Crítica: Ainda mais ousada, The Good Fight retorna de maneira surpreendente

Imagem: CBS All Access/Divulgação

É tão bom estar de volta!

Para quem assistiu a primeira temporada de The Good Fight, sabe que a série serviu como uma espécie de teste. Seja para o casal King e para CBS, que esperava algo de qualidade para que sua plataforma digital começasse robusta. Mesmo que o drama não tenha conquistado os corações dos eleitores na última temporada de premiações, sabe-se que o primeiro ano foi uma das melhores produções lançadas em 2017.

Imagem: CBS All Access/Divulgação

A Season Premiere começa praticamente no mesmo ponto da última vez que vimos esses personagens em 2016. Maya continua sob investigação e assediada constantemente pela procuradoria de Chicago; Diane pensa no futuro com uma leve dose de ambição; Lucca mostra-se ávida para defender Maya no tribunal, enquanto luta para deixar Colin no passado; Adrian, como de costume, está perdido diante de tantas transformações rápidas na sua vida pessoal e profissional.

Com dez episódios sensacionais no passado, espera-se que a segunda temporada seja mais ousada, feroz, inteligente e perspicaz. Analisando pelo episódio de retorno, acredito que estamos diante de muito mais do que um acerto da equipe criativa, mas algo extraordinário em tempos de revivals, remakes e reboots. E de fato, The Good Fight está ainda melhor, mais deliciosa e com um tom irônico difícil de se encontrar hoje em dia.

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Outro grande acerto desse primeiro episódio é a maneira na qual o roteiro conseguiu trabalhar de maneira coerente, divertida e certamente realista a angustia que muitas pessoas, principalmente aquelas com tendências liberais e que moram em centros urbanos (Chicago neste caso), sentem em relação ao caos político em Washington D.C.

Com o uso da ironia em grande parte dos diálogos, fica claro que o humor negro será um dos pilares dessa segunda temporada. Não é algo surpreendente vindo do casal King, que usou e abusou da fórmula ao criar a incompreendida BrainDead. Acredito, entretanto, que ainda é preciso corrigir alguns pontos para evitar que as tiradas cômicas caiam no lugar comum e refinar a acidez de outras ideias.

Audra MacDonald é realmente uma força da natureza. Nas poucas cenas que a atriz participou nessa Season Premiere, ela mostrou o porquê é uma adição impressionante para essa segunda temporada. Seja pela forma direta na qual dispara suas falas ou pelo destaque que dá aos figurinos sensacionais de Daniel Lawson.

Para os remanescentes da era The Good Wife, os fãs services continuam a todo vapor. Howard, o insonso sócio da antiga Lockhart e Gardner, virou juiz – e um pentelho na vida de Diane. Nossa eterna boa esposa, Alicia Florrick, é citada em um rápido diálogo. E como não lembrar de Will, dentro de uma história que promete explorar morte de advogados?

Pois bem. Será que a narrativa do “mate todos os advogados”, não é uma metáfora sobre o ataque constante às leis? Veremos, porque algo me diz que em tempos de Donald Trump tudo é possível.

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Bernardo Vieira

Catarinense e estudante de direito. Escrevo sobre entretenimento desde 2010, mas comecei com política internacional depois da campanha americana de 2016. Adoro uma premiação e um debate político, mas sempre estou lendo ou assistindo algo interessante. Quer saber mais? Me pague um café e vamos conversar.

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