O sétimo episódio de Chefe de Guerra (Chief of War), série da Apple TV+, aprofunda as tensões entre os líderes havaianos e revela o que muitos já temiam: a ameaça estrangeira não seria contida apenas com diplomacia.
Enquanto Kamehameha insiste em manter sua lei da paz, a Mamalahoa, o capitão Metcalfe mostra sua verdadeira face em um ataque devastador que muda para sempre o destino da ilha.
O peso do segredo de Ka’ahumanu em Chefe de Guerra
O episódio 7 de Chefe de Guerra abre com um momento de alegria: o nascimento de uma criança entre os chefes, visto como bênção coletiva. Mas Ka’ahumanu, esposa de Kamehameha, vive em angústia. A profetisa Taula lhe revelou que nunca poderá gerar um herdeiro para o chefe, segredo que ela guarda até mesmo do marido.
Essa dor se soma ao dilema político: embora apoie a visão de paz de Kamehameha, Ka’ahumanu também enxerga verdade no pragmatismo de Ka’iana, que defende eliminar Keoua e até cogita assassiná-lo para evitar guerra. A rainha, dividida entre lealdade e estratégia, caminha sobre uma linha perigosa.
Ka’iana versus Kamehameha: a paz é suficiente?
A chegada do capitão Metcalfe e de Marley expõe a fissura entre os dois líderes. Enquanto Kamehameha busca recebê-los com cortesia e confiança, Ka’iana — que já testemunhou a brutalidade europeia em Zamboanga e conhece a crueldade de Marley — alerta que se trata de inimigos em potencial.
Ele lembra que os estrangeiros não respeitam a cultura local: para eles, até gestos de reverência, como quando os ossos de James Cook foram devolvidos em respeito espiritual, são vistos como barbárie. Para Ka’iana, esperar que esses homens ajam com honra seria ingenuidade.
Mas Kamehameha insiste em manter sua lei de não atacar quem ainda não os atacou, acreditando que quebrar sua palavra destruiria sua legitimidade como futuro rei.

A traição interna no episódio 7
Temendo que os europeus ataquem, Ka’iana decide agir por conta própria. Com guerreiros, invade o navio de Metcalfe para eliminá-los. Porém, seu plano é denunciado — não pelo irmão Namake, como ele suspeita, mas pela esposa Kupuohi, que revela tudo a Kamehameha.
O chefe intervém a tempo, poupa a vida dos estrangeiros e reafirma seu compromisso com a lei da paz. Para Ka’iana, isso significa ignorar o perigo iminente. Para Kamehameha, era uma questão de princípios.
O massacre de Metcalfe
No desfecho, a desconfiança de Ka’iana se prova correta. Enquanto Kamehameha, através de John Young, pede respeitosamente que Metcalfe deixe as ilhas, o capitão já prepara sua verdadeira resposta.
Ele ordena que seus homens encham canhões com pedaços de metal e pregos, transformando-os em armas de destruição brutal. Quando as crianças da vila correm para ver o imenso navio com curiosidade, Metcalfe dá a ordem: os canhões disparam contra inocentes.
- Vai, em um ato de redenção, morre protegendo uma menina.
- Até Marley, assustado com a crueldade do capitão, é punido e forçado a caminhar pela prancha.
- A profetisa cai em desespero, raspando a terra com as mãos diante da tragédia anunciada.
O resultado é um banho de sangue sem precedentes: Kamehameha manteve sua lei, mas à custa de inúmeras vidas.
O que significa o ataque de Metcalfe?
O massacre marca um ponto de virada para Kamehameha. Sua escolha pela paz, embora nobre, mostrou-se vulnerável diante da ganância e brutalidade europeias. Agora, ele precisa reorganizar seu povo, fortalecer alianças e levantar um exército para resistir.
Para Ka’iana, o ataque apenas confirma sua visão: não há espaço para ingenuidade diante de invasores. Para Ka’ahumanu, que quase cruza uma linha íntima com Ka’iana, o episódio reforça a tensão entre dever político e desejos pessoais.
Episódio 7 de Chefe de Guerra deixa claro que a maior ameaça ao Havaí não vem apenas dos rivais locais, mas do poder estrangeiro. O ataque de Metcalfe muda o jogo: a partir de agora, Kamehameha não poderá mais sustentar a paz sem preparar-se para a guerra.