Bridgerton aposta em conto de fadas conhecido na 4ª temporada e divide fãs

Afinal, por que muitos fãs de Bridgerton não estão gostando da 4ª temporada?

A 4ª temporada de Bridgerton mal começou e já reacendeu um debate antigo entre os fãs: até que ponto a série consegue reinventar velhos clichês? Nos primeiros episódios da Parte 1, a produção abraça sem pudor a estrutura de Cinderela para contar a história de Benedict Bridgerton e Sophie Baek — e é justamente aí que parte do público começa a torcer o nariz.

A introdução do casal funciona. O encontro no baile de máscaras estabelece imediatamente o fascínio de Benedict pela misteriosa Dama de Prata. Enquanto a elite da sociedade está entediada com o luxo ao redor, Sophie se encanta com detalhes simples, como uma luminária. Essa diferença de olhar é o que fisga Benedict, um personagem que também nunca demonstrou grande interesse pelo caminho tradicional do casamento.

Bridgerton lição
Imagem: Netflix.

O problema do clichê da “Dama Misteriosa”

O conflito surge quando a narrativa passa a girar em torno da identidade secreta de Sophie. Como manda o manual do conto de fadas, Benedict passa a procurar obsessivamente pela mulher do baile, analisando rostos e traços em cada evento social. O problema é que, quando ele finalmente fica frente a frente com Sophie, a lógica simplesmente desaparece.

Diferente das outras mulheres que ele observa minuciosamente, Benedict não demonstra qualquer tentativa real de reconhecer Sophie, mesmo ela sendo a única que corresponde à energia daquela noite. A falta de clareza da série sobre a passagem do tempo só piora a situação. Foram semanas? Meses? Um ano inteiro entre o baile e o reencontro? Bridgerton nunca deixa isso claro, e o resultado é um protagonista que acaba parecendo mais um “príncipe distraído” incapaz de enxergar o óbvio.

Quando a história funciona de verdade

Curiosamente, a temporada brilha quando se afasta do conto de fadas clássico. O romance proibido entre Benedict e Sophie, marcado pela diferença de classes e pela posição delicada dela dentro da casa Bridgerton, é muito mais interessante do que a busca pela identidade da Dama de Prata.

As cenas em que os dois se conectam longe dos salões, como o momento leve e quase infantil empinando pipa, mostram um casal com química real, diversão e vulnerabilidade. É nesse espaço que Sophie deixa de ser um arquétipo e se torna uma personagem, e Benedict finalmente parece crescer emocionalmente.

Bridgerton Sophie teoria
Imagem: Divulgação.

Um universo que segue forte além do romance principal

Mesmo com as críticas ao arco central, a 4ª temporada se sustenta graças ao conjunto. O embate constante entre Penelope Featherington e a Rainha Charlotte, as tensões envolvendo Lady Danbury, o desenvolvimento de Eloise e Hyacinth e até a vida amorosa de Violet ajudam a manter a série viva e dinâmica.

No fim, Bridgerton mostra que ainda sabe entreter. Mas a sensação que fica é clara: quando a série insiste demais em ser Cinderela, ela se limita. Quando confia nos personagens e nos conflitos humanos, ela continua encantando.





Bridgerton aposta em conto de fadas conhecido na 4ª temporada e divide fãs
SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.