Cartão Postal – Narcos

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Narcos estreou no último dia 28 e se provou mais um grande acerto da Netflix. Em um estilo que remete aos clássicos de Martin Scorsese (principalmente Cassino e Os Bons Companheiros), Narcos aliou violência, muitas informações, grandes atuações e um senso de humor surpreendente. É um dos maiores destaques em um ano fortíssimo para a televisão (não só americana, mas mundial); em 2015 tivemos o fim de Mad Men, as estreias de Better Call Saul e das sensações da própria Netflix, Sense8, Bloodline e Daredevil, entre outros sucessos e surpresas de diversos canais.

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A série, que conta com a produção e a direção (do dois primeiros episódios) de José Padilha, poderia agradar o público só por trazer brasileiros atrás e a frente das câmeras, além da abertura cantada por Rodrigo Amarante. Mas Narcos vai além dos rótulos e das fronteiras. É uma série literalmente mundial. Não é um programa brasileiro, nem americano. É uma mistura. Tanto o elenco quanto a equipe vêm de diversos lugares do globo.

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Todos se encontram na Colômbia para contar a história não só de Pablo Escobar, mas de todos os envolvidos no novo e perigoso mundo do narcotráfico. Filmada em Bogotá, capital da Colômbia, Narcos já acerta por não retratar o país como um típico país subdesenvolvido e decadente da América do Sul. Os problemas do país estão lá, mas não vistos pela ótica dos norte-americanos.

A série ganhou um incentivo fiscal para ser filmada na Colômbia. Como já discutido aqui em Cartão Postal, os países e/ou cidades costumam investir em projetos de TV e Cinema buscando não só visibilidade, mas um bom retorno econômico. Uma série como Narcos, de porte considerável, gera vários empregos para a população colombiana, que terá mais facilidade e subsídio para fazer a própria economia girar.

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Em entrevista à Rolling Stone, Pedro Pascal afirma que o país é um personagem da série. A locação que o ator destaca é a La Catedral, uma prisão construída pelo próprio Escobar. O narcotraficante idealizou o lugar para que pudesse cumprir a própria pena quando decidiu se entregar às autoridades. O melhor de tudo é: muita coisa não é estúdio, parede falsa e luz artificial. Muito é gravado direto nos locais verdadeiros, com paredes firmes de tijolos e a luz forte do sol.

Escobar’s Park e o que há além de Pablo…

Wagner Moura afirmou em entrevistas que ficou chocado ao visitar um bairro com o nome de Pablo Escobar. Muitos ainda o consideram um herói, um pai de família, um salvador. O rosto do sujeito está pintado em vários lugares. Outro detalhe curioso é que uma antiga propriedade do narcotraficante tornou-se uma bizarra espécie de museu. No local, os visitantes podem encontrar uma exposição com vários carros antigos usados por Escobar. Na entrada, um pequeno avião faz referência ao início do tráfico, que cruzava os céus da Colômbia até os EUA. No percurso os turistas ainda podem encontrar dinossauros gigantes de concreto, exposições que contam a ascensão de Escobar ao topo do mundo do crime além de um zoológico com elefantes, girafas, cangurus e hipopótamos, provando a paixão de Pablo por animais selvagens.

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colagem para narcos
Antiga propriedade de Escobar vira um “estranho” parque mesclado com museu e uma pitada de bizarrice.

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Mas o que há além de Pablo Escobar? A notícia pode agradar ou não alguns fãs da série. O criador do programa afirma que Pablo morreu na vida real e, uma hora ou outra, vai morrer, também, na série. Sua intenção não é mudar a história, e o narcotráfico se estende muito além de Escobar. Para o roteirista, quando o “barão das drogas” morrer, a história pode continuar sem problemas, focando em outros personagens, contando outras histórias. O ponto é: se Narcos fosse só sobre Pablo Escobar, ela teria o nome dele. Como não é, este brilhante show da Netflix ainda pode continuar por muitos anos.

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Casa “secreta” que Escobar mantinha em uma ilha, hoje permanece em ruínas.