A nova série da Netflix, Como um Relâmpago, revive um dos episódios mais chocantes da história política dos Estados Unidos: o assassinato do presidente James Garfield em 1881. A trama mergulha na mente perturbada de Charles Guiteau, o homem que tirou a vida do 20º presidente americano, mostrando como sua ambição frustrada e suas convicções distorcidas se misturaram a um cenário político conturbado, resultando em uma tragédia que mudou o país.
A obsessão de Guiteau e o sistema de favores
Em Como um Relâmpago, para entender por que Guiteau matou Garfield, é preciso olhar para o sistema político da época. O “spoils system” era uma prática comum nos Estados Unidos do século XIX: quem ajudava um político a vencer ganhava cargos públicos como recompensa.
Guiteau acreditava firmemente que tinha contribuído para a eleição de Garfield com um discurso de campanha e, por isso, exigia um cargo de prestígio em seu governo. Convencido de que o sucesso de Garfield era resultado direto de sua “ajuda”, ele começou a pressionar membros da administração, pedindo uma posição como cônsul em Viena, e depois, em Paris.
Sem dinheiro e vivendo de favor em pensões que não pagava, Guiteau insistia diariamente em ser atendido. Chegou a incomodar repetidas vezes James Blaine, então Secretário de Estado, até que um dia ouviu a frase que mudaria tudo: “Nunca mais me fale sobre o consulado de Paris enquanto viver.” Aquilo foi o estopim para sua frustração.
A loucura por trás da política em Como um Relâmpago

Rejeitado e humilhado, Guiteau passou a acreditar que Garfield era inimigo do sistema de recompensas e, portanto, uma ameaça à própria estrutura política do Partido Republicano. Em um delírio crescente, ele concluiu que a única forma de “salvar” o partido seria eliminar o presidente.
Pior ainda, convenceu-se de que Deus o havia escolhido para cumprir essa missão. Assim, em 2 de julho de 1881, Charles Guiteau atirou em Garfield em uma estação de trem em Washington D.C., acreditando estar prestando um serviço à nação.
Como um Relâmpago apresenta essa história não apenas como um crime político, mas como o retrato de uma mente tomada por delírios de grandeza e de um sistema político em crise. O assassinato de Garfield acabou marcando o fim do “spoils system” e reforçando a necessidade de reformas administrativas nos Estados Unidos — um legado sombrio de um ato nascido da loucura e da vaidade.