Bloodline – 1×08 – Part 8

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Imagem: Arquivo pessoal

De uns episódios para cá, Bloodline encontra-se em estado letárgico. As coisas acontecem em ritmo lento e os roteiristas parecem preocupados apenas em desenvolver alguns personagens ao martelar informações repetidas. Novamente, a série mostra que John parece não conseguir odiar ou ficar bravo com Danny. Por mais problemas que o irmão mais velho traga à família e por mais erros que cometa, John, a bussola moral da família Rayburn, parece incapaz de julgar Danny. Muito, claro, se deve ao passado nebuloso dos irmãos, mas essa insistência em sempre perdoar o irmão e não enxergar seus defeitos já está começando a atrapalhar o ritmo da trama. John precisa tomar alguma providência.

O pior de todo nesse amor misturado à culpa, é que Danny tira proveito disso. Ao perceber que John não consegue julgá-lo e decepcioná-lo, Danny abraça a oportunidade e usa o irmão. E a longa sequência de bebedeira e conversa entre os dois é a prova disso: Danny induz John a beber mais do que o ideal, deixando o irmão, sempre controlado, bêbado. Ao deixar o sujeito alcoolizado, Danny aproveita para se sentir responsável e importante, além de assumir o papel de irmão mais velho que cuida do mais novo. No processo, Danny ainda aproveita para, implicitamente, fazer papel de durão frente à esposa de John, que se sente – com razão – ameaçada.

E assim, Danny vai tentando controlar cada membro da família: a mãe já fora controlada desde o início, já que é incapaz de perceber os defeitos do filho; a irmã fora controlada através de sua maior insegurança: o amor e o casamento; já Kevin, ao ser agredido, fica ferido e com honra manchada, afinal, o mais explosivo e briguento acabou por levar uma surra. Assim, Danny mostra-se muito mais inteligente e sensível aos detalhes alheios do que parece. Ao manipular cada familiar através de seus pontos fracos, Danny busca conquistar o que sempre quis: espaço e respeito. John, o controlador, perde o controle; Meg, insegura no lado amoroso, tem suas verdades expostas; Kevin, valente, tem a dignidade roubada em uma agressão violenta.

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Isso nos leva a um dos elementos mais interessantes de Bloodline, e que vem sendo evidenciado na reta final: Danny é, sim, uma vítima em diversos pontos na história dos Rayburn. Danny sempre ficou de lado em decisões e nunca foi o favorito de ninguém, sendo negligenciado inúmeras vezes. Ainda que tenha sofrido, Danny está longe de ser o mocinho da história. Seus atos são repreensíveis e suas intenções duvidosas. Assim, a série se sai bem ao brincar não só com os sentimentos dos personagens, mas também com os do espectador, que não sabe se sente pena ou raiva de Danny. Assim, vamos ver como esse jogo de manipulações continua e se os Rayburn vão aguentar o “ovelha negra” por muito tempo.

Tive o prazer do cobrir e fazer a review do oitavo episódio, mas a Carol, responsável pelas reviews de Bloodline, volta em breve.

Tags Bloodline
Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

1 comment

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  1. Caroline Marques
    Caroline Marques 4 abril, 2015 at 18:51 Responder

    Adorei a review, muito bom ver se o ponto de vista que eu uso bate com outros espectadores. Valeu Matheus, agora sigo firme até o 13 prometo. Adorei seu texto 😀 e a foto que escolheu também muito representativa!!!

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