CCXP 2017: painéis de sexta-feira trazem novidades e empolgam o público

Imagem: Anderson Narciso/Mix de Séries.

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A sexta-feira na Comic Con Experience foi movimentada no auditório Cinemark. Começando ao meio-dia, os painéis adentraram a tarde e alcançaram a noite com diversas novidades, muita emoção e público empolgado. O dia já começou em alto nível, com lágrimas correndo ainda cedo. Isso porque a primeira atração do segundo dia de evento foi a aguardada homenagem à maior atriz brasileira de todos os tempos (e uma das maiores do mundo): Fernanda Montenegro. E basta assistir os vídeos especiais sobre sua carreira e vê-la falar por uns breves instantes para que não sobrem dúvidas sobre a força deste símbolo nacional. Não é exagero, portanto, cada superlativo relacionado à atriz que levou o público às lágrimas enquanto ela mesma, emocionada, encheu os olhos d´água no palco do auditório lotado. Mais detalhes sobre a homenagem você confere aqui.

Em seguida foi a vez de um rápido painel sobre os 55 anos de Homem Aranha. Mediado por Marcelo Hessel, a apresentação contou com as presenças dos artistas Tony Silas e Humberto Ramos, responsáveis por HQs do teioso, Em um dos melhores momentos do painel, a dupla foi questionada sobre a melhor versão de Peter Parker/Homem Aranha no cinema. Surpreendendo, o mexicano Ramos dispara: “Andrew Garfield”. Além disso, para o desenhista o melhor visual do herói foi o apresentado em O Espetacular Homem Aranha 2, com destaque aos grandes olhos da máscara. Ramos ainda declara que teve medo quando a Marvel obteve os direitos do Amigão da Vizinhança. Para ele, o Homem Aranha sempre trabalhou sozinho, sob os próprios métodos e regras, e não em grupo, servindo a outros heróis. E os planos do estúdio eram justamente estes: unir o Spider aos Vingadores. Esta, aliás, é uma das maiores críticas ao filme: o fato de que o longa-metragem é mais uma história de grupo e dividida com o Homem de Ferro do que uma trama solo.

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A seguir, a Rede Globo empolgou o auditório com seu painel. Dividido em dois momentos, a apresentação da emissora surpreendeu pelo conteúdo, embora tenha perdido o ritmo em sua metade final. Na primeira parte, a novela Deus Salve o Rei trouxe o autor, diretor principal e as atrizes Bruna Marquezine, Marina Ruy Barbosa e Tatá Werneck. Empolgando os presentes – principalmente a falante humorista – o grupo revelou diversas curiosidades sobre a produção que estreia no dia 9 de janeiro, na faixa das 19h. Com uma trama cheia de humor e drama, o folhetim promete surpreender a audiência com seu valor de produção.

Através de concept arts, o diretor da produção apresentou os incríveis cenários da telenovela. Com locações em oito países, a novidade mescla um massivo trabalho de efeitos visuais com efeitos práticos. E o resultado é impressionante: no vídeo mostrado com exclusividade, podemos assistir algumas belas cenas já finalizadas. Tudo parece real até que o vídeo volta ao início e é apresentado sem os efeitos. E o trabalho da equipe – totalmente brasileira – é irretocável. As cenas, exibidas na enorme tela do auditório, arrancaram aplausos entusiasmados. Os efeitos de apoio (aqueles imperceptíveis) não devem em nada às produções estrangeiras dos grandes canais.

Marquezine declara: fã de Game of Thrones. Barbosa diz que começou a assistir Vikings e Game of Thrones. Já Tatá vai na contramão: Orphan Black. Por quê? Porque os diversos clones representam as diversas personalidades de sua personalidade na novela. Enquanto Bruna se emociona e chora após assistir o primeiro vídeo da produção, Marina afirma que nenhum outro trabalho lhe apresentou uma equipe tão amiga e unida. O coro segue com Tatá, que aponta Deus Salve o Rei como um dos melhores espaços em que trabalhou.

O painel da novela encerra com as atrizes dançando danças medievais com alguns fãs. E funk. Trajando os vestidos de época, e sob rimas improvisadas por Werneck, as atrizes revelaram seus talentos no funk com descontração, finalizando um dos melhores momentos do dia. Em seguida, Júlio de Andrade sobe ao palco para falar sobre Sob Pressão. Num papo rápido, Andrade sugere que a segunda temporada já está em produção. Uma das séries citadas foi The Knick (aparentemente apenas três pessoas, contando comigo, assistiram esta que é uma das melhores séries dos últimos anos), drama médico protagonizado por Clive Owen. Na sequência, autor e diretor de Ilha de Ferro subiram ao palco. Na produção, que está sendo filmada atualmente, Cauã Reymond é um petroleiro em uma plataforma de extração. Pouco foi dito, mas pode-se esperar muita ação e sexo na produção.

