Class – 1×02 – The Coach with the Dragon Tattoo

Imagem: Banco de Séries

Imagem: Captura de Tela/Reprodução

“So is no-one going to ask about the robot?”

Class segue sua trama muito calmamente para rumos desconhecidos, mas com escolhas mais que certas. Gostei de que a série tenha adotado uma estética parcialmente capitular, abordando os problemas que cercam os membros do grupo e de como esses problemas afetam o desempenho do grupo ao enfrentar as mais variadas ameaças. Na verdade, monstros e assassinatos deixados de lado, achei que “The Coach With the Dragon Tattoo” serviu como uma drama (familiar) muito bom, misturado a um tipo de bildungsroman que funcionou muito bem.

Foi um episódio inteiramente focado nos traumas impressos em Ram e sobre como ele precisa lidar com isso para conseguir salvar o grupo, e isso foi apresentado de maneira tão intensa e brutal quanto possível. Cada um de nós conseguiu sentir claramente a dúvida, o pavor e o sentimento de impotência que Ram teve durante todo o tempo. A trama foi amarrada de uma maneira que pudéssemos não só compreender, mas sentir o mesmo que o garoto sentiu, e isso foi uma sacada brilhante do texto da série.

A estruturação do técnico Dawnson como uma figura de liderança/paternal para Ram e a desconstrução disso para culminar com aquela conversa linda de Ram com o pai no fim do episódio… Ver o garoto desmoronar e depois, mesmo não tendo superado ou melhorado de tudo o que passou, conseguir recuperar a sua preocupação com o valor da vida humana alheia foi lindo. Realmente Class soube fazer bem aquilo que se propôs.

Continua após a publicidade

É claro que o episódio foi bem mais cruel e aterrador do que somente naquilo que se focava em Ram. Na verdade, a cada morte, a cada ataque mais e mais cruel da criatura, mas ficava o medo e a ideia de impotência. Nós, assim como os garotos, não seriamos capazes de encontrar outra saída na situação, e essa realização é ainda mais apavorante do que um lagarto/dragão que esfola as presas vivas.

Na verdade, já que pensamos em adensamentos, gostei muito de como a relação de Tanya e Ram foi colocada no centro das coisas. Eles são a dupla mais improvável, não só de conviverem um com o outro, mas de fazerem parte do grupo. A ideia de que eles se apoiem um no outro e se compreendam, mesmo com tantas discordâncias, é perfeita para o todo da trama, e rendeu momentos muito bons.

Densidade dramática a parte, a série também soube muito bem continuar a inserir seus alívios cômicos. O momento de Charlie, Tanya e April discutindo na escada sobre entender o que Ram está passando e sobre o nome para a fenda no espaço-tempo – além dos momentos de Ram fumando, que não foram cômicos, mas me identifiquei com eles mesmo assim – ajudaram a suavizar um pouco o terror que se seguiu.

Imagem: Arquivo Pessoal

Imagem: Captura de Tela/Reprodução

E já que o assunto é alívio cômico, não há nada melhor do que Quill se pegando com um robô e ninguém questionando isso. A ideia de que os Governantes estão envolvidos em mistérios mais profundos – afinal, robôs inspetores? Coal Hill decididamente não é um lugar tedioso – só garante que a trama central da série ainda tem muitas surpresas para nós.

No geral, Class nos entregou um segundo episódio muito bom, que soube dar seguimento aos eventos do baile, discutir problemas adensar a construção de seus personagens e manter um ritmo narrativo excelente. Os momentos de Quill foram impagáveis de tão hilários e todos os momentos do #TeamTeen conseguiram continuar com o imediatismo esperado sem perder em nada na qualidade. Com toda certeza o universo Whovian agregou um novo sucesso que, por sinal, continua embalado numa trilha sonora maravilhosa.

 

Homework 1: Tirando o fato de que era uma tatuagem enorme que na verdade era um alien assassino, a “paisagem” era muito boa.

Homework 2: Hackear a UNIT? Essas associações com a série principal dão um tom meio Torchwood a série. Gostei, mais ainda porque Tanya é a líder dessa parte da trama. Quero vê-la trabalhando com a agência.

Homework 3: As observações de Quill sobre a humanidade só melhoram, não só por ficarem mais cruéis, mas por serem uma visão bem justa da nossa raça como ela seria entendida atualmente por qualquer forma de vida alienígena inteligente.

Tags Class
Richard Gonçalves

Richard Gonçalves

Estudante de Letras, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em séries desde sempre. Fã de carteirinha de Doctor Who, House, Battlestar Galactica, Sherlock, 24 Horas, The Borgias, Penny Dreadful, E.R. e Lost. Aqui no Mix de Séries é editor de reviews, além de escrever as reviews de Marvel's Jessica Jones, Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. e The Originals.

No comments

Add yours