Kevin Bacon está de volta às telas — agora em clima sobrenatural. Caçador de Demônios (The Bondsman), nova série de terror do Prime Video, chega com uma proposta ousada: misturar ação, horror, humor ácido e um toque de drama existencial.
Produzida pela Blumhouse e criada por Grainger David com o showrunner Erik Oleson (Daredevil), a série até começa com o pé direito. Mas ao longo de seus oito episódios curtos, vai perdendo fôlego.
Um caçador de criminosos a serviço do diabo
Bacon vive Hub Halloran, um caçador de recompensas durão e decadente, que após ser assassinado por capangas, ressuscita — agora contratado pelo próprio Diabo para capturar demônios fugitivos na Terra. Hub acorda dentro de uma parede, com a garganta ainda aberta, fuma um cigarro e parte para sua nova missão. É nesse tom bizarro, beirando o cartunesco, que Caçador de Demônios funciona melhor: quando abraça o absurdo.
Cada episódio acompanha uma nova “caçada”, de padres possuídos a líderes de torcida demoníacas. O ritmo lembra procedurals como Buffy e Supernatural, com boas sacadas visuais e um senso de humor sombrio que, inicialmente, chama atenção.

Entre o inferno e a vida pessoal
O grande problema é que a série logo tenta dar profundidade emocional ao protagonista, mas sem o mesmo charme das sequências infernais. A relação dele com a mãe, Kitty (Beth Grant), é um dos pontos altos — ela aceita com naturalidade chocante o retorno do filho dos mortos e até se torna sua cúmplice.
Mas quando a trama investe demais na vida pessoal de Hub, especialmente na relação arrastada com a ex-esposa Maryanne (Jennifer Nettles), a narrativa perde força. O arco sobre sua antiga paixão pela música, por exemplo, parece deslocado e quebra o tom sarcástico que sustentava os episódios iniciais.
Demônios genéricos e cosmologia rasa
Apesar dos episódios levarem nomes de demônios, poucos realmente ganham destaque em Caçador de Demônios (The Bondsman). A maioria é retratada como vilões genéricos em corpos humanos pouco desenvolvidos — sejam policiais corruptos ou adolescentes cruéis.
Em um universo onde o Diabo se comunica via fax (porque é vintage e “assustador”), a falta de uma mitologia mais sólida acaba pesando quando a série tenta escalar o drama para “salvar o mundo”.
Vale a maratona de Caçador de Demônios (The Bondsman)?
Com episódios curtos e ritmo acelerado, Caçador de Demônios é uma experiência divertida — principalmente se você curte humor sombrio e histórias sobrenaturais à la Preacher. Bacon está afiado, o visual tem personalidade, e a premissa é curiosa o suficiente para prender. Mas a série tropeça ao tentar ser mais séria do que deveria, e termina sem o mesmo impacto com que começou.
Todos os oito episódios de Caçador de Demônios já estão disponíveis no Prime Video. Se você procura uma série leve, absurda e com pitadas de terror e sarcasmo, vale a conferida — mas vá sem grandes expectativas de profundidade.