Class – 1×03 – Nightvisiting

Imagem: Banco de Séries

Imagem: Captura de Tela/Reprodução

“Nightvision”, terceiro capítulo de Class, segue a dinâmica apresentada no episódio anterior – abordar uma história que vá se relacionar com um dos protagonistas, usando um dos muitos tipos de narrativa dos quais a série se vale, amarrando toda a história com a história do grupo e sua luta contra os aliens. A escolhida da vez foi Tanya, o que faz sentido, considerando que a moça é talvez a mais próxima de Ram, que protagonizou o episódio anterior.

A construção dessa trama em particular foi muito bem feita. Afinal, aqui não partimos só do que já sabíamos no episódio anterior; aqui ainda conhecemos muito pouco sobre a relação de Tanya com seu pai, e mostrar isso nos primeiros segundos do episódio, num tour meio deprimente pela felicidade e depois tristeza da garota (completo com uma aparição do pai) foi uma escolha excelente da produção.

É claro, a surpresa ficou a cargo da natureza dessa aparição. Primeiro pensei se tratar de uma manifestação do subconsciente coletivo, como quando conhecemos o Dreamlord em Doctor Who. Depois, considerei a possibilidade de ser algo ligado à Grande Inteligência, novamente pensando em Doctor Who. Mas gostei que a escolha da série tenha me provado errado. Gostei muito mais dessa criatura de múltiplos tentáculos – meio Cthulhu, meio N’zoth, numa combinação de Lovecraft, Blizzard e muito gore.

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Nesse meio tempo, a ideia de adensar um pouco o drama das outras tramas, fugindo parcialmente da estética mais capitular que estava se apoderando da série. Matteusz acabar expulso de casa, Ram procurando Tanya (e não o contrário) e April se afogando em sua música novamente só mostram que o potencial meio family drama da série, uma trama mais densa e adulta que nos deixa cada vez mais curiosos para desvendar esses mistérios.

Falando em April, embora ache prematuro partir para a história da garota agora, essa noção de estar eternamente em guerra consigo mesma… há tanta paixão, tanta força e, ao mesmo tempo, tanta melancolia na maneira que ela fala que cada dia acho mais que ela sim esconde mais do que a trama tem dado a entender. Um lado sombrio dela seria algo que renderia um bom episódio.

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Divagações a parte, é claro que não poderia faltar um momento de alívio cômico. E não qualquer um. Tenho notado cada dia mais que a série desperdiça a oportunidade gigante que é roubar uma página do livro do Doctor e mostrar mais os dois rhodianos aprendendo a nossa cultura pop. É um espaço para crítica brilhante que outras séries souberam transformar em puro brilhantismo narrativo – Sim, estou falando de Black Mirror. Mesmo assim, a série consegue transformar cenas desse choque entre as culturas em verdadeiras pérolas. Quill lendo Hunger Games e se perguntando se isso realmente aconteceu foi uma das melhores cenas da minha semana.

Nesse meio tempo, apresentar as tramas paralelamente continuou muito bem. Vimos Charlie e Matteusz ironicamente aproveitarem enquanto “o mundo acabava”, literalmente. Vimos Ram poder enfrentar mais um pouco de seus fantasmas e vimos até mesmo a poderosa Quill ser tentada pelo seu desejo de vingança. Os Lankins são decididamente uma raça que eu não gostaria de encontrar… Mais ainda quando o episódio tem tantas referências a Romero e seu trabalho com zumbis; a realidade já é meio descerebrada o suficiente sem precisar temer esse tipo de futuro.

Bom, pelo menos, em caso de encontrar com algo assim, espero contar com Quill. Depois de muito enrolar, mostrar que a rhodiana só estava esperando uma forma para contornar as leis do parasita em seu cérebro para começar a “esculpir” o Lankin simplesmente foi perfeito. “Get a very big knife. No, wait. Get two.” é outra frase perfeita, que o príncipe conseguiu (mais uma vez) estragar. Mesmo que Quill seja uma potencial sociopata perigosa, espero que ela se livre logo do parasita – e aqui incluo o príncipe e o Anh – para que ela comece realmente a mostrar do que é capaz. O “No-one disgraces the memory of my sister by making her nice.” dela já me garantiu que seria pelo menos… divertido ver Quill no máximo de suas habilidades. Afinal, se controlada ela consegue jogar um ônibus nos problemas, livre a situação será, no mínimo, nuclear.

Como um todo, foi mais um bom episódio. Forçar essa aproximação de Ram e April era até previsível, mas chegava a ser tão sem sentido que simplesmente desconsiderei a possibilidade. Espero que eles não errem aí. Matteusz e Charlie parecem mais acertados do que nunca, mas acho que isso não sobreviverá a evil April do próximo episódio, muito menos ao que parece ser o retorno de Quill a seu estado mais letal.

 

Homework 1: Brilhante a ideia de trazer, na véspera do Halloween (o episódio foi ao ar em 29/10/2016) uma trama que foca-se num terror mais visceral, combinando elementos da paranoia xenófoba clássica que dominou o cinema-terror em décadas passadas com esse clima Invasion of the Body Snatchers.

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Richard Gonçalves

Richard Gonçalves

Estudante de Letras, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em séries desde sempre. Fã de carteirinha de Doctor Who, House, Battlestar Galactica, Sherlock, 24 Horas, The Borgias, Penny Dreadful, E.R. e Lost. Aqui no Mix de Séries é editor de reviews, além de escrever as reviews de Marvel's Jessica Jones, Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. e The Originals.

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