O segundo episódio da 13ª temporada de Chicago PD, intitulado “Open Wounds”, tinha tudo para aprofundar o personagem de Dante Torres — um dos mais promissores do elenco recente — mas acabou entregando “muito de nada”, como define o próprio título da crítica original.
Apesar de boas intenções, o episódio reforça a sensação de que a série ainda não sabe o que fazer com o personagem interpretado por Benjamin Levy Aguilar.
Um caso comum com um protagonista sem rumo
O episódio traz Torres no centro da ação, falando espanhol e vestindo preto — duas novidades que chamam atenção logo de início, mas que não bastam para sustentar um arco emocional relevante. O roteiro tenta explorar suas origens e o bairro onde cresceu, mas isso é algo que o público já viu em temporadas anteriores.
Desde sua introdução, Dante tem sido construído em torno de três elementos repetitivos:
- histórias ligadas à comunidade latina,
- decisões impulsivas envolvendo informantes,
- e missões disfarçadas onde ele representa o lado “undercover” da polícia.
Esse ciclo se repete em “Open Wounds”, sem oferecer novas camadas ao personagem — o que torna a narrativa previsível e rasa.
A força dos personagens em Chicago PD e o problema de Dante
Nos últimos anos, Chicago PD encontrou sua melhor forma quando apostou em episódios centrados em personagens bem definidos, como Voight. Amado ou odiado, ele é coerente, complexo e carrega peso dramático. O mesmo, porém, não pode ser dito de Dante, que segue como uma incógnita.
Desde a saída de Jay Halstead e Hailey Upton, e o desaparecimento de sua conexão com Kiana Cook, o detetive parece ter perdido qualquer âncora emocional. Ele está sempre à margem da narrativa, um personagem solto, sem lugar dentro da equipe, o que se reflete na falta de envolvimento emocional do público.
Representatividade sem profundidade
Há algo de valioso em ver Benjamin Levy Aguilar representando um policial latino sem estereótipos. O ator tem presença e carisma, e suas cenas em espanhol soam naturais e poderosas. Porém, a representatividade perde força quando o roteiro não oferece substância.
O episódio até insinua um possível conflito interno — a ideia de que Dante estaria se autodestruindo emocionalmente —, mas o tema é apenas sugerido e nunca explorado de fato. Isso faz com que a narrativa pareça sempre à beira de algo importante, sem nunca chegar lá.
Enquanto isso, Eva Imani, recém-chegada, aparece por poucos minutos e já desperta mais empatia e curiosidade do que Dante em toda a temporada. É um sintoma claro de que a série perdeu o fio narrativo que sustentava a força de seus personagens.
Um episódio tecnicamente competente, mas narrativamente vazio em Chicago PD
Do ponto de vista técnico, “Open Wounds” mantém o padrão sólido de Chicago PD: boas sequências de ação, fotografia crua e ritmo policial eficiente. Porém, a emoção está ausente.
A trama não impacta, o arco pessoal de Torres não evolui e o episódio termina sem consequências reais. No fundo, ele poderia ser parte de qualquer temporada anterior — o que evidencia a estagnação criativa da série.
Uma ferida aberta na narrativa
Chicago PD ainda é uma das franquias mais consistentes do universo One Chicago, mas episódios como “Open Wounds” deixam claro que alguns personagens precisam urgentemente de reconstrução dramática.
Dante Torres é carismático e tem potencial, mas o roteiro continua o tratando como uma peça secundária em uma história que deveria ser dele. Enquanto isso não mudar, o personagem corre o risco de desaparecer no mesmo limbo narrativo que levou outros bons coadjuvantes da série.
Sobre o 13×02 de Chicago PD
Veredito: um episódio visualmente sólido, mas emocionalmente raso — uma oportunidade perdida de curar as feridas abertas na trajetória de Dante Torres.