Bloodline – 3×05 – Parte 28

Imagem: Jeff Daly/Netflix/Divulgação

Chegamos na metade da terceira temporada e podemos afirmar que o caminho até aqui foi, relativamente, sem grandes surpresas apesar de algumas reviravoltas bem interessantes aqui e ali. O que vimos nesse episódio foi uma virada tanto na história quanto no desenvolvimento e crescimento dos personagens, principalmente nos minutos finais com a confusão no bar e uma briga nada amistosa entre John e Kevin na praia. Toda a regeneração e renovação do pai de primeira viagem soa como algo passageiro e uma fase da vida.

Imagem: Netflix/Divulgação

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É verdade que o foco permaneceu em Kevin durante boa parte do episódio, parecendo até que ele foi promovido a protagonista enquanto John fica renegado a algumas pontas. Entretanto, toda essa atenção é proposital para funcionar como escalada. Vimos, a partir da segunda temporada, o tempo que levou até que conseguisse ficar limpo, colocar sua vida no lugar, reaproximar-se de Belle e reconstruir a marina, mas agora temos a oportunidade de assistir o quão rápido foi a sua queda.

Seria um desenvolvimento e tanto para um personagem que durante boa parte do primeiro ano navegava de uma cena para outra sem saber o que fazer. Essa recaída faz com que a narrativa volte ao questionamento inicial do roteiro ao telespectador – Será que somos totalmente bons? Seria a vida um mero preto e branco que não oscila de acordo com as circunstâncias da vida?

Tais indagações, felizmente, não ficam restritas a John e Kevin. Temos a oportunidade de acompanhar Sally passando por cima de todos os malfeitos da prole, por piores que tenham sido, e pedir para que uma mãe aceite um acordo com o suposto assassino do seu filho. Nós sabemos que tal atitude não é apenas condenável, mas também contra lei pois mostra cumplicidade com inúmeros crimes, mas também conseguimos compreender que ela fez tudo isso para preservar sua família e manter seus filhos consigo.

Essa ambiguidade moral presente em grande parte das melhores produções originais da Netflix, como House of Cards Orange Is The New Black, mostra que o telespectador não só aprendeu a amar os anti-heróis, como também olhar para suas próprias vidas e perceber que ninguém, por mais que se esforce, é totalmente bom ou completamente mal. Bloodline nos traz esses questionamentos em todas as suas cenas – na filha que tem uma vida dupla ou até mesmo no “casal” aprendendo a falar dos problemas na analista.

Tags Bloodline
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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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