessoas odiadas e populares nas redes sociais, como a colunista Jo Powers (Elizabeth Berrington), que passou a ser alvo da hashtag #DeathTo após escrever um artigo sobre a ativista de direitos de incapacidade, Gwen Marburry.

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Ao analisar a cena de crime de Jo Powers, a narrativa se torna um pouco previsível, não é difícil deduzir que as abelhas que eu achei fofas estejam por trás disso. A pista é o foco na janela entreaberta antes de Jo morrer, dando a entender que um inseto passaria por ali. E como é angustiante a forma com que a Detetive Parker ignora outras possibilidades e acredita que o marido seja o assassino. Isso força o enredo para que o espectador não pense em outras possibilidades. Não somos “burríneos”, baby. Mas a trama sofre muitas reviravoltas e é deveras interessante.

Após outra vitima ser assassinada da mesma forma misteriosa, a celebridade Tusk (Charles Babalola), morta em uma ressonância magnética (o que também é bem previsível), sabemos que se trata de fato das abelhas. Nos resta saber, quem e por que está usando-as para cometer assassinatos.

A equipe de Parker, com ajuda de Shaun Li (Benedict Wong) e de Rasmus Sjosberg (Jonas Karlsson, que lembra um pouco Beetle Juice com a camisa listrada), diretor do Projeto Granular, chega a Garret Scholes (Duncan Pow), ex funcionário da grande corporação responsável pelos drones, que motivado após experienciar sua amada quase tirar a vida depois de ser massacrada nas redes sociais, planeja tudo e hackeia os drones. Para completar, ele cria um jogo de consequências na Internet “Escolha a pessoa de quem menos gosta e acrescente a hashtag #Deathto. A pessoa mais popular morrerá ás 17h do dia”, criando uma espécie de inquérito público. Dessa forma, as abelhas hackeadas através de reconhecimento facial e informações vão atrás da pessoa mais “odiada” pelos internautas.

Cavando um buraco no cérebro, as abelhas entram na ínsula dorsal posterior, centro de dor do cérebro, causando uma agonia insuperável. A pessoa afetada faria de tudo para fazer a dor parar, até cortar o próprio pescoço. A ideia de usar os drones é bastante interessante no seu conceito, afinal, nada de digitais, nada de DNA, quase como desejar a morte e esta acontecer. Charlie Brooker, não dá ideia, meu caro, porque a galera é insana!

Realmente o episódio não precisaria ter uma hora e meia de duração. O desfecho se torna impactante pela crueldade quando descobrimos que o plano de Garret sempre foi uma lição de moral severa para aqueles que popularizaram as hashtags, jorrando ódio sem pudor. Aquele momento em que você acha que vai matar alguém sem dó nem piedade, mas acaba morto por consequência. O famoso feitiço contra o feiticeiro. Uma grande massa acaba morta por achar que o ódio lançado quando é nas redes sociais não tem valor. E a lição também é nossa, estamos presentes na internet com nossas marcas registradas a maior parte do tempo e temos a ideia de que isso não é grande, de que atitudes, manifestos, ódio, posição, só porque tomadas perante meios virtuais não tem poder. Quanta ingenuidade! Todos temos participação e todos temos parcela de culpa, quando cada vez mais nos vemos impotentes sem tecnologia.

Por ora nos despedimos dessa serie grandiosa, aguardando aqui com as mesmas atitudes até que outros episódios aconteçam e que outros “Charlies Brookers” apareçam tentando nos alertar da grande cilada em que estamos nos metendo.

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