Mas o momento pelo qual todos aguardavam era o painel da Fox. Ao surgir no telão, a famosa vinheta do estúdio arrancou aplausos e gritos efusivos do público. E tudo começa com o pé na porta: com a presença do diretor Robert Rodriguez e do produtor Jon Landau (um dos maiores de Hollywood), o painel, mediado por Érico Borgo trouxe o primeiro trailer da superprodução Alita: Battle Angel. Na ficção científica, que seria dirigida por James Cameron, uma ciborgue é ativada por um cientista e passa a lidar com questões humanas e ameaças poderosas. O vídeo impressiona pelos efeitos e surpreende pelas decisões arriscadas (as feições da personagem principal causam estranheza de início).

Em seguida foi a vez de O Touro Ferdinando, animação dirigida pela brasileiro Carlos Saldanha. No palco, Maísa e Thalita Carauta falaram sobre a experiência de dublar o longa. Maísa, que já trabalhara com dublagem antes, rasga elogios ao filme. Segundo a atriz, a nova produção da Blue Sky é emocionante e traz bons ensinamentos aos mais jovens. Ela ainda aponta a importância da representatividade nas novas animações, e no valor de se investir em boas produções e espaços voltados às crianças. Carauta, que nunca dublara antes, disse que a experiência ativou novas áreas de seu cérebro. Para a atriz, a dublagem vai além do uso da voz e é como se fosse uma atuação, tamanha a entrega necessária à tarefa. Depois de um trailer e algumas cenas inéditas, Maísa arranca gargalhadas ao se dizer fã de cinema e séries de TV, menos de games. “Eu não manjo muito porque acho que já dei Playstation demais na vida”.

Entre trailers e vídeos de O Rei do Show e A Forma da Água (com direito a recado de Guillermo Del Toro), o momento mais esperado chegou: sob gritos e aplausos de diversos fãs, Dylan O’Brien sobe ao palco para falar sobre o último filme da série Maze Runner. Simpático, o ator ganhou um camisa da seleção brasileira e elogiou o carinho e receptividade brasileira: “Acho que é minha sétima Comic Con e esse é o público mais caloroso de todos”. O ator ainda comentou sobre o fim de Teen Wolf que, segundo ele, foi definidora, ao lado de Maze Runner, em sua carreira.

A surpresa veio no fim: depois de um trailer inédito, os onze minutos iniciais de A Cura Mortal foram exibidos com exclusividade ao público. E o que pôde ser visto empolgou até aqueles que não conhecem ou não gostam da saga. Em onze minutos de ação ininterrupta, o desfecho da trilogia cresce em praticamente todos os aspectos. A direção da cena chama atenção, revelando total domínio de câmera e espaço por parte do diretor Wes Ball. Sem estragar a experiência, vale apenas dizer que a sequência inicial é um longa e intensa perseguição, com visíveis inspirações em Mad Max. Dividida em diversos espaços e veículos, a cena salta de carros para trens e naves, acompanhando basicamente todos os personagens desempenhando diferentes funções. Trata-se de uma cena surpreendentemente boa, mesmo para uma série que já se provou de qualidade. Caso o novo filme seja igualmente empolgante e bem feito como estes primeiros minutos, já temos um dos melhores blockbusters de 2018.

E para encerrar foi a vez do painel de Os Novos Mutantes. Com a presença do diretor Josh Boone, do roteirista Knate Lee e dos atores Alice Braga e Henry Zaga, a apresentação trouxe uma cena inédita do longa, além de muita descontração entre o público e os atores, ambos falando em português. Boone, cotado para futuras adaptações de Stephen King, trata de explicar: o novo longa dos mutantes não é um filme de horror, mas traz diversos ingredientes do gênero. Há, ainda, a preocupação de trazes às telas preocupações relevantes dos jovens que se encontram em meio a novas e perigosas descobertas. A produção, que parece diferente de tudo que já vimos até então, encerrou com categoria as atividades no maior auditório da convenção. Depois de horas e horas de muitas novidades, resta guardar na lembrança os grandes momentos e aguardar os próximos e intensos dias de feira.

Matheus Pereira

Matheus Pereira

Gaúcho, estudante de jornalismo e viciado em séries. Tem séries pra assistir de mais e tempo de menos. Séries favoritas? Six Feet Under e Breaking Bad.

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