Class – 1×04 – Co-Owner of a Lonely Heart

Imagem: Arquivo Pessoal

Imagem: Captura de Tela/Reprodução

Class segue como uma surpresa agradável numa Fall Season cheia de tantas coisas incomuns e, em “Co-Owner of a Lonely Heart” a série tomou um rumo que eu não esperava, de uma maneira ainda mais inesperada, mas obtendo o resultado ao qual já nos acostumamos: um excelente trabalho.

Apesar de ter deixado claro que sua estrutura será “capitular”, focando-se na vida de um personagem e colocando seus dilemas e dificuldades como uma quest para todo o grupo – tudo isso temperado com largas doses de family drama – resolver, e mesmo estando na cara que Charlie e Quill serão as estrelas dos episódios finais, não esperava que este fosse o episódio de April. E mesmo aceitando tal possibilidade, não achei que seria a ligação da moça com Corakinus que desencadearia todo o problema; afinal, já lidamos com o Shadow Kin na premiere, e acho seguro assumir que eles retornarão para a finale, parecia ilógico também dar a eles um desses “capítulos”.

Mas assim como é com Doctor Who, Class tem seu próprio jeito de me provar errado. Simplesmente adorei que a magnitude da ligação de April com Corakinus não tenha sido apresentada como algo demorado ou que só fosse centralizado a trama mais para o fim do episódio. Ver a fúria da moça tocando, vê-la se regenerar, experienciar – junto com a “turma” – todas as mudanças sutis, porém muito perceptíveis da garota desde os primeiros instantes contribuiu para a atmosfera de imediatismo que circula o episódio – e a série.

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Entretanto, enquanto começamos a ter noção do drama familiar que será cenário para os problemas de April, Matteusz (e mais tarde no episódio, Quill) descobriu a verdade sobre Cabinet of Souls. E embora todas as cenas envolvendo Matteusz tenham sido meio suspeitas – afinal, mesmo com tudo o que aconteceu, ou talvez exatamente por causa de tudo o que aconteceu, não acho que seja a ação mais racional para um humano, sair mexendo nas coisas do namorado alienígena – confesso que não imaginava que o rapaz começaria a ser alvo das minhas suspeitas, nem que fosse por causa dele que Quill fosse descobrir a verdade.

E falando em Quill, mais alguém está absurdamente curioso para saber como esse side plot dos Governors será resolvido? Cada dia mais essa ideia de explicar os mistérios de Coal Hill com uma sociedade secreta de sei lá o que com acesso a robôs parece se encaixar perfeitamente no quão misteriosa é a atmosfera da escola, mas só recebemos esses pequenos fragmentos de informação… É complicado até para se formular teorias… O que é super injusto com Quill, uma das melhores personagens que fica forçada a servir ao príncipe ao invés de ir a fundo nesse mistério.

Nesse meio tempo (e já que falamos em “servir” o príncipe), gostei de como a série se esforçou para naturalizar a presença de Matteusz junto aos membros do grupo – o que só aumentou as minhas suspeitas com relação ao rapaz. A cena que ele compartilhou com Tanya, além de ser um alívio cômico excelente, serve para lembrar-nos do que ela é a mais jovem do grupo, tirando um pouco do peso dramático que ficou associado a ela devido aos eventos do episódio passado.

É claro que toda a minha divagação perde o sentido quando April tem o seu primeiro “ataque”. Ver a garota destilar toda a violência e arrogância tirânica de Corakinus durante a aula – mais ainda quando cai a ficha de que a ambientação da série é a Londres moderna, que está imersa em questões ligadas à “herança” das Guerras – foi ao mesmo tempo intenso e aterrorizador. Eu até entendi a série não ter colocado nenhuma reação a mais da professora ou da turma, porque eu, olhando a situação “de fora” e sabendo que é uma obra de ficção, não saberia como reagir, imagine eles.

Infelizmente, a necessidade de “polarizar” as narrativas, para que tudo seja contado no espaço que se tem, acabou prejudicando um pouco o episódio nessa parte. Ram e April pareceram muito “casalzinho” muito instantaneamente. E mesmo que ache necessário mostrar o quanto Charlie é meio muito bocó e que o que ele está fazendo com Quill é sim escravidão, inserir uma cena em que isso fique claro para nós e para Tanya entre os dois momentos Shadow Kin de April decididamente não foi uma boa escolha. Talvez a melhor parte tenha sido ver o quanto Corakinus também é afetado pela ligação com April. Ver o comportamento, as emoções e os desejos do tirano serem igualadas as da adolescente foram uma ironia cruel, mas muito divertida – mesmo que a série não tenha construído a relação usando humor.

Talvez para consertar isso é que as sequências seguintes aconteceram. A mãe de April flagrá-la com Ram foi um alívio cômico e uma porta de entrada para um drama familiar mais teen e completamente diferente do que fomos levados a crer que veríamos. E as sequências de Tanya, Matteusz e Charlie e da nova Diretora e Quill? Sensacionais! Gostei (mesmo que ainda suspeite dele) que Matteusz tenha confrontado a moralidade do príncipe e ADOREI que a nova Diretora tenha mostrado que sabe tudo e mais um pouco sobre Quill e sua turma e, que está disposta a conceder o que a nossa evil girl tanto merece: a liberdade do controle de Charlie.

Como um todo, “Co-Owner of a Lonely Heart” foi gigantesco, cheio de novas informações e deixou todos nós destruídos com esse cliffhanger. Não consigo decidir se curar a mãe ou se abrir uma fenda e simplesmente ir para o planeta do tirano superpoderoso e seu exército de aliens de sombra quase indestrutíveis foi a parte mais surpreendente, mas uma coisa é certa: o próximo episódio será imperdível.

Homework 1: Só eu achei que essa diretora nova tem um ar meio Dolores Umbridge?

Homework 2: A fala de April, de que a “resolução” dos problemas deles têm envolvido muito pessoas morrerem sugere que mais alguém morrerá até (ou na) finale. Acho que será a própria April, embora a parte má de mim torça para que seja Charlie.

Homework 3: Todo esse papo da nova Diretora sobre John’s e Smith’s me pareceu uma referência (linda) à terceira temporada da série atual de Doctor Who, quando o Doctor acaba preso no passado e adota o nome de John Smith.

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Richard Gonçalves

Richard Gonçalves

Estudante de Letras, apaixonado por quadrinhos, música e cinema. Viciado em séries desde sempre. Fã de carteirinha de Doctor Who, House, Battlestar Galactica, Sherlock, 24 Horas, The Borgias, Penny Dreadful, E.R. e Lost. Aqui no Mix de Séries é editor de reviews, além de escrever as reviews de Marvel's Jessica Jones, Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D. e The Originals.

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