Cinco produções britânicas de 2017 que você deveria assistir o quanto antes

Imagem: ITV/Divulgação (03); Channel 4/Divulgação;

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É possível que num determinado momento da sua vida de amante da televisão você tenha pensado – ‘Será que eu não deveria assistir mais séries fora dos Estados Unidos?‘ – se tal questionamento fosse feito para este que vos escreve, a resposta seria, sem sombra de dúvidas, sim.

Produções brasileiras, argentinas, chilenas, mexicanas, dinamarquesas, sul-coreanas e, principalmente, inglesas, deveriam estar na sua lista. Sabendo dessa necessidade de trazer mais diversidade para sua lista de final de ano, resolvemos listar verdadeiras joias da televisão britânica que foram levadas ao ar em 2017, mas que pouca gente, infelizmente, assistiu.

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Liar

Talvez a melhor minissérie lançada em 2017 em todo mundo, Liar é o que você, eu e todos precisam assistir num momento que os homens, ou melhor, predadores, são forçados a encarar o que fizeram no verão passado em relação ao tratamento, ou a falta, dado a mulheres.

Imagem: ITV/Divulgação

Com um casal de protagonistas de ponta, Joanne Froggatt (a Anna de Downton Abbey) e Ioan Gruffudd (o Herny de Forever ou o Sr. Fantástico de uma das inúmeras versões do Quarteto Fantástico), o telespectador é convidado a ser desafiado logo no primeiro episódio. Será que ele estuprou ela mesmo? Quem está mentindo?

Tais perguntas vão e voltam a cada revelação, a cada reviravolta e a cada diálogo que o telespectador enxerga de outra maneira. Você se vê confuso entre um lado que diz – ‘sempre acreditar e nunca duvidar da mulher‘ – com o outro lado que lembra que o devido processo legal é importante para que não haja injustiças.

Enquanto todos os questionamentos morais estejam lá, o drama não abre mão de uma excelente construção de tensão, de mistérios coerentes e sólidos, além de atores que sabem como entregar as nuances e as “áreas cinzentas” que seus personagens trazem consigo.

Fearless

Para minha tristeza, nenhuma série que saiu do país em 2017 conseguiu ou foi capaz de trazer a agonia, a ansiedade e a perplexidade de muitas comunidades britânicas perante o fantasma do Brexit, saída do Reino Unido da União Europeia, marcada, pelo menos no momento para o primeiro semestre de 2019.

Imagem: ITV/Divulgação

Mesmo acreditando que um programa de ficção consiga capturar tais sentimentos em 2018, Fearless foi a minissérie mais contemporânea, mais atrativa e apelativa aos olhares dos telespectadores que buscavam um pouquinho mais de realidade sem precisar assistir Andrew Marr ou Sophie Ridge aos domingos.

Com a lendária Helen McCrory (Peaky Blinders e Penny Dreadful) à frente, a produção não foge de temas polêmicos – refugiados, direitos humanos, limites de vigilância do Estado nos seus cidadãos em troca de “sensação” de segurança, suicídio e até mesmo os diversos casos de estupros, assédios e abusos nas forças armadas.

Parece interessante? Então espere só até vocês descobrirem que durante a conclusão da trama, o roteiro cria uma trama política tão boa, tão interessante, tão inteligente e redondinha que você vai ficar, assim como eu, pedindo por mais. Adoro Tony Blair, ao meu ver, foi um dos melhores a comandarem o Reino Unido na história, mas usa-lo como saco de pancadas no final também valeu a pena.

The Loch

Dentre os maiores destaques da televisão britânica de 2017, The Loch é aquela que mais resgata aquele formato clássico de série investigativa que imperou durante toda a televisão mundial durante a década de 1970 e 1980. Diria até que consegue atrair a atenção daqueles telespectadores mais nostálgicos em razão dessas referências.

Imagem: ITV/Divulgação

Entretanto, não estou aqui para dizer que você deveria assistir essa minissérie porque traz o romantismo da televisão do passado. The Loch é melhor do que isso. Além de sair de Londres e dos centros populacionais da Inglaterra, ao focar em pequenas cidades da Escócia, o drama consegue administrar dois objetivos – ao mesmo tempo que não deixa de lados ferramentas utilizadas e reutilizadas, temos novidades criativas que deixarão o telespectador surpreso.

Com uma narrativa ágil, diálogos deliciosamente inteligentes e uma fotografia simplesmente maravilhosa, o que mais me atraiu aqui foram as protagonistas. Siobhan Finneran (a temida Sra. O’Brien de Downton Abbey) e Laura Fraser (de The Missing) tornam The Loch inesquecível, principalmente depois que você assistir aquele final e perceber que sim, o responsável pelo crime era alguém que você não esperava.

Rellik

Provavelmente a mais pesada e obscura de toda essa lista de séries britânicas, Rellik não foi feita para ser uma minissérie fácil, bonita, elegante ou traga uma mensagem otimista da vida na sua conclusão. Na verdade, o objetivo aqui é exatamente o contrário.

Imagem: BBC One/Divulgação

Se você é um daqueles telespectadores que gosta de assistir determinada série pela força e qualidade do protagonista, esse é o seu programa – haja vista que Rellik está inteiramente apoiada no seu protagonista, mais precisamente no trabalho de Richard Dormer, um dos coadjuvantes de Game of Thrones que nesse texto encontra uma das oportunidades de mostrar seu vasto talento.

Seria leviano da minha parte não lembrar que o roteiro traz uma estrutura narrativa bem interessante ao ser contada ao contrário, ou seja, de trás para frente. Não pense que é da mesma forma que Pete Nowalk faz com How To Get Away With Murder, pois o que temos aqui é incrivelmente mais ousado e bem desenvolvido. É verdade que vocês precisarão prestar atenção a cada detalhe, mas vale cada minuto.

White Gold

Pode parecer difícil num momento que o movimento #MeToo (Eu também) se espalha pelas mais variadas áreas do entretenimento, da mídia e da política, mas vamos falar de White Gold sem prestar atenção em tudo que seu protagonista, Ed Westwick, fez na sua vida particular. White Gold é mais divertida, charmosa, interessante e bem bolada do que uma atitude nojenta de Westwick.

Imagem: BBC One/Divulgação

Dito isso vamos ao que interessa que é a proposta da comédia e o porquê você deveria assisti-la. De acordo com a Netflix, responsável por disponibilizar a produção para os assinantes brasileiros, temos três colegas que estão dispostos a fazer qualquer coisa, numa lojinha que eles comandam na Inglaterra dos anos de 1980, para encontrar a prosperidade.

A sensação é que você já assistiu esse tipo de história antes, não é mesmo? Pois bem, confesso que também tive esse pensamento quando comecei a assisti-la. Felizmente, logo nos primeiros minutos a minha percepção mudou rapidamente. Com um humor único que só os britânicos sabem trazer numa produção, os personagens são deliciosos e a história tem ritmo.

Outra coisa boa? A primeira temporada tem apenas seis episódios. Dê uma chance e não lembre, por favor, de Ed Westwick. O trabalho que a BBC One, dos roteiristas, dos diretores e do elenco coadjuvantes é maior e melhor do que a incapacidade do ator de manter suas calças fechadas.

Menções honrosas: Gunpowder, Taboo, Peaky Blinders, Blue Planet II, Catastrophe e a 8ª temporada de The Great British Bake Off (primeira no Channel 4).

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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