O terceiro episódio de Boots, série da Netflix que mistura drama e comédia com temas militares e sociais, trouxe um momento decisivo na história do Sargento Liam Sullivan, interpretado por Max Parker. Até então, o público conhecia Sullivan como um fuzileiro altamente respeitado, mas também enigmático — alguém com um passado obscuro e uma rigidez que escondia feridas pessoais. Tudo muda quando ele recebe uma carta misteriosa, assinada apenas por “W”, que o deixa visivelmente abalado.
A carta que revelou o passado de Sullivan
A mensagem, curta e enigmática, dizia: “Parece que você deixou Guam na hora certa. O NCIS está fuçando, cuidado com suas costas”. A simples menção ao NCIS (Serviço de Investigação Criminal Naval) era suficiente para deixar claro que algo grave estava prestes a vir à tona. Sullivan havia sido dispensado de uma missão em Guam, mas o motivo real nunca havia sido explicado.
O conteúdo da carta indicava que uma investigação militar estava em andamento e que seu nome poderia estar envolvido em algo comprometedor. Logo depois de ler o bilhete, Sullivan o queima, deixando evidente que o remetente — “W” — tinha uma ligação profunda com o segredo que ele tanto tentava esconder.
Quem era “W” e o que realmente aconteceu em Guam

Nos episódios seguintes, Boots revelou que “W” era o Major Aaron Wilkinson, um oficial também investigado por má conduta e sodomia. Embora Sullivan negasse qualquer envolvimento romântico com ele, o interrogatório do agente Blodgett do NCIS deixou claro que havia algo mais entre os dois. O momento em que Blodgett pede para ver o peito de Sullivan — onde há uma tatuagem idêntica à de Wilkinson, com o lema “Semper Fi” — confirma a ligação íntima entre eles.
No episódio 6 de Boots, a verdade finalmente vem à tona: Sullivan e Wilkinson haviam se apaixonado durante o serviço em Guam. Eles se encontravam fora da base e chegaram a trocar declarações de amor. Wilkinson sonhava com uma vida juntos fora dos fuzileiros, mas Sullivan, temendo a rejeição e o escândalo, decidiu se afastar.
A culpa e a fuga de Sullivan em Boots
Quando começaram a circular rumores sobre a sexualidade de Wilkinson, Sullivan foi aconselhado a cortar laços com ele para preservar sua carreira. Em um ato desesperado, ele pediu baixa de Guam e, para se proteger, apresentou o relacionamento como um caso de abuso, traindo a confiança de seu companheiro.
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Essa decisão o assombrou desde então, e a carta de Wilkinson reacendeu toda a culpa que ele tentava enterrar. O peso desse segredo moldou o comportamento explosivo do personagem, sua relação com o álcool e sua forma dura de lidar com os recrutas — especialmente com Cameron Cope, em quem ele via um reflexo de si mesmo, outro jovem soldado ainda preso ao armário.
O significado da carta e o legado de Sullivan
A carta em Boots, portanto, não era apenas um aviso. Era um lembrete do passado que ele tentou apagar e da pessoa que amou, mas sacrificou em nome de uma carreira que já não significava mais nada. No fim da temporada, mesmo com o apoio da Capitã Fajardo — que o defendeu dizendo que sua orientação não era da conta de ninguém — Sullivan escolhe desaparecer, deixando para trás o exército, o medo e a culpa.
A carta de “W” foi o estopim que o obrigou a encarar sua verdade e, finalmente, buscar liberdade. Boots encerra sem revelar o destino do sargento, mas deixa clara a mensagem: o verdadeiro campo de batalha de Sullivan sempre foi interno — entre o dever e o amor, entre a honra e a aceitação de si mesmo.