O final de Game of Thrones foi tão divisivo que parece ter ofuscado parte do legado brilhante da série. E agora, anos após o controverso encerramento da saga dos Sete Reinos, uma revelação vinda do próprio criador da obra reacende a polêmica: George R.R. Martin avisou a HBO sobre o risco de encerrar a história tão rápido — e foi solenemente ignorado.
Em entrevista ao The Wall Street Journal, Martin revelou que sugeriu à emissora que a série fosse estendida por mais temporadas. “Eu dizia que precisava de pelo menos 10 temporadas, talvez 12, 13. Mas perdi essa batalha”, declarou. O resultado? Uma oitava temporada com apenas seis episódios — número bem inferior ao padrão de dez que a série costumava ter — e que deixou uma legião de fãs frustrados.
Uma corrida contra o tempo… e contra o roteiro

A decisão de encurtar o final de Game of Thrones ficou nas mãos dos showrunners David Benioff e D.B. Weiss. Eles optaram por concluir a história de forma acelerada, o que, segundo muitos fãs e críticos, prejudicou o desenvolvimento de personagens e arcos narrativos.
O exemplo mais emblemático talvez seja a súbita transformação de Daenerys Targaryen em vilã e a improvável coroação de Bran como rei.
Com mais tempo, talvez a queda de Daenerys e o destino de Jon Snow, Sansa, Arya e Tyrion teriam tido o impacto emocional e a construção que os espectadores esperavam. Mas, pressionados por contratos e novos projetos (incluindo Star Wars, do qual posteriormente foram desligados), os criadores optaram por um desfecho apressado.
Martin agora tem mais controle criativo no mundo de Game of Thrones
Na época, George R.R. Martin já havia se afastado das decisões criativas da série. “Não tive contribuição nas temporadas finais, exceto por ter criado o mundo, a história e os personagens”, disse o autor. Desde então, no entanto, ele recuperou parte desse controle — especialmente nos spin-offs do universo de Westeros.
Prova disso é o sucesso de House of the Dragon, prequel ambientado 200 anos antes da série original, onde Martin atua como produtor executivo e consultor criativo. O envolvimento mais direto do autor resultou em um enredo mais coeso e respeitoso com o material de origem, agradando tanto a crítica quanto os fãs.


O universo de Westeros segue firme — sem pressa
Apesar do tropeço no final, a paixão pelo universo de Game of Thrones segue firme. O episódio final da primeira temporada de House of the Dragon foi o mais assistido desde o encerramento da série original. E ainda há mais por vir: a HBO prepara novas histórias, incluindo A Knight of the Seven Kingdoms, prevista para 2025, e já confirmou as temporadas 3 e 4 de House of the Dragon.
Se Game of Thrones tivesse seguido o conselho de Martin e se dado tempo para respirar, talvez estivesse agora na história como um final lendário — e não como um exemplo de pressa narrativa.
Mas pelo menos os fãs ainda têm um consolo: o mundo criado por Martin continua vivo, e agora, mais do que nunca, sob sua supervisão. Resta torcer para que as próximas páginas — na TV ou, quem sabe um dia, nos livros — façam jus à grandeza de Westeros.