O thriller espanhol Corta-Fogo chega à Netflix com uma proposta intensa e claustrofóbica. Com 1h47 de duração, o filme acompanha apenas algumas horas na vida de uma família já fragilizada pelo luto — mas que verá a situação piorar drasticamente. Desde os primeiros minutos, somos lançados no meio da dor de Mara (Belén Cuesta), que ainda tenta lidar com a morte recente do marido.
Ela decide ir até a cabana da família, isolada na floresta, para organizá-la para uma venda rápida. Ao seu lado estão a filha Lide (Candela Martínez), o cunhado Luis (Joaquín Furriel), a esposa dele Elena (Diana Gómez) e o filho do casal (Mika Arias).
A viagem deveria representar uma despedida simbólica e um passo adiante para Mara. No entanto, após uma discussão com a mãe, Lide desaparece na mata. Como se isso não bastasse, um incêndio florestal incontrolável começa a se espalhar pela região, forçando as autoridades a suspenderem as buscas e exigirem evacuação imediata.
Corta-Fogo tem suspense crescente e foco nos personagens

Mesmo com o fogo ainda relativamente distante — contido por uma área de “corta-fogo” supervisionada pelo guarda florestal Santi (Enric Auquer) — a tensão é constante. A esperança de que a barreira natural segure as chamas contrasta com o medo de que o desaparecimento de Lide possa ter sido algo deliberado. A possibilidade de sequestro adiciona uma camada ainda mais sombria à narrativa.
Com um elenco enxuto, Corta-Fogo aposta no desenvolvimento emocional dos personagens. As atuações são sólidas, especialmente de Belén Cuesta, e ajudam a sustentar a escalada do suspense. O uso frequente de câmera tremida intensifica a urgência, embora possa incomodar alguns espectadores.
No fim, Corta-Fogo vale a pena para quem aprecia thrillers psicológicos centrados em drama familiar, mistério e tensão crescente — uma história pequena em escala, mas grande em impacto emocional.