Black Mirror 7ª temporada Episódio 2 – Bête Noire: Na sétima temporada de Black Mirror, o episódio “Bête Noire” chega como aquele sabor esquisito que, aos poucos, tenta te conquistar — assim como a bizarra criação de sua protagonista: uma barra de chocolate com geleia de miso.
A analogia não é por acaso. Aqui, o toque distópico dá lugar a um suspense com tintas cômicas e um toque sci-fi no final, em um dos episódios mais leves (e menos “Black Mirror”) do novo lote.
Chocolate, ambição e insegurança em Black Mirror 7ª temporada Episódio 2 – Bête Noire
Maria (Siena Kelly) é uma estrela em ascensão numa empresa de chocolates descolada. Brilhante no marketing e impiedosa no trato, ela acaba de emplacar a ideia mais esdrúxula e bem-sucedida da temporada: unir miso com chocolate amargo. Mas sua vida começa a derreter quando Verity (Rosy McEwen), uma antiga colega de escola, surge com carisma, currículo impecável e, o mais irritante, a simpatia de todos ao redor.
Desde o começo, Maria é tomada por um incômodo difícil de explicar — talvez pela memória de Verity como a “esquisita do laboratório de informática” ou talvez por algo mais profundo. E é essa tensão mal resolvida, repleta de micro agressões, recalques e pequenos jogos de poder, que guia a trama durante boa parte do episódio.
Da rivalidade corporativa ao sci-fi inesperado
Black Mirror 7ª temporada Episódio 2 – Bête Noire é mais thriller psicológico do que distopia tecnológica. O roteiro aposta em uma escalada de tensão crescente entre as duas mulheres, com direito a sabotagens sutis, confrontos passivo-agressivos e um clima de “quem vai quebrar primeiro”.
Tudo isso funciona como um episódio contido, até que, no último ato, a série decide apertar o botão do sci-fi — e é aí que os elementos mais tradicionais de Black Mirror finalmente aparecem.
Sem entregar todos os detalhes, digamos que a reviravolta envolve tecnologia de simulação e identidade, levantando questões sobre consciência, memórias e manipulação — embora de forma mais superficial do que se esperaria da série. É como se o episódio se lembrasse, de repente, que precisa estar à altura do seu nome e resolvesse dar uma guinada de última hora.


Uma pausa cômica entre episódios mais densos
Depois da intensidade e do impacto emocional de “Common People” (o episódio de estreia da temporada), “Bête Noire” vem como uma pausa — mais leve, quase satírica, mesmo quando flerta com temas sombrios. A direção é discreta, as atuações funcionam sem brilhantismo, e o roteiro é recheado de bons diálogos, ainda que não cause aquele impacto típico de episódios memoráveis da série, como “San Junipero” ou “White Bear”.
O maior dilema é que, apesar de entretido, Black Mirror 7ª temporada Episódio 2 – Bête Noire parece desconectado do restante da série. Poderia muito bem estar em uma antologia genérica de thrillers contemporâneos, como uma versão hipster de The Twilight Zone. Não é um problema em si — a série sempre explorou diferentes tons —, mas aqui a falta de identidade Black Mirror pesa um pouco.
Veredito: entretenimento leve com tempero amargo
Black Mirror 7ª temporada Episódio 2 – Bête Noire é um episódio competente, mas que dificilmente será lembrado como um dos grandes momentos da série. Funciona como um thriller ácido sobre rivalidade feminina no ambiente de trabalho, com um desfecho que tenta encaixar algum tipo de reflexão tecnológica. A receita é curiosa, como seu chocolate com miso, mas deixa um gosto um tanto insosso ao final.
No cardápio da sétima temporada, é aquele episódio que você consome sem arrependimento, mas que talvez não volte para repetir. E, sinceramente, nem todo chocolate precisa ser inesquecível — desde que ao menos provoque alguma reação.