Cartão Postal – The Night Manager

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A Cartão Postal de hoje serve para duas coisas: falar sobre as locações da minissérie, claro, e divulgar este que é um dos melhores programas “fora do radar” da temporada 2015/16. Estrelada por Tom Hiddleston e Hugh Laurie, o show é uma adaptação de um romance de John le Carré dirigida por Suzanne Bier, vencedora do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por Em um Mundo Melhor. Na trama, acompanhamos Jonathan Pine, um ex-soldado que trabalha em um hotel como gerente (daí o título). Ao conhecer Sophie, uma bela francesa, Pine tem acesso a documentos que incriminam um poderoso empresário que fez fortuna através da venda ilegal de armas. Ao levar as informações à justiça, as coisas se complicam, uma morte acontece e Jonathan se vê envolvido em uma trama conspiratório com direito a agências de inteligência rivais e reviravoltas dignas dos melhores romances de espionagem.

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The Night Manager é coisa de cinema. Assim, a produção não deixa barato para o roteiro inteligente e investe em uma fotografia exuberante, além de locações belíssimas. O projeto é tão grande e passa por tantos lugares que a produção foi dividida entre a Inglaterra e os Estados Unidos. Tanto é que a minissérie chegou aos britânicos pela BBC e aos americanos pela AMC. Custando 3 milhões de libras esterlinas por episódio (por volta de 15 milhões de reais), The Night Manager faz valer cada centavo. Além disso, com sua gravação e posterior exibição, injetou uma fortuna considerável no turismo de suas locações. E tem gente que acha que cultura não dá dinheiro e não serve pra nada…

Do Egito a Londres… ou quase isso

The Night Manager começa no Egito. Bem, na trama sim, mas a minissérie não visitou a capital do país como sugerido. O luxuoso hotel situado no Cairo fica, na verdade, em Marraquexe, no Marrocos. Cercado por montanhas e situado em 20 acres de jardins, com piscinas, spas e tudo que você pode imaginar, o lugar representa Marrocos. Por investir na produção audiovisual e por servir como dublê para várias outras locações, Marrocos volta e meia aparece no cinema e na TV.

Outro hotel que Pine trabalha fica em Zermatt, na Suíça. O tal estabelecimento, contudo, não existe. A produção filmou a vista da famosa montanha Matterhorn em outro hotel local. O “puxadinho” localiza-se eu uma altitude considerável, tem decoração em madeira, TVs gigantes e outros mimos. Duas noites podem custar 990 libras esterlinas! Dizem que a vista, contudo, não tem preço. Claro, tirando aquelas 990 libras que você investiu. Essas não voltam mais.

Outra locação que merece destaque é o luxuoso Maricel Hotel & Spa, em Calvià, Espanha. Com interiores belle époque, um dos destaques do lugar é o bar. Você não precisa estar hospedado no hotel para visitar. Você pode chegar à noite, ouvir jazz e investir cerca de 40 reais em uma bebida. A Carrer de la Marina, no Port de Soller, também merece uma olhada, nem que seja por fotos.

Passando ainda por Palma, na Espanha, Devon e Londres na Inglaterra, e por mais alguns belos hotéis e casas, The Night Manager deve ter investido a maior parte de seu custo de produção nas locações. A minissérie, enfim, prova o que já comentamos algumas vezes aqui na coluna: a produção de audiovisual é boa pra todos; a produção ganha em beleza, reconhecimento e incentivo fiscal, o local ganha visibilidade e o público conhece novos lugares. Se você tiver alguns milhões guardados, ainda pode visitar alguns destes pontos. Mas cuidado: se alguma beldade tentar lhe passar documentos sigilosos, não aceite.

Fonte: The Guardian