Chicago PD: 12×12 repete fórmula, mas é salvo por Dante Torres

O episódio 12 da 12ª temporada de Chicago PD, intitulado The Good Shepherd, traz novamente Dante Torres (Benjamin Levy Aguilar) como protagonista.

Desde sua introdução, Torres provou ser um personagem interessante, com camadas e conflitos internos que o tornam um dos mais complexos da série. No entanto, apesar da atuação impecável de Aguilar, o episódio acaba soando repetitivo e pouco inovador.

A trama parece uma reciclagem de histórias já vistas antes na franquia – e isso pode ser um problema para o desenvolvimento do personagem.

Mais do mesmo: um episódio sem novidades em Chicago PD

Desde os primeiros minutos, fica claro que The Good Shepherd segue um roteiro já conhecido pelos fãs de Chicago PD. Torres vai disfarçado para um centro de detenção juvenil, onde precisa descobrir quem está explorando sexualmente os internos.

Essa história lembra bastante o episódio I Remember Her Now (temporada 4, episódio 8), em que Jay Halstead se infiltrou em um local com a mesma dinâmica. A diferença? Agora é Torres quem assume o papel de investigador disfarçado, mas sem trazer nada realmente novo para a série.

A sensação de déjà vu não para por aí. O tema de abuso de menores já foi abordado diversas vezes no programa, inclusive recentemente, como no episódio Water and Honey desta temporada. Ainda que sejam tramas importantes, a frequência com que Chicago PD revisita esses casos sem grandes variações começa a desgastar a originalidade da série.

Benjamin Levy Aguilar carrega o episódio nas costas

Chicago PD 12x12 review
Imagem: Divulgação.

Se a trama em si não surpreende, a performance de Benjamin Levy Aguilar é o que mantém o episódio envolvente. Ele domina praticamente todas as cenas e transmite com precisão a carga emocional de Torres. Sua interpretação transmite angústia, dor e determinação, tornando cada momento seu na tela intenso.

Um dos pontos altos do episódio é a cena em que Torres revela sua identidade para Art Cervantes, um interno que inicialmente parecia suspeito, mas se revela uma vítima. O discurso de Torres, onde ele compartilha seu passado e o motivo pelo qual escolheu se tornar policial, é genuíno e emocionalmente poderoso.

Outro momento que poderia ter sido melhor explorado é o ataque de pânico que Torres sofre ao ficar preso em uma cela durante um lockdown. A série toca rapidamente na questão do trauma do personagem, mas o impacto poderia ter sido maior se a cena tivesse mais tempo para se desenvolver. Mesmo assim, Aguilar transmite o desconforto e a tensão de forma brilhante.



O que Chicago PD pode fazer com Torres no restante da temporada?

O maior problema do episódio não é apenas a trama reciclada, mas o fato de Chicago PD continuar insistindo em usar o passado de Torres como único aspecto relevante de sua história. Desde sua introdução, a série reforça sua origem difícil e o trauma de sua juventude, mas pouco mostra sobre como ele está evoluindo como detetive e como ser humano. Torres é um personagem forte e tem potencial para muito mais.

Um ponto interessante, porém, foi o aprofundamento da fé de Torres. A série raramente explora espiritualidade no contexto policial, e o episódio traz alguns momentos interessantes sobre como a crença de Torres molda suas decisões. No entanto, a cena final mostra ele saindo da igreja, aparentemente abalado pelo caso, o que pode indicar que ele está questionando sua fé.

O receio aqui é que a série siga pelo caminho clichê do “policial traumatizado que se perde no próprio abismo”. Essa narrativa já foi explorada à exaustão, e Torres merece um arco mais original. Ele poderia, por exemplo, encontrar apoio em outros personagens, como Kevin Atwater ou Kim Burgess, que já lidaram com traumas profundos.

Um episódio sólido, mas previsível

The Good Shepherd não é um episódio ruim, mas também não traz nada de novo para Chicago PD. A trama repete fórmulas já usadas antes, tornando a experiência previsível para os fãs mais atentos. O que salva o episódio é a excelente performance de Benjamin Levy Aguilar, que dá vida a Dante Torres com intensidade e emoção.

A grande questão agora é: Chicago PD vai continuar tratando Torres apenas como o “policial com um passado difícil” ou finalmente permitirá que o personagem se desenvolva além disso? Esperamos que a série aproveite o talento de Aguilar para explorar novas facetas de Torres – ele merece uma história tão rica quanto seu potencial sugere.



Chicago PD: 12×12 repete fórmula, mas é salvo por Dante Torres
SOBRE O AUTOR
Anderson Narciso
Criador do Mix de Séries, atua hoje como redator e editor chefe do portal que está no ar desde 2014. Autor na internet desde 2011, passou pelos portais Tele Séries e Box de Séries, antes de criar o Mix. Também é criador e editor do portal Folha JF, projeto regional voltado para Juiz de Fora e região. Séries favoritas da vida: One Tree Hill, Friends e ER.