Crítica: 10ª temporada de Will & Grace prova que a série ainda é relevante e engraçada

Imagem: NBC

Will & Grace encerrou 10ª temporada com saldo extremamente positivo

Lá em 2006, quando Will & Grace acabou sua exibição original, jamais imaginaríamos que ela continuaria relevante anos depois. Desde que voltou com um revival, em 2017, a série provou que era uma atração que precisava ser exibida nos dias hoje. E sua décima temporada, que encerrou sua corrida na última quinta (04) nos Estados Unidos, é a prova disso.

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Não apenas relevante, Will & Grace ainda mostra-se engraçada ao tratar de assuntos tão importantes. É possível ser apenas uma série relevante ou apenas uma série engraçada. Mas unir essas duas características em um texto rico e afiado é pra poucas. Sendo assim, Will, Grace, Karen e Jack mostraram-se excelentes instrumentos para contar histórias, tirar sarros e, mais ainda, discutir assuntos importantes.

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Completando 10 temporadas de exibição, a comédia da NBC não hesitou em tratar de temas pesados – mas discutidos nos dias de hoje. Mais ainda, ousou em enfrentar uma administração tão contraditória como a do Presidente Donald Trump. Se nos anos 1980 cabia à Murphy Brown enfrentar as artimanhas do governo na TV aberta, agora é papel de Will & Grace carregar essa tocha.

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Yes, we can!

É incrível como que Will & Grace consegue tratar de política sem perder o humor. A ironia em seu texto sempre foi uma das marcas registradas da atração. Mas nesta décima temporada, a série conseguiu se superar.

Em um dado momento, por exemplo, Karen aparece em um episódio se orgulhando de ter “comprado” uma parte do muro que separa os Estados Unidos e México. Uma cutucada no Presidente Trump, ao mostrar que essa política de miscigenação pode ter uma clara intenção da classe rica, que incentiva a segregação. Além disso, a personagem é utilizada a todo instante para fazer ligações em relação à família Trump. Isso porque, por ela, ainda é uma “amiga pessoal” de Donald e Melania. Algo que combina com a essência de Karen e que torna seu humor ainda mais incrível.

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Além da política, a série conseguiu tratar de temas extremamente chocantes, como assédio sexual. Através de Grace, um episódio poderoso discutiu sobre como a cultura de assédio ainda é aceita no meio masculino. E em uma de suas melhores cenas em toda a série, ela contou para o seu pai que sofrera assédio de um grande amigo dele quando criança. Um momento marcante para a série, em muitos sentidos. Ela, que foi a primeira a exibir um beijo gay em horário nobre na TV americana, mostra-se extremamente necessária em 2019, trazendo a cultura do estupro e do assédio para a sala das famílias de muitos espectadores.

Já na história, Will e Grace continuam os mesmos

Essa décima temporada ainda mostrou que mesmo com o passar dos anos, os protagonistas Will e Grace ainda continuam dependentes um do outro. Mesmo tentando seguir com suas vidas amorosas, cada vez mais conturbada, eles ainda possuem uma conexão emocional que chega a ser “doentia”. Mas claro, ao mesmo tempo, saudável. Afinal, é essa conexão que trouxe a série até sua décima temporada.

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Noah, personagem interpretado pelo ex-Friends David Schwimmer, foi uma ótima adição para a trama. Entretanto, com o passar da temporada, mostrou-se extremamente controlador e tóxico para Grace. O fato de Will tentar alertá-la, inclusive, soou apenas como mais uma forma do amigo controla-la. No final da temporada, vimos que Grace enxerga um pouco dessa diminuição que o relacionamento lhe causou ao longo da temporada, e Will incentiva ela a buscar 100% de sua felicidade, e não os 60% com o que ela estava acostumada.

Noah serviu de background para Grace. Imagem: NBC/Divulgação

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Já Will, também acabou achando um amor. McCoy (Matt Bomer) mostrou-se somente um rostinho bonito de início, mas com o tempo foi aprendendo as coisas importantes da vida. Inclusive, ter um relacionamento com quem ama você por suas qualidades e, principalmente, defeitos. A perspectiva para o casal não foi sempre a das melhores, e até a season finale brincou com essa possibilidade. Entretanto, parece que o casal veio mesmo para ficar, fazendo com que os espectadores torçam por ele a cada episódio.

Vale ressaltar que a dinâmica proposta com Will, Grace e seus respectivos pares na temporada também foi um grande acerto. O episódio que mostra os quatro dividindo cena, e terminando todos dormindo numa mesma cama é hilário. Um dos melhores episódios da série, que só ressaltou a qualidade de seu timing.

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Matt Bomer mostrou-se afiado em Will and Grace. Imagem: NBC/Divulgação

Jack e Karen – os coadjuvantes protagonistas

Jack e Karen tiveram grande protagonismo nesta temporada, talvez mais do que o habitual. E isso só mostrou que os personagens, assim como Will e Grace, continuam extremamente importantes e essenciais para fazer a trama girar.

Jack, por exemplo, encontrou em Stefan o amor de sua vida. Depois de anos de farra, ele resolveu “sossegar”. E o seu casamento – ou melhor, o caminho até lá – proporcionou momentos icônicos. A disputa entre Karen e Will para ver quem seria padrinho/madrinha de Jack resultou em uma batalha de dublagem épica, com direito a menção ao clássico monólogo “Leave Britney Alone”, feito por um fã de Britney Spears em 2007 e que é viral até hoje. Além disso, o personagem voltou à uma estaca que era importante para o seu personagem na corrida original do programa: seu envolvimento com o teatro. Esses momentos também renderam enredos incríveis, como a peça criada por ele que contava a história de um “Abraham Lincoln gay e magro”.

Karen, por outro lado, ficou um tanto presa na história de seu divórcio. Mas isso não impediu que ela complementasse a história dos outros personagens de forma relevante. Ela teve uma excelente trama com sua enteada, participou da trama do teatro de Jack e, mais pro fim da temporada, se envolveu como uma mulher. Sim, Karen experimentou um mundo do “lesbianismo”. E ainda, com uma mulher negra – interpretada pela incrível Samira Wiley de Orange Is The New Black. Essa trama a carregou até o final da temporada. Ainda, contou com uma icônica cena que homenageou Ellen DeGeneres, ao sair do armário, onde Karen se descobre… heterossexual. Coisas de Will & Grace.

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Karen e Jack continuam extremamente relevantes para a trama. Imagem: NBC/Divulgação

10 temporadas e contando…

10 temporadas depois, Will & Grace está mais engraçada do que nunca. Mais importante ainda, extremamente necessária para a TV, em uma época que fazer humor precisa ser extremamente inteligente. Will & Grace nada na contramão e traz de volta o prestígio das sitcoms dos anos 1990. Sendo assim, sua renovação foi mais do que merecida, afinal, nós precisamos deles conosco nesse bravo mundo louco.

Obrigado, Will & Grace, por dez temporadas. Com esse fôlego, vocês precisam ficar conosco por mais um bom tempo…