Como entender a audiência americana

audiência

 

Olá pessoas!

fall season chegou! Aquele momento em que você dorme pouco, come muito, se diverte e sofre, se sua série for cancelada, ou comemora, se sua série for renovada.

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Uma grande variável da definição sobre a renovação ou cancelamento das séries é a audiência. Muita gente não tem ideia de como funciona a audiência americana, e como números, supostamente tão grandes, podem fazer a série alavancar ou afundar. Nada mais justo que nós expliquemos para vocês como funciona a audiência americana.

A primeira coisa que devemos falar é que a audiência americana é medida diferente da brasileira. Aqui, em terras tupiniquins, quem faz a medição da audiência é o IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), nos Estados Unidos, a medição fica a cargo da Nielsen Media Research, que faz esse serviço desde 1950.

Aqui no Brasil, o IBOPE faz a amostragem. Para fazer o cálculo, eles escolhem um número x de casas. Nelas, eles usam um aparelho, chamado Peoplemeter, que grava o canal que a televisão está sintonizada em tal horário. Para isso, cada morador deve se identificar por meio de um controle remoto especial, dado a quem tem o Peoplemeter em casa. A partir do log, o aparelho registra o horário que a TV é desligada, os canais assistidos, as trocas de canais e quanto tempo a pessoa assistiu x canal. Já nos Estados Unidos, essa medição é feita com base em coletas diárias e coletas em datas pré-programadas, também chamada de sweeps. A diária é medida através dos mesmos aparelhos usados no Brasil, já as sweeps utiliza-se da pesquisa escrita. Por mais que a coleta diária seja algo que mostre à audiência como anda o seu show preferido, a pesquisa pré-programada dá as emissoras um retorno à longo prazo dos seus programas, sendo definido o espaço publicitário das emissoras, por exemplo.

Para explicar mais claramente, vou dividir a explicação dos números em três partes: rating, share e viewers. O rating – também chamado de demo – e o share não representam um número milionário, e sim porcentagens. Por exemplo, se a audiência da série mostrou 4.6 de rating e 13 de share, isso que dizer que, no momento em que era exibida, e usando um público-alvo com 18-49 anos, 4,6% do público-alvo assistia ao programa e 13% dos televisores ligados assistiam ao programa. Lembrando que o Nielsen estabelece que 1.0 de rating (1%) equivale a 1.158 milhão de residências.viewer é a quantidade, em milhões, de telespectadores. Os viewers sozinhos não definem o cancelamento ou a renovação de determinada série. Já a demo, ou rating, é extremamente importante para uma série deslanchar ou flopar.

Outros fatores importantes são os dias e horários que sua série vai ser exibida. O horário 20-22h é o mais disputado na grade das emissoras, por ser o horário onde a grande parcela dos telespectadores estará em casa. Dentro dessa timeslot, existem horários mais disputados que outros. Por exemplo, é muito mais disputado uma série ser exibida no timeslot das 20h do que uma outra que é exibida as 22h. Para a ABC, por exemplo, uma série, que é exibida às 20h, com um rating acima de 2.0, é um sucesso. Já nos dias da semana, sexta e sábado é o dia menos lucrativo para as emissoras, pois são esses dois dias da semana que há um decréscimo na audiência de todas as emissoras, por isso não se impressione se sua série, que é exibida na sexta-feira, estiver com a audiência baixa. Agora, pode começar a se preocupar se sua série for transferida para as sextas-feiras. Isso pode indicar que ela está a dois passos da extinção.

Vamos analisar a audiência do dia 25 de novembro de 2013, uma segunda-feira. Foram selecionadas três séries para analisarmos a audiência: Almost Human, Mike & Molly e The Blacklist.

 

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Almost Human sempre foi uma inconstante na grade da Fox. Tanto que foi cancelada por conta de sua baixa audiência. No dia pesquisado, ela competia com nada mais, nada menos que The Voice, How I Met Your Mother, Dancing With The Stars e Hart of Dixie. Ela terminou a noite com 6.56 milhões de viewers, 1.9 de demo e 5 de share. Significa que, para o universo de pessoas dentro da faixa etária 18-49 anos, cerca de 2.2 milhões de pessoas assistiram ao programa, e 5% das TV ligadas naquele horário assistiram à série.

Já Mike & Molly é um dos grandes sucessos da CBS. Nesse dia, ela competiu com Sleepy Hollow e Beauty and the Beast, e sambou na audiência para o seu horário: 8.43 milhões de viewers, 2.5 na demo e 6 de share. Traduzindo, tivemos 2.89 milhões de pessoas, dentro da faixa etária da pesquisa, que assistiram ao programa, e 6% das televisões ligadas naquele horário assistiram à série.

The Blacklist, desde o início, se mostrou uma pedra no sapato dos seus concorrentes. Nesse dia, ela competiu pelo horário com Castle e Hostages. Venceu as duas com larga vantagem: 10.83 de viewers, 3.0 de demo e 8 de share. Ou seja, cerca de 3,47 milhões de pessoas, na faixa etária 18-49 anos, assistiram ao programa, enquanto 8% dos televisores ligados naquele horário estavam sintonizados na NBC.

Como vocês viram no caso de The Blacklist, por mais que Castle tivesse mais viewers que a série de Raymond Reddington, o que conta é a quantidade de pessoas que estavam sintonizadas no canal durante o tempo de exibição.

Espero que vocês tenham entendido a tão temida audiência americana, e continuem a nos acompanhar durante nossas colunas sobre a audiência americana!

Até mais! o/

Fontes de Pesquisa: TVByTheNumbers, Nielsen, Fernanda Furquim e TeleSéries.

Ana Maria de Oliveira

Ana Maria de Oliveira

Jornalista e uma decepção como digital influencer e youtuber. Desde 1993 sendo trouxa e shippando quem não deve. Aqui no Mix de Séries é editora e tradutora de notícias e escreve reviews de The Last Ship e The Rookie.

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