Crítica: A Million Little Things é uma série obrigatória para fãs de boas histórias

A Million Little Things encerrou primeira temporada de forma grandiosa

A Million Little Things estreou de forma tímida no final do ano passado. Tendo uma audiência mediana nos Estados Unidos, ela chegou a ser considerada para o cancelamento. Entretanto, ao longo dos episódios, a trama foi ganhando forma e aos poucos conseguiu conquistar o coração do fãs.

Além disso, ao retornar da sua pausa no começo de 2019, a emissora ABC acertou em mudá-la de dia, colocando sua exibição logo após o sucesso Grey’s Anatomy. Não deu outra: a audiência aumentou, assim como seu prestígio, e a confirmação da segunda temporada veio logo.

Atualmente, no Brasil, ela vem conquistando fãs ao ser exibida quase que simultaneamente pela Globoplay. Um grande acerto da novata plataforma, ao investir em um título de excelente qualidade como esse.

Vale lembrar que, no começo, A Million Little Things foi taxada como “a prima pobre de This Is Us“. Isso porque a série se propõem a discutir dramas familiares, típico do gênero dominado pela série que virou fenômeno nos últimos anos. Porém, “Million Things” conseguiu andar por passos próprios, fazendo-se diferente, relevante e necessária.

Depressão é o grande pano de fundo

A série já começa com o suicídio de um dos amigos protagonistas. Esse é o grande motor para as histórias da série, que ao longo de seus 17 episódios insere a pauta da depressão em praticamente todos os seus personagens.

A família de John, o suicida, precisa lidar com o luto em consequência deste ato. Além disso, deixar nas mãos de Delilah o fato de ter que tocar uma família sozinha. Soma-se ainda o fato dela ter tido um caso com um dos melhores amigos de John. Assim, ela se martiriza ao se questionar sempre se sua paixão por Eddie pode ter sido a causa do suicídio do marido.

Outro personagem que se insere diretamente na ótica da depressão é Rome. Ele estava prestes a ter uma overdose de remédios, no momento em que fica sabendo da morte de John. Sendo assim, ele passa a se questionar os motivos de sua depressão, os fracassos de sua vida, e o porquê dele ter recebido essa nova chance para viver, exatamente no momento em que seu melhor amigo perde a dele.

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Eddie, Gary e Rome ficam unidos na dor pela perda de um grande amigo.

Cada coadjuvante também é protagonista

A Million Little Things tinha tudo para deixar alguns personagens em escanteio, mas acerta ao dar uma importância para cada história isolada. Isso porque, de alguma forma, elas se conectam.

É o caso de Gary, um dos amigos protagonistas. Ele acabou de vencer uma luta contra câncer de mama e, na sua reabilitação, ele conhece Maggie. Ela também havia vencido um câncer que, ao longo da primeira temporada, retorna. Sua batalha pela vida é um dos pontos altos da série. Soma-se ainda o fato dela ser uma psicóloga, que acaba por tratar os problemas de Rome – e de praticamente todo o grupo.

Outras tramas interessantes se projetam em Katherine, esposa de Eddie que descobre sua traição. Ela passa a se questionar se teve culpa nesse ocorrido, principalmente por ser dedicada ao extremo no trabalho; E Regina, esposa de Rome que precisa lidar com a ansiedade de abrir um restaurante, somado aos problemas pessoais do marido.

Reviravoltas que prendem

Uma das questões que mais chamam atenção do espectador em Million Things é descobrir os verdadeiros motivos que levaram John a cometer suicídio. Isso é construído em torno de um grande mistério, que aos poucos vai sendo revelado.

E o que se mostra ser uma coisa, com o encaixe de peças jogadas durante os 17 episódios, são transformadas com uma grande reviravolta no final. No último episódio da temporada, o real motivo do suicídio de John é revelado. Isso, de certa forma, dá um conforto para a família do personagem, ao mesmo passo que bate na tecla que a depressão é algo que pode ser ocultada durante anos. Entretanto, precisa ser tratada e cuidada bem de perto.

O fato dos personagens também evoluírem, tanto sozinhos quanto com dinâmicas em grupo, é incrível. Em poucos episódios você acredita na conexão entre eles, a ponto de nos emocionarmos em cada uma de suas conquistas. Aliás, o choro aqui é livre. Não tem um episódio que você, provavelmente, não derramará uma lágrima.

A Million Little Things toca no coração, de uma forma incrível, se tornando uma série necessária para todos os fãs do gêneros. E, no final das contas, ela vence o estigma de “prima pobre de This Is Us“, e tornando-se a “prima adulta de This Is Us“, ao abordar histórias de forma mais crua, sem muito da fantasia apaixonante usada pelo drama já veterano.

Uma série que mostra a cada episódio que uma amizade não é construída por algo grande. Mas, sim, por um milhão de pequenas coisas…

Sem dúvidas, uma razão certa para você se tornar assinante da Globoplay. Maratona recomendada!

Imagens: ABC/Divulgação

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Além disso, vou ter de completar. Entretanto, para ficar verde.

 

Nota do Roteiro9
Nota das Atuações8
Trilha Sonora9.5
Crítica da primeira temporada de A Million Little Things
8.8
Anderson Narciso

Anderson Narciso

Mestre em História, apaixonado por mídias, é o editor responsável e idealizador do Mix de Séries. Eterno órfão de Friends, One Tree Hill e ER, acompanha séries desde que se entende por gente. No Mix é editor de colunas e de notícias, escreve a coluna 5 Razões e resenha a série Gotham.

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