O sexto episódio da 13ª temporada de Chicago PD, intitulado “Send Me”, entrega um caso sólido, com boas doses de tensão e dilemas morais, mas ainda sofre com o mesmo problema que vem afetando a série nas últimas temporadas: o desperdício do personagem Dante Torres (Benjamin Levy Aguilar).
Um episódio bom, mas não sobre Dante
Embora o episódio se construa em torno de Dante, a verdade é que ele mais uma vez serve apenas como peça de apoio para o caso da semana. A trama até oferece momentos de empatia e coragem — vemos Torres colocar a própria segurança em risco para salvar alguém —, mas o roteiro não se preocupa em aprofundar suas motivações ou explorar seu passado.
Dante é tratado como um personagem funcional: entra em cena para mover a história e sai sem deixar impacto emocional. Mesmo quando a narrativa sugere traumas pessoais ou culpa, esses temas são rapidamente descartados. Isso torna o episódio interessante como investigação, mas frustrante como desenvolvimento de personagem.
O contraste é ainda mais evidente quando comparamos Dante com Kevin Atwater (LaRoyce Hawkins). Ambos são personagens com potencial humano e social forte, mas que raramente recebem o tempo e a profundidade necessários. Chicago PD insiste em colocá-los em situações intensas, sem nunca permitir que o público realmente entenda quem eles são além da farda.

Boas ideias, pouco aproveitamento em Chicago PD
Apesar das falhas de caracterização, “Send Me” acerta em alguns pontos. O formato do episódio é ligeiramente diferente, permitindo ao ator Benjamin Levy Aguilar mostrar nuances de vulnerabilidade e desespero. Seu desempenho transmite bem a empatia de Dante — um policial que se importa genuinamente com as pessoas, mesmo quando isso o coloca em perigo.
Entretanto, o roteiro continua a girar em torno de Voight (Jason Beghe) e suas decisões moralmente ambíguas. Quando ele decide encobrir uma gravação comprometedora envolvendo Dante, o episódio reforça a velha dinâmica do chefe que protege seus subordinados, mas também perpetua o ciclo de silêncio e impunidade que já se tornou marca registrada da série.
É uma boa escolha dramatúrgica, mas previsível. Chicago PD continua sendo eficiente em criar tensão, mas peca em inovação. O resultado é um episódio envolvente, mas sem frescor — uma história que poderia estar em qualquer temporada da série.
Falta de conexão e de propósito
No fim, o episódio 13×06 sofre com o mesmo problema que vem atingindo Chicago PD: a falta de evolução emocional dos personagens. Nada que acontece muda Dante, nem o aproxima dos colegas da Unidade de Inteligência. Não há aprendizado, nem conflito duradouro. O episódio termina e a sensação é de que voltamos ao ponto de partida.
A direção e a fotografia, como de costume, mantêm o padrão técnico de qualidade, com um bom equilíbrio entre cenas de ação e momentos silenciosos de tensão. Mas o conteúdo emocional não acompanha o ritmo visual.
Mesmo quando o episódio tenta encerrar com uma nota reflexiva, o impacto é mínimo. Não há uma conclusão catártica, nem mesmo um pequeno avanço no arco de Dante — apenas a constatação de que ele continua preso em um ciclo de decisões impulsivas e histórias inacabadas.
Sobre o 13×06 de Chicago PD
Chicago PD 13×06 – “Send Me” é um episódio competente, mas esquecível. Funciona como caso isolado, mas falha como peça de desenvolvimento dentro da temporada. Benjamin Levy Aguilar faz o possível para dar vida a um personagem que o roteiro insiste em manter raso, e o elenco de apoio — especialmente Voight e Atwater — continua sustentando a série com carisma e consistência.
Contudo, fica a sensação de que Chicago PD precisa urgentemente repensar sua abordagem. Dante tem potencial para ser mais do que um policial problemático com bons instintos. O público quer vê-lo evoluir, errar, se redimir — e não apenas cumprir o papel de “mover o enredo”.
Em resumo, “Send Me” entrega um bom caso, mas deixa a impressão de que a 13ª temporada ainda está no piloto automático, sem coragem de arriscar narrativas mais profundas.