Castelo Rá-Tim-Bum: uma escola fantástica

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Qual criança nunca quis fugir da realidade? É muito difícil, ainda mais na infância, não se envolver tão profundamente com universos que funcionam como válvulas de escape. Seja uma série, um livro ou um filme, encontrar algo que nos conforta em momentos de aflição, a um palmo de distância, pode oferecer um aprendizado interno e externo.

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Castelo Rá-Tim-Bum fez isso e mais um pouco. Um programa televisivo famoso por mexer muito com o imaginário e por agregar conhecimentos diversos na vida daquela criança que, provavelmente, mal chegava da escola e já sintonizava na TV Cultura. Não há quem não tenha mergulhado nesse mundo de fantasia, muito rico em detalhes visuais – desde cenário ao figurino – e não ter tido vontade de morar lá. Não só isso, como ser amigo de Nino, Biba, Pedro e Zequinha.

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Um pensamento infantil sempre aguçado com um enredo diferenciado a cada episódio. Não só isso, como também por uma bagagem de quadros lúdicos que enriqueciam essa experiência.

O maior desafio de Castelo Rá-Tim-Bum foi unir entretenimento e educação de um jeito que não fosse chato ou que quebrasse o ritmo do enredo específico do episódio. A inclusão de cada quadro se dava no meio da ação dos personagens e nos diálogos que funcionavam como um chamado para avisar a hora de sentar que lá vinha história.

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Parte do contexto educativo foi inspirado em outro programa da mesma emissora: Rá-Tim-Bum. E deu certo! Uma bela iniciativa que mudou a carinha da televisão no que condiz ao lazer e ao aprendizado. Afinal, Castelo Rá-Tim-Bum mostrou que é possível brincar ao mesmo tempo em que se faz descobertas. Um  casamento efetivo que fidelizou o público e rendeu muitos prêmios, se tornando um programa de referência para os pais preocupados com o que o filho vê na TV.

 

Os quadros educativos

 

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Castelo Rá-Tim-Bum entrou em muitas casas como uma escola fantástica. Um modelo que incluiu todas as disciplinas costumeiras em sala de aula (ciências, história, gramática, etc.). Um universo mágico e extremamente professoral. Praticamente, nossa Hogwarts brasileira! Esse foi um dos segredos que fez o programa perdurar e ser reprisado incansavelmente.

Os quadros traziam assuntos do mundo real em meio à fantasia do programa com tom divertido, nada monótono, e com informações facilmente absorvidas por pertencerem à rotina das crianças. Cada um possuía uma abordagem lúdica que se entremeava no conto de fadas, mais precisamente no conflito entre o bem e o mal. Ações que oportunizavam conscientização. Inclusive, esclarecimentos geralmente inspirados naquilo que deixava um ponto de interrogação na testa de qualquer pequeno.

Em diferentes episódios, havia aula sobre praticamente tudo. Morgana, a formidável, nos banhava com belas histórias. Mau e Godofredo brigavam entre si, mas incitavam a criança com perguntas de raciocínio lógico e de gramática. Os gêmeos Tíbio e Perônio nos fazia amar ciências gerais com experiências e descobertas que vinham com o pensamento de tornar este mundo melhor.

Mas foi o caráter musical que tornou a saga de Nino ainda mais didática, graças às letras chiclete, com rimas facilmente decoráveis. A sonoridade foi o coração do programa, o personagem principal que ritmava não só a trama, mas os quadros educativos.

Entre uma pausa e outra, conhecemos instrumentos musicais com João de Barro e as Patativas. Aprendemos a importância de tomar banho, de escovar os dentes e de fazer reciclagem na companhia do inesquecível Ratinho. Em Música do Mundo Todo conhecíamos a sonoridade típica de um país com apenas um toque em algum ponto do globo.

Não podemos esquecer do quadro Lavar as Mãos, um videoclipe que mostrava como fazer a higiene acompanhada do belo timbre de Arnaldo Antunes.

 

Aprendendo com os personagens

 

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Enquanto os quadro educavam, os personagens conscientizavam. A Caipora, sempre exótica e cativante, explorou incontáveis vezes a importância da diversidade étnica, a relevância desse assunto no Brasil, tendo como base lendas indígenas.

O inesquecível Etevaldo calhou no tema aceitação. Ele surgiu, todo perdido, e foi amado e respeitado como um terráqueo. Mesmo com seus dentinhos de fora, suas cores, e o jeito fofo de andar, Nino, Pedro, Biba e Zequinha o acolheram como parte da família do Castelo.

Até o Doutor Abobrinha ensinou sobre o quanto o mal nunca vence. Que ser vilão não está com nada. O personagem sempre aparecia todo pomposo e sempre se perdia nos próprios planos quando era descoberto depois de um dia de divertimento gratuito. Mesmo enxotado do Castelo quando a máscara caía, ele simbolizou como é feio contar mentiras.

Em uma época em que aprender pela TV era grande coisa (os telecursos, lembram?) na década de 90, escolher programas para uma criança era feito a dedo. Assim, Castelo Rá-Tim-Bum representou com excelência seu papel de escola fantástica. Um recreio didático norteado por personagens atraentes, que também propiciavam um aventurar em várias partes do castelo. O programa é icônico e um exemplo do que não temos para o público infantil na TV aberta em pleno século 21. Época que muitos pais se conformam em deixar seus filhos navegando horas e horas na internet.

Sem dúvidas, Castelo Rá-Tim-Bum foi – e ainda é – um entretenimento muito bem pautado, intuitivo, sensitivo e pedagógico. Uma narrativa envolvente que não se atrevia, a cada episódio, a ser finalizada sem transmitir uma mensagem que não passasse despercebida.