Crítica: 1×06 de Pátria explorou o que o terrorismo do ETA deixa para as famílias

Crítica Pátria 1x06

Pátria mostra que o passado, quando não é aprendido, ele é repetido. O que foi muito visto na realidade pelo Brasil nesses últimos anos…

Pátria trouxe mais um episódio e com ele uma reflexão. De acordo com um estudo realizado pelo GAD3 para Amazon Prime Video, devido à estreia de seu novo documentário chamado ‘O desafio: ETA’, mais da metade dos espanhóis acreditam que o grupo terrorista armado ETA ainda está ativo. E, ao mesmo tempo, 60% dos jovens não conhecem a figura de Miguel Ángel Blanco, vereador do Partido Popular de esquerda de Ermua, que foi raptado e assassinado pelo ETA em 1997. De fato, 68% da população com menos de 35 anos diz nunca ter estudado nada relacionado ao ETA no ensino médio ou universitário. 

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Esses dados podem ser uma confirmação da predição dos filhos de Txato nesse sexto episódio de Pátria, quando Nerea, filha do protagonista assassinado no inicio da história da série da HBO, comenta com seu irmão que com o tempo, o ETA só será lembrado por quem realmente sofreu as consequências de sua violência, e que todo o restante da população irá esquecer. 

Realidade X ficção. Esquerda X Direita 

Séries como Pátria poderiam ajudar a reverter essa perigosa tendência ao esquecimento, como foi muito repetido durante esses primeiros anos de governo Bolsonaro, quando muitos de seus apoiadores pediam a volta da ditadura, ao mesmo tempo que muitas famílias que sofreram direta ou indiretamente as consequências do abuso do poder do regime militar. Essa série mostra que o passado, quando não é aprendido, ele é repetido. E esse é um dos pontos fortes desse último capítulo, intitulado ‘Patrias y mandangas‘, no qual foi explorado a dor e as consequências que o terrorismo deixa nas famílias das vítimas, assim como, nos familiares dos próprios membros do ETA. Ficção X realidade e uma eterna disputa entre esquerda X direita ainda muito presente na realidade de muitos nos dias de hoje.

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Crítica Pátria 1x06

Imagem: HBO Max/Divulgação

Você pode sair da cadeia um dia, mas nunca de um túmulo

A primeira sequência que testemunhamos neste episódio é a dor de um amigo de Joxian que surta após a morte de seu filho pelo grupo terrorista ETA. Ele diz que está farto da falsidade de um povo que se cala face à violência do ETA. “Você pode sair da cadeia um dia, mas nunca de um túmulo”. Sua dor contagia Joxian e Miren, que vão até desejar que seu filho Joxe Mari, membro do grupo armado, seja preso antes que a gangue terrorista lhe dê um destino pior. O episódio não mostra se foram eles que entregaram seu filho para a polícia, mas nos momentos finais, vemos Joxe Mari e seus dois amigos da gangue sendo presos. 

A identidade dos assassinos Txato é revelada

A identidade dos assassinos Txato finalmente é revelada e, como mostrado no episódio anterior, Joxe Mari estava no momento do crime. E essa notícia, ao invés de afetar seus pais diretamente, Joxian e Miren entram em negação pelos fatos apresentados na mídia. Sua mãe defende seu filho com os argumentos de que “a mídia é de esquerda e mente”, “fake news”, “não acreditem nos jornais, eles estão corrompidos”. Já Joxian, ele continua em silêncio com medo da repressão.

Quem recebe essa notícia como uma bomba são os irmãos mais novos de Joxe Mari,  Arantxa e Gorka. Eles se chocam ao saber que seu irmão é um dos criminosos mais procurados da Espanha e, ao mesmo tempo, com a cegueira de sua mãe com os fatos apresentados pela mídia e o silêncio ensurdecedor de seu pai. Eles tentam viver longe da cidade, embora o passado volte a atormentá-los recorrentemente.

Imagem: HBO Max/Divulgação

Mais uma decepção para Nerea

A dor realmente explorada neste episódio é a de Nerea, filha de Txato. Ela tenta reconstruir sua vida longe do País Basco, após o assassinato de seu pai. Um recomeço que ela busca esquecer, não apenas o ocorrido, mas também da eterna depressão em que seu irmão Xabier e sua mãe Bittori estão imersos. Igualmente, essa tentativa de se afastar de um passado cheio de dor não é tão simples quanto pegar um trem e mudar de cidade. Depois de muito argumentar com seu irmão sobre fato dela ter a necessidade de deixar sua cidade, mesmo com sua mãe com um câncer em estado avançado, ela embarca para Alemanha esperando recomeçar sua vida com seu namorado da faculdade. Porém, ao chegar na cidade, ela o encontra com outra e, com isso, ela sofre mais uma decepção na sua vida. 

Estaremos diante de outro episódio tipo Homeland com menos ação e com mais atenção aos detalhes de alguns de seus personagens secundários? Bem, sim e não. É verdade que a história de Nerea nos afasta geograficamente do enredo principal da série, mas dá um bom relato das consequências do terrorismo. E, sim, há ação, enquanto acompanhamos Joxe Mari em sua escalada de violência no ETA. Uma escalada que não vai terminar bem. O sétimo, e penúltimo, capítulo promete emoções fortes (e manchetes ardentes).

E você, o que achou do sexto episódio de Pátria? Teremos mais dois episódios antes do encerramento final dessa emocionante historia. Então, deixe seus comentários aqui no Mix de Séries.

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"Nota do episódio"8
Crítica do episódio “seis” da primeira temporada de "Pátria" nova série da HBO, intitulado "Patrias y mandangas".
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