Crítica: 3×03 de New Amsterdam discutiu segurança e vacinação

Crítica New Amsterdam 3x03
Imagem: Divulgação
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Intensidade mantém ritmo de New Amsterdam

Mantendo o bom ritmo dos episódios anteriores, New Amsterdam trouxe um episódio mais focado em discussões de temas relevantes em “Seguro o suficiente”, terceiro da nova temporada.

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De modo geral, o episódio se soma aos anteriores para criar o terreno da temporada. Dessa forma, preparando os personagens para lidar com suas tramas individuais e destacando o cenário “pós-pandemia” como tema central da série. Entretanto, nem todos os pontos explorados no episódio foram bem amarrados, trazendo alguns problemas antigos da série.

“O mundo não está seguro”

O tema que mobilizou “Seguro o suficiente” foi a possibilidade de retomar atividades com segurança após a pandemia. De saída, o roteiro trouxe um questionamento importante para inquietar suas personagens: quando acaba efetivamente a pandemia?

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De fato, os protagonistas já mencionaram algo importante. Que provavelmente teremos de aprender a conviver com o vírus. E, mesmo com a vacinação, será difícil retomar a vida “normal”.

Por sinal, a menção de Max e Helen ao fato de que, mesmo havendo vacinas o suficiente para todas as pessoas – o que não há -, não existem garantias de uma ampla cobertura de vacinação. Isso, seja por conta de desigualdades sociais, seja por conta do negacionismo e das resistências à vacina.

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É interessante como a série traz um posicionamento firme com poucos diálogos sobre o tema. Além disso, coloca os problemas que vivemos (e ainda viveremos no pós-pandemia) de forma simples e clara.

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Da mesma forma, no episódio da semana passada, toda a conversa sobre segurança teve no centro a tentativa de Dora (em um retorno bastante positivo) de promover uma campanha de Public Service Announcement (PSA) para trazer as pessoas de volta ao hospital.

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Max e Helen, que já haviam conversado sobre seus medos e inseguranças nos episódios anteriores, resistem bastante à campanha. Finalmente, o tema da segurança aparece em todas as subtramas do episódio, com oscilações na qualidade.

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O retorno complicado de Floyd

Quem acompanha as reviews de New Amsterdam aqui, provavelmente, já percebeu as ressalvas que tenho com Floyd Reynolds. Embora Jocko Sims entregue ótimas atuações em vários momentos e o personagem traga discussões importantes, parece que o roteiro não sabe muito bem o que fazer com o cirurgião cardiologista.

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Desta vez, a trama de Reynolds girou em torno de sua mãe. Essa diagnosticada com diabetes após um tombo em casa. A presença da família Reynolds explorou o cuidado às pessoas idosas, ressaltando o momento dramático em que vivemos. Além disso, explorou novamente a culpa de Reynolds por ter se mudado para São Francisco.

Tudo indicava o retorno do personagem à equipe do hospital. Porém, a forma como tudo ocorreu nos últimos minutos do episódio foi um ponto baixo na história. Tudo bem que, claramente, não se sabia muito bem o que fazer com os dois personagens. Mas encerrar um arco e um relacionamento dessa forma foi um tanto decepcionante. Espero que, a partir de agora, Reynolds tenha um lugar mais bem estabelecido na trama da série.

Iggy e a solidão na pandemia

Similarmente, quem acompanha as reviews aqui deve perceber como tenho simpatia por Iggy Frome. Não somente pelo personagem e pela atuação de Tyler Labine, mas, sobretudo, pelos temas explorados em sua posição de terapeuta. Neste episódio não foi diferente. Isso porque Frome abordou a solidão do distanciamento social e da vida através de telas.

Primeiramente, o terapeuta reclama com Max acerca da qualidade da internet no hospital. Impossibilitando realizar chamadas de vídeo de qualidade para suas consultas (o que vemos, em seguida, na prática). Posteriormente, Iggy lida com o sofrimento de sua paciente que, por conta de uma doença, tinha limitações de contato social mesmo antes da pandemia. No cenário pós-pandemia, a adolescente sofria com o retorno de várias pessoas ao contato social, enquanto ela seguia isolada.

A maneira como a série explora os medos e as possibilidades de contato social me pareceu bastante acertada. Sem cair nos discursos vazios e individualistas de preservação da saúde mental. Mas também sem perder de vista a complexidade e os impactos causados pelo distanciamento social.

No fim, ainda vimos outra face da relação de Iggy com as telinhas. Então vimos sua relutância (e desistência) em participar de uma reunião virtual de um grupo anônimo de pessoas com transtornos alimentares. Não tem como não ama-lo, né?

New Amsterdam 3x03
Imagem: Divulgação.

Uma ideia boa, mas uma execução estranha

Às vezes, New Amsterdam pesa um pouco a mão na suspensão da descrença para trazer seus temas importantes. Em “Seguro o suficiente”, isso ocorreu na subtrama envolvendo Lauren Bloom. Tivemos uma mulher, motorista de aplicativo, que trouxe uma cliente para o hospital com suspeita de fratura no pulso.

A história mostrou outro lado da desigualdade, relacionado aos imigrantes. E que, muitas vezes, saem de seus países e trabalham em condições precárias, além de abandonar outras carreiras.

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No caso abordado, Leyla é uma paquistanesa que trabalhava como pediatra em seu país. Para mostrar isso, entretanto, foram criadas situações um pouco exageradas. A exemplo do uso de uma seringa para recuperar a respiração da paciente. Tudo bem, é ficção, não precisa ser preciso e realista. Mas às vezes fica muito inverossímil. Apesar disso, a história foi interessante. E, além disso, abriu curiosidade para uma possível adição à equipe do hospital.

Isso mostra como New Amsterdam está apta a tratar suas tramas. E entendemos.

Afinal, quando estaremos seguros o suficiente?

Por fim, o episódio deu novos indícios de uma tentativa de retomada da vida pelos personagens. Desta vez, vimos Max pedindo aos avós de Luna que ele possa trazer a filha de volta a Nova York. Afinal, ele não quer mais perder seu crescimento. Assim, teremos o retorno do dilema principal de Max desde a temporada passada. Ele vai precisar equacionar a vida de pai a de médico. Essa parte da história promete fortes emoções, não acham?

Com “Seguro o suficiente”, New Amsterdam preparou o terreno para mergulhar, ao seu modo, nas tramas individuais e coletivas da temporada. Apesar da pequena queda de qualidade em algumas partes da história, a série manteve sua regularidade neste episódio.

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