Crítica: Apesar do clima de autoajuda, 9-1-1 entrega episódio espirituoso

Awful People, 9-1-1 (Capa)
Awful People, 9-1-1 (Capa)

Imagem: Tyler Golden/FOX/Divulgação

A arte da emoção

Após uma semana assistindo televisão intensamente, sempre me pergunto, antes de voltar a assistir séries e reality shows, o porquê gostamos tanto dessa rotina. Você lembra o porquê assiste tantos programas? Alguns fazem isso para fugir da realidade, outros buscam uma mera distração para passar o tempo, há pessoas que assistem por trabalho. Enfim, há razões para todos os lados. No entanto, este que vos escreve prefere pensar que essa paixão é alimentada por uma vontade constante de encontrar inspiração e emocionar-se com histórias inovadoras. Awful People, apesar dos defeitos, reforça esse apelo que sempre procurei.

Awful People, 9-1-1

Imagem: Tyler Golden/FOX/Divulgação

Frustrada com seu trabalho, Maddie recebe a sugestão de atender uma emergência ao lado de um policial. Sem nenhuma surpresa, ela acaba ficando com Athena. Tal proposta faz com que o telespectador imagine: teremos algo extraordinário pela frente. Infelizmente, isso não acontece. Na verdade, durante todo o episódio o telespectador acompanha situações cotidianas: um acidente de carro; supremacista branco (o que é super normal em 2018) com problemas gástricos; assalto com vítima num restaurante. Live P.D. é mais empolgante, acreditem.

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A qualidade de Awful People aparece nos personagens, particularidade que tornou 9-1-1 tão boa desde sua estreia. Neste episódio vemos um pouquinho mais de Hen, o que é um alívio. Uma vez que a personagem estava à sombra dos seus colegas de elenco há um certo tempo. O roteiro felizmente retoma seus problemas com sua esposa, mas vai um pouquinho mais longe ao tratar dos filhos. Embora acredite que o telespectador tenha esquecido do pequeno detalhe acerca da forma na qual as crianças foram adotadoras, os roteiristas foram objetivos em ir direto ao ponto.

Mensagem recebida

O conflito não trouxe a carga emocional que estava esperando, na verdade sequer conseguimos ter quaisquer sensibilidade com as personagens. Confesso que fiquei frustrado em ver uma grande proposta ser desperdiçada pela incompetência em transmitir emoção numa situação muito simples. A vara da família do condado de Los Angeles, onde essa série é ambientada, recebe os mais diferentes casos por dia, o que abriria a possibilidade do roteiro inspirar-se na realidade da mesma forma que acontece nas emergência. Filhos adotados que o pai biológico aparece depois para criar problemas não é novidade. Nem de longe.

Analisando o resultado final, pode-se afirmar com total tranquilidade que Angela Bassett brilhou mais uma vez. Não sei se ela se tornou a grande musa de Ryan Murphy ou o grande ano que está tendo influencia no seu trabalho. A forma na qual a atriz constrói sua personagem, se posiciona em cena e lidera a história é admirável e que poucas atrizes sabem fazer. Apesar de querer mais participação dos outros atores, principalmente daqueles que não apareceram ainda, como Oliver Stark e Peter Krause, Angela é uma força da natureza.

Em síntese, acredito que Awful People não foi o melhor episódio até agora, mas também não foi o mais fraco. Tivemos pontos fortes, mas pontos fracos. Temos uma protagonista forte, mas atores coadjuvantes que ainda disputam quem deverá aparecer mais desta vez, o que dificulta qualquer tentativa de ir fundo numa questão social. A visão é boa, mas a condução e o desenvolvimento precisam de mais atenção. Os problemas são evidentes quando você entende, recebe a aprecia a mensagem que o episódio traz ao seu final, mas sente que o conjunto da obra poderia ser melhor.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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