Conclave História real do filme: o que é verdade e mentira?

Conclave chamou a atenção do público no início do ano ao concorrer diversas categorias no Oscar 2025 – o longa, aliás, foi vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. E agora, ele chegou com força ao streaming, ganhando um impulso ainda maior após a morte do Papa Francisco.

Sendo um dos títulos mais vistos no Prime Video atualmente, muita gente está se perguntando: o que é real e o que mentira no filme Conclave? E como é o processo real da escolha de um novo papa?

Estrelado por Ralph Fiennes, Stanley Tucci, John Lithgow e Isabella Rossellini, Conclave se passa após a morte fictícia do Papa e acompanha o tenso processo que define o novo líder da Igreja Católica. Misturando conspiração, drama e rituais centenários, o longa mergulha nos bastidores de um dos eventos mais secretos do mundo moderno.

Mas será que tudo ali é real? Abaixo, destrinchamos o que o filme mostra corretamente e o que é licença poética.

História real de Conclave: o que é verdade e o que é mentira?

Conclave Movie
Imagem: Divulgação/Prime Video.

✅ Sim, os cardeais são isolados do mundo exterior

Um dos pontos mais fiéis ao processo real mostrado em Conclave é o isolamento dos cardeais. Assim que o oficial do Vaticano declara “extra omnes” (em latim, “todos para fora”), os cardeais ficam enclausurados e proibidos de receber qualquer tipo de informação externa. Eles podem interagir entre si, mas não têm contato com o mundo lá fora até que um novo Papa seja eleito com dois terços dos votos.

No entanto, diferente do que o filme sugere, alguns oficiais ainda têm permissão para circular entre áreas, atuando como emissários — mas dificilmente com funções investigativas, como ocorre na trama do longa.

✅ Eles realmente dormem no Vaticano, mas sem tanto glamour

Os cardeais que participam do conclave ficam hospedados na Casa Santa Marta, um prédio simples dentro do Vaticano. Lá, compartilham refeições em refeitórios comuns e têm acesso limitado às áreas internas do complexo. O contraste visual entre a riqueza da Capela Sistina e a simplicidade do “backstage” da eleição papal foi algo que o roteirista Peter Straughan destacou como marcante — e que o filme soube explorar bem.

✅ O ritual de votação é repleto de formalidade e tradição

Esqueça debates acalorados ou campanhas explícitas: o processo de votação é solene, metódico e inteiramente conduzido em latim. Como Conclave mostra, os cardeais caminham um a um até a urna, declaram um juramento formal e depositam seus votos dobrados em um recipiente específico. Depois, os votos são costurados com agulha e linha — uma tradição que reforça o sigilo e a importância do momento.

Esses votos são queimados com substâncias químicas que produzem fumaça preta (se não houver decisão) ou branca (se um novo Papa for escolhido). O famoso Habemus Papam é anunciado assim que a fumaça branca sobe da chaminé da Capela Sistina.



❌ As investigações e conspirações são pura ficção

Apesar de capturar o ambiente político da Igreja, Conclave insere uma camada de suspense e mistério que foge da realidade. No filme, há um forte componente de espionagem interna e revelações bombásticas entre os cardeais, algo que serve à dramaturgia mas que não faz parte do processo real — ao menos, não de forma comprovada.

A figura de uma freira envolvida nos bastidores, como a personagem de Isabella Rossellini, também é uma criação do roteiro para dar ritmo e tensão à história.

❌ Nada foi filmado dentro do Vaticano

Embora o longa tenha um visual impressionante, nenhuma cena foi gravada no Vaticano de verdade — o local não autoriza filmagens. A produção usou prédios históricos em Roma como cenário, além de construir réplicas em estúdio. A famosa Capela Sistina, por exemplo, foi inteiramente recriada em set, com direito a reprodução digital do teto de Michelangelo.

Conclave é fiel aos rituais, mas livre na ficção

Conclave acerta ao mostrar os bastidores cerimoniais da eleição papal com riqueza de detalhes — fruto de uma pesquisa extensa, segundo o roteirista. Mas, como é esperado em uma boa obra de ficção, o filme se permite explorar conspirações e intrigas que fogem da realidade para criar uma narrativa mais envolvente.

Ou seja: se você quer entender o funcionamento do conclave, o filme é uma bela introdução. Mas se estiver esperando um documentário, melhor ir direto aos arquivos do Vaticano.



Conclave História real do filme: o que é verdade e mentira?
SOBRE O AUTOR
Matheus Pereira
Matheus Pereira é Jornalista e mora em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Escritor assíduo na época dos blogs, Matheus desenvolveu seus textos e conhecimentos em Cinema e TV numa experiência que já soma quase 15 anos. Destes, quase dez são dedicados ao Mix de Séries. Além disso, trabalha há mais de dez anos no campo da comunicação e marketing educacional, sendo assessor de imprensa e publicidade em grandes escolas e instituições de ensino.