O episódio 5 da 13ª temporada de Chicago PD, intitulado “Miami”, tenta colocar o holofote sobre Kevin Atwater e seus conflitos pessoais. No entanto, o resultado acaba expondo um problema antigo da série: ela nunca soube exatamente o que fazer com o personagem.
Desde as primeiras temporadas, Kevin é o policial que está sempre no meio das tramas, mas raramente no centro delas. Ele já passou por dramas familiares, relacionamentos frustrados e histórias pontuais sobre lealdade e racismo dentro da força policial — mas nada parece realmente mover seu arco para frente. E, infelizmente, “Miami” não muda esse cenário.
Um novo rosto, o mesmo dilema em Chicago PD
O episódio 13×05 de Chicago PD começa explicando rapidamente o que aconteceu com Val Soto (“foi pra CIA”, e pronto), e então apresenta Fox (Karen Obilom), uma nova personagem que cruza o caminho de Atwater. A ideia é que ela sirva como espelho, alguém que o faz refletir sobre quem ele é e o que realmente quer da vida.
O problema é que o público mal tem tempo de se importar com ela. Fox aparece, causa algum impacto emocional, mas sai de cena tão rápido que tudo parece raso. A química entre os dois existe, mas falta profundidade. Assim, quando ela o confronta dizendo que ele não a conhece — e que ninguém parece ficar ao lado dele —, a cena soa verdadeira, mas não por causa do romance: é porque nós também não conhecemos Kevin direito.

A força de Atwater está nas conexões antigas
Curiosamente, os momentos mais fortes de “Miami” vêm das interações entre Kevin e Kim Burgess. Os dois enfrentam um alerta de bomba juntos, e a tensão emocional entre eles é palpável. Quando Kim grita por Kevin, sentimos o peso da história que compartilham — um vínculo construído ao longo dos anos, e que o roteiro acerta ao revisitar.
Essas cenas mostram o quanto Chicago P.D. ainda pode ser poderoso quando se apoia em seus relacionamentos antigos, em vez de tentar criar laços apressados apenas para justificar episódios temáticos.
Kevin, o homem que sempre fica para trás
“Sou sempre o que fica para trás”, diz Atwater em determinado momento. A frase resume perfeitamente não só a jornada do personagem, mas também a forma como a série Chicago PD o trata.
A nova conexão com Fox parecia a chance de quebrar o ciclo — de ver alguém ficar. Mas ela parte para Miami, deixando Kevin exatamente onde estava: sozinho, refletindo sobre o futuro, sem um rumo claro. O episódio fecha com uma sensação agridoce: talvez, pela primeira vez, ele esteja realmente pensando em si mesmo.
Um bom prenúncio, se houver mudança
Apesar das falhas, “Miami” funciona como um episódio de preparação. Ele não resolve nada, mas planta uma semente: e se, desta vez, Kevin tiver a chance de escolher o próprio caminho?
Para isso, Chicago PD precisa finalmente dar peso e continuidade à sua trajetória. Chega de relacionamentos que começam e terminam no mesmo episódio, chega de lições aprendidas e esquecidas na semana seguinte.
Se o roteiro tiver coragem de mudar o padrão, “Miami” pode ser lembrado como o ponto de virada de um personagem que merece muito mais do que ficar sempre para trás.