Crítica: 2ª temporada de The Marvelous Mrs. Maisel eleva ainda mais o nível

Imagem: Prime Video/Divulgação

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A Maravilhosa Senhora Maisel em sua melhor forma…

Quando The Marvelous Mrs. Maisel estreou em 2017, ela chegou despercebida ao público. Era o primeiro trabalho de Amy Sherman-Palladino, após o revival de Gilmore Girls na Netflix. E era a primeira aventura da roteirista em uma série de época. Entretanto, aos poucos, Maisel foi ganhando o “boca-boca”, como se realmente estivéssemos nos anos 1950. Em pouco tempo, passou de “indicada ao Emmy” para “vencedora do Emmy”.

Em apenas oito episódios, Sherman-Palladino conseguiu conquistar o público com uma garota de fala rápida, astuta e que tinha uma luta interna para buscar seu lugar ao mundo. E foi assim que ela fez a audiência querer mais.

“Eu sou a Sra. Maisel, obrigada e boa noite”

É incrível ver como Maisel evoluiu. Não só como a personagem em si, mas também se referindo na série como um todo. Se tornar uma série premiada pelo Emmy fez muito bem para todos os envolvidos na produção. Agora, os episódios parecem ainda mais confortáveis, fluindo em um texto afiado, envolvente, que fazem 50 ou 60 minutos passarem voando.

Uma das razões que contribuíram para isso é que, agora, Maisel sabe que quer correr atrás da carreira de comediante. Ela não tem mais uma briga interna, em relação a isso. E mesmo que ela ainda sofra um preconceito de todos a sua volta, ela sabe que é boa nisso. Seus monólogos são incríveis, dignos de tomarem vários minutos de um episódio. E, sem dúvidas, se tomassem mais seriam bem vindos.

Mas mesmo que Midge se encontrou no mundo do stand up, ela ainda tem ligações com suas regalias. Ela não consegue se desligar daquele mundo. O fato de como ela se sente incomodada no cargo de telefonista, é a prova disso. E ela não sossega, enquanto não volta para o balcão de maquiagens – uma de suas verdadeiras paixões. É incrível como Amy Sherman-Palladino exprime, nesses pequenos detalhes, a cultura da época. Maisel vive numa era em que a mulher era ligada à feminilidade, às funções dos afazeres domésticos entre outras coisas. E mesmo que nossa protagonista tente fugir disso, ela reconhece que ela precisa ocupar o lugar de mãe e mulher feminina naquela sociedade para ser aceita.

Assumindo a “faceta Gilmore Girls”

A autora da série se aproximou, ainda mais, do seu estilo de texto com a segunda temporada de The Marvelous Mrs. Maisel. Se no primeiro ano, suas características apareciam um tanto tímidas, neste segundo ano elas estão à mostra.

A trama que leva todo o núcleo de Midge para um retiro familiar, por exemplo, é a cara do humor de Amy Sherman-Palladino. E a ambientação dada para esse lugar, em Mrs. Maisel, lembra bastante a Stars Hollow de Gilmore Girls. E isso, sem dúvidas, traz um dos grandes pontos da temporada. Ali, temos alguns dos melhores momentos, como Midge não concorrendo ao concurso de biquíni por não estar mais casada; ou o momento da brincadeira do “Chefinho Mandou”; entre outros.

Coadjuvantes que tiveram relevância

Um dos grandes acertos da segunda temporada de Mrs. Maisel é dar aos coadjuvantes os seus devidos destaques. Seja a história de Paris para Rose, ou os problemas de administração da empresa dos Maisel, chegando até aos conflitos de Abe com os filhos e na faculdade onde dá aula. Todos, em sua devida proporção, tiveram tempo de brilhar.

A maioria das histórias dialogava, de alguma forma, com a vida de Midge. E isso tornou todas essas histórias bastante interessantes.

Além disso, tivemos a inserção de Benjamin, o médico interpretado por Zachari Levy que, em minha opinião, roubou a cena. Miriam precisava dessa atenção que Benjamin lhe proporcionou. Mais ainda, da valorização de quem ela é. A diferença entre ele e Joe, é que Benjamin conheceu Midge sendo a versão que quer para sua vida. E o médico topou o desafio de tê-la em sua vida. A evolução do relacionamento dos dois foi bem interessante, culminando num rápido pedido de casamento. Há quem torça pelo casal.

Zachary Levi foi uma excelente adição ao elenco. Imagem: Prime Video/Divulgação

Lute como uma garota

Neste segundo ano, também, vimos que Midge está pronta para lutar pelos seus sonhos. Ela enfrenta grandes dificuldades, preconceitos, entre outros empecilhos, na sua carreira. Mas tudo isso vira migalha perto da vontade de brilhar.

Um incêndio no clube que estava se apresentando?  Uma interrupção no meio da apresentação? Jogar sua performance em rede nacional para o finzinho de um programa, tarde da noite? Nada atrapalha a vontade de Midge de vencer. E essa vontade, sem dúvidas, se concretiza.

O que o futuro os reserva?

Embora a maioria das tramas encontram um desfecho redondinho, o final da segunda temporada deixou algumas histórias em aberto. O futuro de Midge, principalmente, é uma incógnita. Além disso, achei incrível quando a personagem se dá conta de que assumir uma vida na comédia stand up é assumir uma vida sozinha. Ela percebeu que, aos poucos, poderá perder as pessoas ao seu redor para a carreira que ela deseja. Isso a balança um pouco, levando-a direto para os braços de Joe.

Dessa forma, nossa protagonista termina a temporada sendo convidada para uma grande turnê na Europa, o que poderá mudar sua vida para sempre. Como ela lidará com isso? O quão isso poderá afetar seus planos com Benjamin? Tudo é uma incógnita. Para completar, sua agente Susie recebe um grande convite que a deixa tentada. Será esse o ponta pé para um possível desentendimento das parceiras de trabalho?

O que está por vir? Não sabemos. Mas uma certeza, temos: The Marvelous Mrs. Maisel está sem sua melhor forma, e se tornou, oficialmente, uma série que o público não pode deixar de assistir.

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Anderson Narciso

Anderson Narciso

Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.

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