A série Cilada, nova aposta da Netflix baseada na obra de Harlan Coben, conquistou o público com sua narrativa cheia de reviravoltas, mistérios e um caso central devastador: a morte de Martina Schulz.
Durante boa parte da trama, os suspeitos se acumulam, pistas se contradizem e até o espectador mais atento é levado a crer que já sabe quem é o culpado. Mas a série guarda sua maior reviravolta para o final. Afinal, quem matou Martina?
O início do mistério: tudo apontava para Leo
A protagonista, Ema Garay, é uma jornalista investigativa determinada a expor um predador que usa jogos online para aliciar garotas menores de idade. Sua busca a leva até Leo, um homem aparentemente íntegro, dono de uma fundação para jovens em Bariloche — e também padrinho de uma das vítimas. Ema chega a se envolver romanticamente com ele, mas tudo muda quando Leo surge em um dos locais investigados e provas comprometedoras são encontradas em sua casa.
Quando o corpo de Martina é encontrado na floresta, com o celular dela escondido na mochila de Leo, a polícia fecha o cerco. Para todos os efeitos, Leo é o assassino. Mesmo Ema, apesar das dúvidas, publica a matéria que o condena. Mas o que parecia um caso encerrado, estava longe de ser solucionado.
O verdadeiro culpado: a verdade vem à tona
O grande ponto de virada em Cilada vem quando uma amiga de Martina entrega anonimamente a Ema um pen drive com informações comprometedoras. Nele, Martina aparece usando um nome falso em uma plataforma de conteúdo adulto, revelando que viajou a Buenos Aires a convite de Fran Briguel, um empresário poderoso com histórico de exploração sexual.
Briguel, apesar de confirmar que encontrou Martina, diz ter um álibi para a noite do assassinato. Sem provas contra ele, a polícia não age. Mas novas descobertas levam Ema até Marcos, antigo amigo de Leo, que admite ter usado Martina como parte de um plano para incriminar Leo e tomar posse da fundação onde ele trabalhava.
Marcos, no entanto, não matou Martina. A verdadeira resposta está dentro da própria família de Leo.


O responsável pela morte de Martina: Armando
A pista definitiva surge com uma foto: Martina usando um “bindi” (acessório na testa) na noite da festa onde tudo começou. Ema reconhece o cenário da foto na casa de Juliana, ex-mulher de Leo, e mãe de Armando. É aí que toda a verdade vem à tona.
Martina foi levada por Armando para sua casa após a festa. Lá, os dois ficaram juntos. Mas ao ver o vídeo de Ema acusando Leo, Martina entra em pânico — e revela que foi usada por Marcos para armar uma cilada. Desesperado, Armando a empurra, acidentalmente, escada abaixo. Martina morre na hora. Juliana, ao chegar e ver o que aconteceu, decide proteger o filho: esconde o corpo e planta o celular da jovem na mochila de Leo, fazendo com que ele leve a culpa.
O desfecho: justiça (enfim) é feita?
No final de Cilada, Armando decide contar a verdade. Pressionado pela própria consciência e por Ema, ele se entrega à polícia. Juliana tenta defendê-lo até o fim, mas não consegue mais esconder a culpa. A confissão de Armando não apenas inocenta Leo (mesmo após sua morte), como também oferece um mínimo de justiça à família de Martina, que finalmente entende o que aconteceu com a filha.
O final de Cilada não é exatamente feliz, mas é profundamente humano. Ele expõe os mecanismos de poder, culpa e silêncio que cercam crimes como o de Martina — e também reforça a importância da persistência pela verdade, mesmo quando ela parece impossível de alcançar.
A pergunta “quem matou Martina Schulz?” é respondida com coragem, e o acerto de contas final é tão trágico quanto necessário.