O terceiro episódio da 13ª temporada de Chicago PD, intitulado “Canaryville”, tinha tudo para ser um retrato íntimo e emocionante da vida de Kim Burgess (Marina Squerciati) e Adam Ruzek (Patrick John Flueger) após o casamento.
Mas o que poderia ser um capítulo sobre amor, rotina e crescimento familiar acaba se tornando mais um exemplo do vício da série em infligir trauma às suas protagonistas femininas — especialmente quando isso parece gratuito.
Um episódio sobre família… até não ser mais
“Canaryville” começa mostrando Burgess e Ruzek em um novo estágio da vida: casados, criando Makayla e tentando equilibrar a rotina doméstica com o trabalho policial. É uma abertura doce e promissora — um raro vislumbre da vida pessoal de dois personagens que o público acompanha há anos.
O episódio faz um bom trabalho ao explorar o bairro onde vivem, as interações com vizinhos e o desejo de construir algo estável. Por um momento, parece que Chicago PD finalmente permitirá que Kim e Adam respirem, mostrando que é possível encontrar paz mesmo depois de tudo o que viveram.
Mas essa esperança dura pouco.

A velha armadilha do trauma feminino
Em vez de se concentrar na evolução do casal, a trama decide transformar Burgess novamente em vítima. O episódio coloca a personagem em uma situação de violência sexual, ao ser drogada e quase agredida — uma sequência difícil de assistir e que soa desnecessária, principalmente por acontecer logo após o episódio do casamento.
Ao escolher esse caminho, a série repete um padrão preocupante: o de usar o sofrimento de suas personagens femininas como catalisador emocional, sem necessariamente oferecer uma resolução ou reflexão à altura. Burgess já passou por sequestros, ferimentos graves e traumas psicológicos. Reabrir essa ferida não aprofunda seu arco — apenas o recicla.
Não é que Chicago PD não saiba retratar dor ou resiliência, mas aqui o sofrimento parece servir mais como artifício narrativo do que como consequência natural da história.
O brilho de Kim e Adam ainda resiste em Chicago PD
Mesmo com o tom equivocado da trama, o episódio 13×03 de Chicago PD tem seus méritos. Ver Kim e Adam atuando lado a lado — como parceiros de trabalho e de vida — ainda é uma das melhores coisas que Chicago PD tem a oferecer.
A química entre Squerciati e Flueger é inegável, e os dois conseguem equilibrar o drama policial com momentos genuínos de afeto e cumplicidade. É justamente por isso que o episódio frustra: o público queria ver essa parceria sendo celebrada, não mais uma vez colocada à prova por um trauma extremo.
Ainda assim, há espaço para esperança. O episódio sugere que o casal pode estar pensando em um novo futuro — talvez uma mudança para os subúrbios, longe da constante violência da cidade. Se o roteiro permitir, esse pode ser o início de um arco de renovação, não de repetição.
O saldo final de Chicago PD
“Canaryville” tinha o potencial de ser um capítulo leve e emocional, focado no cotidiano e nas relações humanas. No entanto, a decisão de usar mais uma vez a dor de Kim como motor dramático tira força da narrativa e cansa o espectador.
Ainda assim, Chicago PD segue encontrando em Burgess e Ruzek o coração da série — um casal cuja história de amor, parceria e sobrevivência continua sendo o fio condutor mais autêntico da produção.