Caça-Fantasmas: um novo clássico para novos tempos

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Vamos deixar algumas coisas claras logo de início? Caça-Fantasmas é ótimo, e tem sua maior força quando se dedica às novidades. Assim, quando tenta emular ou homenagear o original, o filme acaba tropeçando. Logo, aqui vai um recadinho pra você que é hater de internet, machão virtual: você é uma das piores raças que a web criou e abriga em todos esses anos. O hate veio com o anúncio do elenco feminino, com o lançamento do primeiro trailer, perto da estreia, com várias pessoas dando notas baixas ao filme em plataformas como o IMDb, e assim sucessivamente. Pra calar a boca dos irracionais, o filmas das Caça-Fantasmas é tão bom quanto o primeiro e infinitamente melhor que o segundo. E digo mais: se esquecesse completamente o longa de 84, a versão moderna seria ainda melhor.

A começar pelo elenco: sem exageros, o elenco feminino está à altura do original. Se Bill Murray e sua turma eram os grandes nomes da comédia na década de oitenta, hoje, Melissa McCarthy, Kristen Wiig e o diretor Paul Feig são alguns dos maiores expoentes do gênero. Alguns dos filmes de Feig, a maioria protagonizada por McCarthy, representam o que há de melhor do humor hollywoodiano atual. Em Caça-Fantasmas, Feig e seu elenco entendem o público e as engrenagens do humor. Com isso, descem um tom na escala, e entregam um filme mais leve e mais inocente que A Espião que Sabia de Menos, por exemplo, mas acabam agradando pais, filhos e fãs do original (ao menos aqueles de mente aberta).

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McCarthy, Wiig, Kate McKinnon e Leslie Jones têm uma química invejável. O grande acerto na caracterização das personagens talvez seja o fato de que elas são originais, se comparadas à equipe de 84. Seria uma saída fácil e segura criar um equivalente de Murray, outro de Dan Aykroyd, e assim por diante, mas o novo longa entende que se é pra inovar, que seja por inteiro, e por isso cada personagem tem o seu próprio estilo e humor. De todos os personagens do elenco, contudo, nenhum é melhor ou mais engraçado que Holtzmann (McKinnon). Insana, McKinnon é a que mais se entrega ao papel e à abordagem do filme. Com isso, acaba sendo o elemento mais próximo e querido do público. Em uma eventual continuação, não se surpreenda caso a personagem ganhe mais espaço e tempo em cena.

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Além de funcionar como comédia, Caça-Fantasmas ainda garante uns bons sustos e uma boa dose de aventura. Com os efeitos visuais de hoje em dia, Feig e sua trupe se divertem ao mostrar os mais criativos fantasmas e criaturas. Se os puristas estavam com receio acerca dos efeitos, que poderiam abafar a história ou tornar tudo muito distante e falso, eles podem ficar tranquilos. Ainda que o filme abuse do CGI, principalmente no clímax, tudo é feito com muito equilíbrio e para servir à história. O diretor ainda merece elogios pelo bom trabalho com 3D, uma tecnologia subaproveitada na maioria das vezes.

Assim, as cenas de ação são muito bem coreografadas, além da parte técnica excelente, que vai desde os efeitos até o ótimo design de produção. Se há um grande defeito nesta nova aventura de caça-fantasmas, este é o trabalho feito com os atores do original de 1984. Bill Murray é completamente subaproveitado em uma ponta boba e descartável. Aykroyd e Sigourney Weaver vão pelo mesmo caminho. A ponta mais interessante talvez seja a de Ernie Hudson, surpreendente e rápida, sem chamar muita atenção para si e sem desviar a narrativa. Logo, o ideal seria não utilizar os atores. É ótimo vê-los em cena, mas não faz sentido utilizá-los assim, completamente deslocados do resto do projeto.

No fim, Caça-Fantasmas é sucesso quando tenta inovar e mira no presente e no futuro. Quando esquece o original e caminha com as próprias pernas, dando na cara dos haters, o filme se sai muitíssimo bem. É justamente quando tenta agradar esse público que tanto falou mal e prestar homenagens ao passado que o longa falha. Ainda assim, o uso da clássica música-tema é ótimo, e a presença de alguns fantasmas conhecidos também agrada. Os pecadilhos não interferem no resultado final, e a provável sequência deve ser ainda melhor, pois pode chegar às telas ainda mais livre das amarras do cânone.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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