Precisamos falar sobre… nossas vidas refletidas no “Black Mirror”

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Por Luana Lloyd

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Você senta em um sofá e aperta o play. A abertura dura segundos e quando você prende seus olhos na tela, vê letras embaralhadas que te confundem, se revelam e quebram. Então você enxerga a sua imagem em um reflexo negro que naquele momento não faz nenhum sentido, mas após assistir ao episódio você descobre sua essência deturpada e reprimida projetada naquele espelho. E isto é Black Mirror.

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A série inglesa antológica, escrita por Charlie Brooker, se baseia no atual mal-estar da sociedade contemporânea. Usando distopias, a série provoca nossas emoções mais bem guardadas. Divide opiniões. Divide as nossas próprias opiniões e convicções. Ao assisti-la, nos deparamos com questões morais de certo e errado e muitas vezes somos desmentidos por nosso próprio senso de justiça. Os mocinhos são assassinos. A comédia é um drama. A verdade é uma mentira muito bem contada.

Em Black Mirror não existem heróis, a crença que os humanos são altruístas é totalmente desconstruída e ações benevolentes são realizadas para apenas manter o status quo da própria imagem. O vilão perdura durante todos os episódios e é apenas um, a humanidade.

Constantemente somos questionados pelo egoísmo, crueldade e a cultura do entretenimento atual, onde o escritor é genial e hediondo, apresentando um “pão e circo” dos dias modernos tanto na prática jornalística quanto na produção de entretenimento, para torná-la atrativa para o consumo em massa, tornando tudo uma espetacularização de acontecimentos.

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…o futuro é agora.

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Os contextos tecnológicos mostrados não são de um futuro muito distante, tendo em vista que eles são na verdade apenas uma exacerbação do que já estamos vivendo e insistimos em não enxergar. Estamos em tempos onde os celulares permitem uma sensação de proximidade sem contiguidade física. As mídias sociais reproduzem resultados artificiais em formas de likes, comentários e compartilhamentos. O Homo consumens se encontra cada dia mais desesperado para curar sua solidão através de uma sequência de números binários que geram nada mais que relacionamentos de laços fracos e passageiros.

Durante os sete episódios apresentados, distinguimos críticas sobre o uso exacerbado das mídias sociais, a exposição da privacidade, a futilidade de pertences virtuais e, principalmente, ao esvaziamento dos indivíduos que tende a cada vez mais se ilhar no ilusório mundo digital, priorizando conexões frágeis e passageiras do que vínculos reais e duradouros.

Encontramo-nos, então, em um ciclo vicioso, presos em uma sociedade líquida que consegue invadir até as mínimas frestas, onde a possível escapatória é permanecer na ignorância, nos antigos costumes e no “velho mundo”, tornando-se então o ponto fora da curva. O único problema nesta tal sonhada fuga é que somos seres curiosos, necessitados de atenção e de pertença a algum meio. Porém, se esse meio está imerso em algo que queremos escapar, qual é a nossa chance?