Crítica: 21×16 de Law & Order: SVU aposta em quantidade ao invés de qualidade

Relief from Pain, Law & Order - SVU

Uma coisa de cada vez, please

Ambição não é um problema. Muito pelo contrário. Deve-se saudar, e incentivar, aquela ambição saudável que serve de estímulo para alcançarmos nossos objetivos. Contudo, acredito que essa ânsia para atingir algo maior pode prejudicar se não for canalizada da maneira correta. Exatamente o problema deste episódio de Law & Order: SVU. Há muitas ideias, muitas pretensões e propostas, mas que ao final ficaram soltas, foram concluídas de forma incoerente ou demonstraram certa preguiça do roteiro em ir além. Ressalto que há muitos méritos da equipe de roteiristas em abordar certos temas, como comentaremos abaixo, mas que se perdem em meio a uma tentativa de desatada de promover um dramalhão familiar.

Relief from Pain, Law & Order - SVU

Imagem: Heidi Gutman/NBC

Em Eternal Relief from Pain, temos o retorno de Kim Rollins (Lindsay Pulsipher), a irmã problemática de Amanda (Kelli Giddish). Logo o telespectador percebe que ela apareceu para fazer o de sempre: criar problemas, se drogas e colocar a vida de outras pessoas em risco. Tal suposição é infelizmente verdadeira, mostrando o quão difícil deve ser para manter essas histórias secundárias frescas em 21 anos de história. Ao mesmo tempo, temos a equipe dando início a uma investigação de algo comum nos Estados Unidos em tempos de crise de opióides, que logo se mistura a crimes sexuais bastante séries praticados por médicos.

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Nessa breve síntese que eu apresentei, fica claro a quantidade de histórias que o roteiro investe neste episódio. Todas, é importante lembrar, relevantes e dignas de atenção. Prescrição abusiva de medicamentos, abuso sexual no consultório médico e práticas predatórias da indústria farmacêutica. Temas que, infelizmente, aparecem com regularidade na Folha de S. PauloThe New York TimesThe Guardian e entre outros, o que reforça a minha teoria de que foram narrativas justas e necessárias. O problema, contudo, foi que o roteiro não deu conta de tratar de todas essas questões com coerência, tempo e atenção.

Brilhando como de costume

Diante de tamanha confusão de quem vai com muita sede ao pote, Mariska Hargitay apareceu para salvar o dia numa performance memorável em mais um episódio de Law & Order: SVU. A atriz está sempre bem, é verdade. Contudo, neste episódio ela se superou pela força, determinação e emoção. Se determinada cena perdia a intensidade pelos diálogos pouco brilhantes, ela estava lá para salvar o dia. O mesmo não posso dizer do restante do elenco que, infelizmente, parecia estar no piloto automático tomando sucessivos caldos. No momento de aparecer, de chamar atenção para o grande momento do personagem, eles simplesmente apostavam no carão e que a direção qualificada fizesse mágica. Essa observação vale para todos, mas mais precisamente para Kelli Giddish e (novamente) para Jamie Gray Hyder. Mas.

Me esforcei para gostar da tentativa dos roteiristas em criar uma conspiração entre o governo e o médico corrupto. Até acreditei que estávamos indo na direção correta, mas logo descobrimos que era o mais do mesmo com uma ‘reviravolta’ pouco memorável.

É verdade que posso me surpreender com essa aparente dualidade da Vanessa Hadid, mas até aqui nada me chama atenção ou emociona. Veremos se no próximo episódio, as coisas vão melhorar. Mas.

Nota do Episódio8.5
Crítica do décimo sexto episódio da vigésima primeira temporada de Law & Order: SVU, intitulado "Eternal Relief From Pain", exibido nos EUA pela NBC.
8.5
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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

1 comment

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    Elizabeth Brait Alvim 27 março, 2020 at 13:51 Responder

    Sou assídua apreciadora de Law and order há anos. Temia que a nova temporada caísse no fosso do superficial, tal como todo e qualquer filme comercial que não nos enleva em nada. É o que tem se apresentado, infelizmente. Espero muito que os roteiros voltem a ser brilhantes e complexos, bem fundamentados e surpreendentes. Como a Arte com A maiúsculo.

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