Crítica: American Crime Story encerra temporada com êxito

Imagem: FX/Divulgação

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Será que a vida é sobre ser vivida ou sobre se fazer ser lembrado?

Depois de uma temporada que amamos e odiamos quase na mesma proporção, American Crime Story chega ao fim do segundo ano. Com um episódio que deixou muita coisa para ser dita, mas que ainda assim se fez valer a pena, Alone mostrou a identidade de Andrew e seu objetivo com essa caçada.

Versace e Cunanan eram dois opostos na mesma equação. Ambos tinham sonhos, objetivos, mas Andrew não tinha paixão. Tudo o que o assassino tinha era ambição, vontade de ser visto, de ser alguém lembrado. E é isso que vimos nesse episódio.

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A caçada final trouxe a tona todos as vítimas e envolvidos com Andrew. Darren, que teve atuação impecável do começo ao fim, se deparou com um momento crucial da vida: não tinha como fugir, então qual seria a melhor escolha?

Naquela casa flutuante, Cunanan relembrou sua vida inteira. O que passou quando criança, onde é que tudo mudou e o que foi que o levou àquele lugar.

American Crime Story nunca teve o objetivo de mostrar Versace, mas sim todos os outros, que mesmo mortos foram negligenciados. A viúva de Miglin dá um show ao confrontar o detetive. Eles sabiam que Andrew era um assassino havia dois meses e nada foi feito nesse tempo? Será que se ele não tivesse matado Gianni, teria feito quantas vítimas além daquelas?

E é isso que o episódio mostrou, uma sequência de erros da polícia…

O ato de ignorar a homossexualidade das vítimas e de seu assassino. A história do crime tem muito mais a ver com o que podiam ter feito, do que com o que aconteceu.

Donatella também não ficou pra trás, a caçula se manteve forte no funeral do irmão, mas não perdoou Antonio. Penelope passou uma verdade inimaginável nas lágrimas, até a Donatella verdadeira deve ter se emocionado. Ela que sempre vivia a sombra do irmão, agora, teria que tomar a frente e claro que não aceitaria alguém como Antonio no caminho. A história real foi um pouco diferente, mas o fim de Antonio ali foi poético. A questão que ficou foi: ele se matou por estar sem Gianni ou por ter ficado sem nada?

Imagem: FX/Divulgação

E chegamos no ápice quando Andrew ligou para o pai, depois de tudo o que passou por culpa dele. A esperança era de que o pai pudesse vir salvá-lo e gente, que dó. Sabemos que ele não era uma boa pessoa, mas a decepção dele ao esperar para depois ver o próprio pai vendendo o filho na TV, foi deprimente.

O fim não podia ser diferente para ele. Andrew Cunanan foi visto, foi notado, foi colocado sob os holofotes e esse, sempre foi seu objetivo. Ele não queria passar despercebido, matou um, dois, três, mas não era o suficiente. Ele queria ser lembrado, ser alguém fora do comum, ser um gay reconhecido que podia ser algo além de um escondido na sociedade.

Achei muito interessante a crítica de homofobia na época. O discurso na sala de interrogatório também se mostrou extremamente necessário. Por fim, vimos a vida e a morte de Andrew Cunanan e Gianni Versace. Dois opostos e dois iguais, ao mesmo tempo. Gianni morreu com glória, sendo lembrado e homenageado pelo mundo todo. Enquanto Andrew, que não era tão diferente do estilista, morreu sendo apenas mais um entre tantos.

Um que recebeu uma lápide simples sem ninguém para homenageá-lo, e outro, que teve um mundo para lembrar seu nome.

Nota: Andrew durante o funeral de Gianni rezando foi de deixar ponto de interrogação na cabeça.

Nota2: Lizzie foi a melhor amiga mais sumida do universo das séries.

Nota3: A cena do tiro foi de doer também. Preparem os prêmios para o Darren já!

E vocês, esperavam isso ou se decepcionaram? A temporada inteira abordou a história de forma diferente do previsto, mas ao meu ver, foi um sucesso. As atuações foram espetaculares, a fotografia da série não deixou a desejar e mesmo com a quebra temporal, a continuidade foi impecável.

E assim, terminamos nossas reviews essa temporada. Agora nos resta esperar mais uns anos para a próxima… Obrigada por terem acompanhado e nos encontramos novamente em breve, até mais!

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