Chicago Fire: 14ª temporada começa com despedidas forçadas e escolhas questionáveis
O retorno de Chicago Fire para sua 14ª temporada, com o episódio “Kicking Down Doors”, tinha tudo para ser um recomeço emocionante — mas acabou se tornando um dos capítulos mais frustrantes da história da série.
Ao tentar equilibrar saídas de personagens, drama pessoal e novos rostos no Batalhão 51, o episódio escorrega em praticamente todos os pontos que sustentaram o sucesso da produção ao longo dos anos.
Um começo amargo para Stella e Kelly

Logo nos primeiros minutos, os fãs de Chicago Fire recebem o golpe mais duro: o aborto de Stella Kidd. Após o final da 13ª temporada sugerir uma gravidez que poderia abrir novas possibilidades narrativas, o enredo é abruptamente revertido, sem tempo para desenvolver o impacto emocional da notícia. O resultado é uma sensação de desperdício — tanto para os personagens quanto para o público.
Miranda Rae Mayo e Taylor Kinney entregam atuações poderosas, repletas de dor e vulnerabilidade, mas o roteiro não lhes dá espaço suficiente para explorar a perda. O relacionamento entre Stella e Kelly continua sendo o coração da série, e vê-los passar por mais sofrimento gratuito é desgastante. A tentativa de transformar a tragédia em uma virada rumo à adoção soa mais como uma solução prática de bastidor do que como uma escolha criativa genuína.
O problema não é o tema da adoção — que sempre rende histórias emocionais —, mas o timing e o modo como ele é inserido. A narrativa dá a sensação de que o público foi enganado, recebendo uma promessa no final da temporada passada apenas para vê-la destruída em minutos.
Despedidas apressadas e sem emoção em Chicago Fire

Outro ponto fraco do episódio 14×01 de Chicago Fire é o modo como ele lida com as saídas de três personagens: Damon, Carver e Ritter. Damon simplesmente desaparece com uma menção vaga, Carver ganha uma justificativa rasa ligada à sua sobriedade, e Ritter tem uma despedida que, embora melhor construída, ainda soa apressada.
A decisão de fazer Ritter mudar completamente de rumo por causa de um relacionamento que antes parecia instável soa incoerente com tudo o que já foi mostrado sobre o personagem. As saídas parecem muito mais movidas por bastidores — agendas, novos projetos — do que por uma progressão orgânica da trama.
Um novo rosto, velhos problemas
Com tantas perdas, era esperado que a chegada de Sal Vasquez (Brandon Larracuente) trouxesse algum frescor. No entanto, o novato ainda não convenceu. Sua introdução é confusa, e a química com o grupo principal simplesmente não acontece. A série já mostrou que sabe trabalhar bem personagens novos — basta lembrar de Carver —, mas Vasquez, até agora, parece mais uma tentativa de preencher espaço do que uma adição significativa.
E, se o novo bombeiro ainda não empolga, o chefe Pascal se consolida como um dos personagens mais antipáticos de toda a franquia. Sua maneira de tratar Stella é irritante e injustificável, o que gera ainda mais desconforto numa trama que deveria, justamente, exaltar o protagonismo feminino dentro do batalhão.
Um retorno que desaponta
“Kicking Down Doors” tenta equilibrar emoção, ação e renovação, mas falha em quase todos os aspectos. O episódio sofre por ser um início de temporada que parece um fim: repleto de despedidas, mudanças apressadas e decisões narrativas que traem o investimento dos fãs.
O que resta é o carisma de seus veteranos — especialmente Stella e Violet —, que continuam sustentando o drama com talento e presença. Mas é difícil ignorar a sensação de que Chicago Fire está perdendo a chama que a tornou tão querida.
Se o plano da NBC é preparar terreno para uma nova geração no 51º Batalhão, o caminho escolhido não foi o ideal. A série precisará trabalhar duro nos próximos episódios para reconquistar a confiança do público que a acompanhou por mais de uma década.
Um episódio frustrante, que começa com promessas quebradas e termina sem emoção. Mesmo com boas atuações, Chicago Fire parece ter esquecido o que sempre fez de melhor: contar histórias humanas, intensas e coerentes.